sábado, 29 de janeiro de 2011

BAÍA DE TODOS OS SANTOS

A partir deste mês de janeiro de 2011, o meu texto filosófico passa a ser publicado, registrado (com data) e arquivado em um outro blog, para o qual remeto os leitores.
http://adinoel-blogart.blogspot.com
Aqui, em Reflexos no Espelho, continuam dados, análises, propostas e projetos literários, científicos e tecnológicos.

Neste ano de 2011, deverei consolidar todas as minhas propostas para a Baía de Todos os Santos, desde as comemorativas da sua descoberta (510 anos em 2011) até as de divulgação de suas riquezas geográficas e históricas para fins turísticos, divulgação esta ameaçada pela reforma ortográfica da língua portuguesa, que determina hífens antes e depois do artigo "os", ficando assim: "Baía de Todos-os-Santos". Que os linguistas busquem o que fazer e tirem os tremas irresponsavelmente ou tirem hífens de onde eles estão e os ponham onde não estavam, compreende-se. É muito chato ficar sem trabalho. O que não pode, não deve, não se aceita, é que alterem nomes próprios, principalmente os públicos, tradicionais, históricos.
Podem fazer a mesma regra para ser aplicada também no "de" e passaríamos a ter Bartolomeu Lourenço-de-Gusmão ou Humberto-de-Campos ou Santiago-de-Compostela e assim por diante.

Dias atrás, a revisora contratada para despertar-me dos meus cochilos ortográficos no livro que estou escrevendo para o Yacht Clube da Bahia - seus 75 anos de história - tentou alterar o nome Baía de Todos os Santos do meu texto, colocando-lhe os tais hífens. Não permiti, jamais permitirei e sugerí-lhe uma nota de pé de página para tirar, dela, a responsabilidade profissional que a obriga a ser obediente à norma técnica da linguística nacional. Sim, ela é linguista e deve obediência, compreende-se. Eu sou escritor, artista, filósofo e, sobretudo, cidadão com o direito constitucional de liberdade de comunicação e expressão. Pode não ser "elegante" escrever fora do rigor linguístico, mas é evidente que é permitido pela lei maior do País: sua Constituição. Principalmente quando essa ação está acoplada a uma idéia e a um direito de expressá-la.

Vamos pegar essa palavra - linguístico - que, até antes da reforma, escrevia-se com trema - lingüistico - como se escrevia "freqüente", por exemplo, agora se determinando escrever "frequente". Não só imaginem, mas vejam o absurdo irracional dessa proposta. Tira-se o trema para alterar a fonética, mas não se muda a ortografia para "frecuente" e assim obriga-se a pronunciar o "quente" como se fosse "cuente". E como fica a palavra "quente", aquela que é o oposto de "frio"? Nós, os engenheiros, somos racionais? Os linguístas são irracionais? Ou não são os linguistas que estão propondo isso, mas meros bebedores de chá (cha...teados por não terem o que fazer)?

Parece que essas propostas são frutos apenas da ociosidade. Ou terá o objetivo de criar novos empregos e encarecer os sistemas produtivos culturais dos países de língua portuguesa? Não acredito que seja apenas para acabar com a paciência de quem pensa em fazer sua arte e cultivar sua história e suas tradições sem perturbações externas.

O fato é que tem muita gente brincando com coisa séria, deixando seu subconsciente - pensamento automático e intuitivo - agir contra a própria consciência, quando esta se distrai e permite que ele a comande. É necessário estar atento, porque um pensamento subconsciente nocivo (ódio, orgulho, vaidade, etc) pode entrar em conflito com o consciente e causar danos à saúde ou coisa ainda pior. Para corrigir tais desvios, uma dose correta de amor é um santo remédio.

Adinoel Motta Maia

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O NATAL E A RELIGIÃO DAS FESTAS

Dezembro de 2010 – Na Internet, circula uma bem produzida peça promocional a cores e com música, na qual uma voz, que seria a de Jesus, convida para a festa do seu aniversário e diz ter comparecido a ela sem ser convidado, tendo encontrado pessoas a comer e beber em volta da figura de um velho barbudo a distribuir presentes. Estranhou Jesus, que sendo aquela a reunião comemorativa do seu nascimento na Terra, ninguém estivesse falando dele, pronunciando o seu nome ou sua palavra.


A verdade é que a festa de Jesus é no DIA DE NATAL, 25 de dezembro, que, diga-se de passagem, não seria a do seu nascimento em Belém, em ano ainda não determinado com precisão, mas seguramente não o ano zero da era cristã. Quando JESUS nasceu, sabem todos, o 25 de dezembro era o dia do nascimento do deus MITRA, que era o próprio Sol na Índia e na Pérsia. Mitra foi absorvido pelos gregos e finalmente pelos romanos no início da era cristã. Aquela data correspondia, então, ao dia do solstício de inverno no Hemisfério Norte, isto é, o início de um novo ano do Sol.
O recém nascido Cristianismo, depois da crucificação de Jesus, o Nazareno, aproveitou-se de templos e datas pagãs, para neles fazer suas festas e foi assim que Jesus, nascido provavelmente na primavera ou no verão teve o seu natalício comemorado no primeiro dia do inverno. Ninguém estava querendo conhecimento, mas apenas aproveitar as arenas e as festas pagãs para conquistar novos adeptos para o Cristianismo. A proposta da nova igreja era a da Fé, mantendo as pessoas na ignorância da crença, sem precisar saber coisa alguma. Como se vê, cada pessoa acredita no que lhe é conveniente e lhe parece realizar os seus sonhos, os seus desejos.


Assim, histórica e científicamente, 25 de Dezembro não é a data do nascimento de Jesus. O dia 6 de janeiro é comemorado como “Dia de Reis”, por causa de reis magos do oriente que teriam ido a Jerusalém (não há prova alguma disso) para presentear o filho de Deus, que nascera, inspirando um velho de nome Nicolau, antes de morrer, a dar presentes às crianças pobres nessa data. Com o tempo, esse hábito foi imitado e surgiram muitos Nicolaus (nos Estados Unidos ele é Santa Claus e no Brasil é Papai Noel), criando-se um mito que a indústria e o comércio propagaram, com o fim de aumentar suas vendas no fim do ano. Assim, determinou-se que no Natal, as crianças colocassem suas meias e sapatos penduradas ou à beira da lareira, para receberem presentes, evidentemente, na véspera do Natal. É importante deixar claro que o dia de Natal é o 25 e a visita de Papai Noel é na noite de 24.


A Igreja Católica fazia uma Missa do Galo à meia noite do dia 24 de Dezembro, assim começando o Dia do Natal. Ora, para esperar a Meia-Noite, era preciso fazer alguma coisa e manter-se acordado. Aí a indústria e o comércio aproveitaram esse tempo vazio e o encheram com propostas de ceias e trocas de presentes à beira da árvore. Não só as crianças deviam receber presentes e assim surgiram atividades, como a do “Amigo Secreto” para encher o tempo até a Meia-Noite.
É evidente, portanto, que esta nunca foi a festa de Jesus. A Igreja continuou se aproveitando de símbolos pagãos como o da árvore cortada no campo e montada na sala de visitas, para enfeitar o Natal, este sim, de Jesus, com missas no dia 25. Estava pronta, assim, a paulatina invasão do Natal pelo Papai Noel e a máquina de fazer sonhos da estrutura econômica do consumo, com a desculpa de criar empregos, apoderou-se de tudo e de todos, para aumentar os lucros das empresas e os impostos arrecadados pelo governo.


A Missa do Galo não existe mais em muitas igrejas, porque já não há segurança nas ruas para se andar por elas à meia-noite e depois disso. Também, ninguém vai sair dos seus “comes e bebes”, da sua conversa alegre com trocas de presentes, para rezar. Assim, só a Igreja convida Jesus para o Aniversário do Nascimento de Cristo. Alguém dirá que se colhe o que se planta.


E o que se plantou? Uma estória na qual se acreditou enquanto se era ignorante e se temia um deus que olhava para cada ser humano, ouvia-o e podia ou não atender seus pedidos individuais, acreditando-se que ele sabia o nome de cada um dos seres do Universo e estava atento aos milhões, bilhões de crentes ajoelhados, acendendo velas e proferindo orações decoradas.
Vamos pensar um pouco. Cada ser humano é um deus para os trilhões de bactérias que vivem em seu corpo. É capaz de matá-las com antibióticos ou premiá-las com nutrientes, mas não sabe o nome de nenhuma, nem sequer imagina se estão ou não a pedir alguma coisa. Como imaginar e aceitar essa história de que um deus ou O Deus do Universo nada mais faz, além de se preocupar e cuidar de cada um dos seres que fazem orações pedindo isto e aquilo?


Em João (3:10-12), teria Jesus respondido uma pergunta de Nicodemos: “Tu és mestre de Israel e não sabes isto? Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho. Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?”


Podemos imaginar a ignorância que havia no Oriente há dois mil anos, se ela ainda é enorme, hoje, a ponto de se matar com bombas aos que olham para um mesmo fenômeno, por outro ângulo. Imagine-se uma pequena casa com quatro paredes, com uma janela em cada e uma pessoa a olhar por cada uma delas. Um lado da casa está voltado para o mar, outro para um deserto, outro para uma montanha e o último para uma cidade. Em verdade, em verdade, cada um dos idiotas que só olham por uma janela matam e morrem para provar que o mundo lá fora é inteiramente diferente do que os demais afirmam ser.
Para João, o evangelista aí acima, estas seriam palavras de Jesus.


Jesus, o Nazareno, era uma pessoa que sabia das coisas, provavelmente o maior intelectual da sua época, na Palestina, que sabia não se dever dar conhecimentos especializados (pérolas) aos ignorantes (porcos). Esses ignorantes teriam dito a Pilatos para matar Jesus e salvar o bandido Barrabás. Ainda hoje é assim: os ignorantes perdoam os bandidos e xingam os intelectuais.
Essa figura extraordinária do passado está viva até hoje, no entanto, porque se criou uma estória fantástica sobre ela, na qual os ignorantes poderiam acreditar, sem nada perguntar, sem nada saber, sem que se precise explicar. Esses mesmos ignorantes que O aceitaram por séculos, O estão trocando, agora, por Papai Noel, o deus do Consumismo, a nova religião, cujos templos são conhecidos como shoppings. Nesses novos templos de uma nova religião, não se precisa sequer ter dinheiro para comprar. Basta endividar-se e ter fé em conseguir o dinheiro depois, para pagar as prestações.
Não se precisa, portanto, estudar e saber coisa alguma. É muito fácil acreditar no que parece ser bom para nós. Os porcos não querem pérolas. Querem comida e festa.



HÁ MUITO O QUE SABER E MUITO PEQUENA É A DURAÇÃO DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM NUMA ÚNICA VIDA. O QUE DIZER DAS PESSOAS QUE SÓ QUEREM DIVERSÃO, SEM NENHUMA INFORMAÇÃO?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

BAÍA DE TODOS OS SANTOS

Quando foi descoberta a Baía de Todos os Santos, em 1º de novembro de 1501, escrevia-se “Bahia”. Bahia de Todos os Santos foi o nome dado, também à capitania hereditária entregue a Francisco Pereira Coutinho em 1534. Ao se fundar a Cidade do Salvador, com a chegada do primeiro governador geral do Brasil, Tomé de Souza, em 1549, falou-se em Cidade da Bahia, para dizer que era a cidade que existia na Bahia de Todos os Santos. Não havia outra, ali. Por isso, até o século XX, quem se dirigia à Salvador, dizia: “Vou pra Bahia”. Ainda há quem o diga. Com a divisão do Brasil em “estados”, a Cidade da Bahia deu nome ao Estado da Bahia, do qual era a capital. Ainda é. Fez-se a confusão? Nunca. De acordo com a conversa, já se sabia ou se sabe se o indivíduo falava ou fala na cidade ou no estado, quando dizia ou diz “Bahia”.

Em 1949, o Governador Octávio Mangabeira, comemorando o quarto centenário da cidade, entre outras obras então inauguradas, entregou aos “bahianos” uma rodovia que tomaria o seu nome, ligando o bairro de Amaralina ao arrabalde de Itapoan, já na direção do Aeroporto de Ipitanga, cujo acesso era uma dita “estrada do aeroporto”, asfaltada pelos americanos durante a 2a Guerra Mundial. Essa Avenida Octávio Mangabeira, também asfaltada, nos seus primórdios, passava pelo aeroclube e povoados de pescadores, sabe-se lá o que mais, naquele deserto à beira da praia, que, de repente, se encheu de gente para conhecer e gozar das paisagens até então desconhecidas para a grande maioria da população e que passou a ser a grande atração da classe média, a começar pelos poucos privilegiados que tinham carros importados. Ainda não se fabricava automóveis no Brasil.

Sem que se percebesse, esse benefício foi tirando os olhares, a atenção e o cuidado de cada um e de todos, da Baía de Todos os Santos. A invasão consentida do subúrbio ferroviário, este banhado pelos seus remansos, aquela formada pelos miseráveis que construiram palafitas entre o Lobato e a Ribeira, criou aterros e neles, novos bairros ditos “populares”, que ano após ano contribuiram para tirar das praias da Cidade Baixa (Bogari, na Penha, principalmente) os moradores tradicionais, entregando aquela área a uma quantidade enorme de bares e restaurantes. Na outra extremidade da baía, no Porto da Barra, o advento das linhas diretas de ônibus entre bairros permitiu que a população de outros bairros também ditos “populares”, estes centrais, tivesse acesso fácil e barato à melhor praia da cidade, para quem gosta de nadar. A classe média alta correu para a orla oceânica, não só para os banhos de mar dominicais, mas para morar ali. O primeiro grande efeito disso foi o nascimento do bairro da Pituba e daí por diante, até hoje, surgiram outros grandes empreendimentos imobiliários.

Para a Baía de Todos os Santos, nada. Nem um olhar preguiçoso.

Em face a este abandono, que se estende por todo o Recôncavo, onde estão cidades históricas e recantos paisagísticos belíssimos, com águas mansas ideais para a natação, o remo, a vela e outras atividades sociais e desportivas, temos de perguntar: até quando? Nossa baía está pedindo socorro e ninguém a ouve. Falta estudá-la, conhecê-la e vivê-la, mas tudo isso precisa, no mínimo, de atenção, de um olhar curioso, de um sentimento de amor por ela. Não, para transformá-la em mais um palco de eventos saracoteantes (a juventude baiana parece só gostar disso e não ser capaz de mais nada, além de balançar-se). É necessário a baía no seu potencial turístico cultural, intelectual, primeiro atraindo os que usam o cérebro, depois os que gostam das atividades físicas. Nada se fará, no entanto, se não se promover a implantação de estruturas viárias e planejamento urbanístico compatível com as necessidades turísticas, que exigem níveis elevados de segurança e prazer.

Assim, com o apoio do Gabinete Português de Leitura e do Yacht Clube da Bahia (cultura histórica e desporto náutico), foi lançada neste ano a Semana da Baía de Todos os Santos (28 de outubro a 05 de novembro). Um passo inicial, com eventos realizados nas duas instituições. Em 2011, a baía estará completando 510 anos de descoberta. Temos um ano pela frente, para criar eventos, programar atividades, realizar estudos e pesquisas e fazer convergir para essa semana todos os resultados dos esforços de quantos comungam com essa idéia de promovê-la em Salvador e no Recôncavo, com repercussão em todo o Estado, em todo o País e no Exterior. Sim, resultados, porque há que se trabalhar sempre e continuamente com esse objetivo. A Semana é de comemoração e divulgação de resultados do que se fez durante todo o ano. Fica, aqui, portanto, a convocação e o desafio: você gosta da Baía de Todos os Santos? O que pode fazer por ela? Que tal começar por conhecê-la melhor, estudando sua história e sua geografia, mas também buscando os seus lugares, a sua gente, os seus cantinhos de mistérios e prazeres?

domingo, 10 de outubro de 2010

UMA ESQUINA DA HISTÓRIA

Este é um momento especial. Uma das esquinas da História, aquela na qual se dobra a rota para se tomar uma outra direção, porque o homem intelectual descobre estar evoluindo para uma estrutura de consciência mais complexa. A velha Física, de Newton e de Einstein, com fenômenos da matéria e da energia limitados pela velocidade da luz, recebe a companhia da Psíquica, cujas manifestações ocorrem em velocidades maiores que esta.
Sobre este assunto, pode-se encontrar algum conteúdo nos textos de 28 de agosto e 16 de setembro, entre outros, deste blog.
A evolução das espécies começa realmente com a matéria mineral, que ganha vida e vira vegetal, daí surgindo o animal, que cresce em complexidade e torna-se homem. Homem animal. Ainda encontramos muitos destes, pelas ruas e até em nossas casas, como encontramos inúmeros animais que ainda não são homens, assim como vegetais e minerais os mais diversos.
Já existe, contudo, o homem intelectual, com uma estrutura de consciência um tanto mais complexa e um comportamento mais voltado para o seu interior, digamos, neural, buscando mais conhecimento (informação) e dando pouco valor à emoção, à paixão.
Muitos conflitos têm ocorrido porque a grande maioria que ainda se encontra em estádios anteriores da evolução (mas continua evoluindo), não reconhece os que já atingiram os degraus posteriores, justamente porque aquela maioria recusa informação, mantendo-se na animalidade ou em graus anteriores da intelectualidade, agredindo quem já avançou nesta.
Este processo vem sacrificando muitos intelectuais onde e quando os animais estão em maioria.
Um exemplo disso é o do encontro do homem dito civilizado, com o homem selvagem.
Muitos historiadores têm mostrado esse conflito, ao longo dos milênios atravessados por diversas civilizações, algumas desaparecidas, às quais só chegamos através da arqueologia, com peças em museus e ruínas em cidades surgidas de escavações.
À pergunta "Por que tal civilização desapareceu?" podemos dar uma resposta muito simples e certamente verdadeira: porque ali os animais venceram os intelectuais.
A História nos mostra, no entanto, o caso oposto, onde e quando os civilizados venceram os selvagens, mas não foram sempre tão civilizados e acabaram com estes, fazendo uma escada sem os degraus inferiores, talvez para impedir o retorno, a volta a tais estádios inferiores.

Para enfrentar essa evolução da consciência em direção a estruturas psíquicas mais complexas, tenho trabalhado muito nos últimos cinquenta anos, mais precisamente, deste 1957. Aposentei-me em 1997 para escrever um livro que se tornou uma trilogia. São três romances (vejam o texto de 15 de julho neste blog) que atravessam dois mil anos de história desde a peregrinação dos judeus chamados de "nazarenos" (conduzidos por Jesus de Nazaré), até a peregrinação de gente de todo o mundo que faz os muitos caminhos para Santiago de Compostela. Esses romances têm os seguintes títulos: "A Cruz dos Mares do Mundo", "A Noite dos Livros do Mundo" e "A Trilha dos Santos do Mundo".

O primeiro desses livros será lançado neste ano, dentro da I Semana da Baía de Todos os Santos, numa efeméride aprovada pelo Gabinete Português de Leitura da Bahia para comemorar com três eventos, a partir deste ano, a descoberta da Baía de Todos os Santos, feita em 1º de novembro de 1501, pelos portuguêses já então em relativo nível de civilização, que nela encontraram homens selvagens. Estes tinham, para essa baía, o nome Kirimurê. Integrando-se nessa comemoração, o Yacht Clube da Bahia, que vive os seus 75 anos de existência neste 2010, realizará um evento social dentro da mesma semana, lançando então o livro "A Cruz dos Mares do Mundo", que narra uma aventura fundamentada na história de 1501-1503, com um personagem civilizado e outros, selvagens, na ilha de Itaparica , além de investigação a partir do desaparecimento da imagem de Nossa Senhora das Maravilhas no Museu de Arte Sacra, em Salvador, com repercussão naquele mesmo cenário da Baía de Todos os Santos, em 1997.

Mais que simplesmente lançar esse livro, contudo, o evento do Yacht Clube estará lançando o Selo AMME, com o qual será publicado. Por seu lado, esse selo tem características inovadoras, introduzindo o livro como mais um veículo de mídia. Uma dessas características é ter ele, nas páginas de rosto de cada capítulo e na sua última capa, mensagens publicitárias, que cobrirão todos os custos de produção e permitirão o livro ser distribuído gratuitamente com um público para o qual é dirigido. Ninguém, portanto, o encontrará nas livrarias. Quem não o receber, nesta primeira impressão ou nas seguintes, terá de procurá-lo entre amigos e parentes que o possuam, para ler a sua história. Outra característica deste e dos demais livros que sairem com esse selo será a sua divisão em duas partes, a primeira das quais com o romance propriamente dito - uma aventura de mistério e suspense - enquanto a segunda terá apêndices nos quais o leitor encontrará, através de personagens ficcionais, respostas proto-científicas para assuntos polêmicos como o verdadeiro tamanho da Baía de Todos os Santos, o mistério do "estalo" do Padre Vieira e do seu judaísmo, a questão do ego interno do homem (no cérebro) ser muito parecido com o disco rígido dos computadores e do seu ego externo (Inconsciente) ser uma espécie de dono do computador, além de muitos outros, que conduzem à necessidade de termos uma nova ciência: a Psíquica. Para os fenômenos que se manifestam com velocidade superior à da luz.

Com esse selo, a ser oferecido a todas as editoras, sem exclusividade de publicação da obra por qualquer delas, surge um novo veículo na mídia impressa: o livro. Ao invés, contudo de ter uma periodicidade, tem ele uma perenidade, na medida em que muitas impressões sejam feitas, aumentando continuamente sua tiragem por meio de um novo e revolucionário processo industrial: a impressão digital por demanda. Processo que está sendo introduzido no Brasil pela Singular, um braço do Grupo Ediouro, que garante ao livro, a alta qualidade (conteúdo e projeto gráfico) dos best-sellers e a gratuidade que esgota todas as edições no lançamento, garantindo, também, aos anunciantes, que suas mensagens serão lidas pelo número de leitores prometidos, ainda aumentados pelos outros que o lerem por empréstimo ou receberem a obra por
doação sucessiva.

Já há um certo consenso mundial de que a impressão por demanda salvará o livro impresso de entretenimento, que está sendo ameaçado pela praticidade e menor preço do livro eletrônico, que depois de lido não precisa ser guardado. Igualmente, por ser gratuito, o livro impresso com o selo AMME tem as mesmas propostas dos best-sellers e pode ser descartado depois de lido, por empréstimo ou doação, sem perda para o primeiro leitor. Este primeiro e outros selos que surjam com a mesma proposta, seguramente, farão uma revolução que evitará o desaparecimento do livro impresso de entretenimento, que, assim, mantém autores, editores e gráficas em atividade.

Últimas palavras neste texto anunciador, vão para os anunciantes, isto é, as pessoas físicas e jurídicas que vivem no mundo da publicidade e poderão encaixar essa nova mídia em suas campanhas ou simplesmente encaminhar para ela anúncios isolados, como o fazem com os que enviam para revistas, jornais e emissoras de televisão. Não deverão estes, contudo, ser anúncios de liquidação em lojas ou de lançamentos de imóveis e automóveis, mas sobretudo os que precisam de perenidade, porque, ao contrário de jornais e revistas que são jogados fora depois de lidos no dia ou na semana, o livro é perene, dura muitos anos, passando de mão em mão, mantendo o leitor em contato com a marca ou produto anunciado, sempre que o abre para leitura ou releitura. Uma mensagem que está ali e pode ser consultada sempre que o leitor a quiser ver.
Para saber mais sobre o selo AMME, leia os textos dos dias 21 e 26 de setembro, neste blog.

Passe esta notícia para seus amigos, não só os leitores de obras de ficção, mas também os empresários que podem querer mostrar sua empresa e seus produtos e serviços aos muitos leitores que buscam entretenimento com conhecimento, isto é, homens intelectuais. Outras informações sobre tais anúncios podem ser pedidas à PROPAGARE PUBLICIDADE (www.propagareonline.com.br - Tel 71.3331.1322).

domingo, 26 de setembro de 2010

O SELO AMME - O LIVRO IMPRESSO É MÍDIA

Passei os anos 9o (século XX) como convidado e trabalhando na Feira do Livro de Frankfurt. Vi surgir, ali e assim, mundialmente, o e-book, o livro eletrônico feito para ser lido nos monitores dos computadores pessoais. Nestes dez primeiros anos do século XXI, criou-se e produziu-se o aparelho digital para a leitura desses e-books, que assim ganharam corpo próprio, com a proposta de substituir o livro impresso.

Costuma-se tranquilizar os gráficos, afirmando-se que a televisão não acabou com o cinema e o rádio, porque estes se adaptaram e desenvolveram outras vocações. É verdade, mas o rádio perdeu a novela, os programas de auditório e até os humorísticos, encontrando sua subsistência nos noticiários e coberturas jornalísticas ao vivo (principalmente as desportivas) não feitas pela TV.

Assim, o livro impresso continuará necessário em algumas aplicações e nichos onde é mais vantajoso, mas certamente perderá o mercado dos best-sellers para o entretenimento e a auto-ajuda, nas livrarias, porque estes textos costumam ser descartados após a primeira leitura e aí a sua forma digital é mais prática e barata, com recursos de imagem e memória inigualáveis.

Seria inevitável a migração imediata e total dos autores de ficção de aventura, mistério e suspense - por exemplo - para o formato eletrônico. Um dos muitos efeitos da mudança. Foi assim pensando, que me ocorreu uma idéia salvadora: a inclusão do livro entre as mídias impressas, angariando anúncios, como na televisão aberta, suficientes para manter os custos de produção impressa e distribuição das obras (como nos programas de TV).

A distribuição dirigida e gratuita é a tábua de salvação para o romance impresso que se tornava best-seller e a partir de agora não precisa ser mais vendido, assim concorrendo com a leitura digital, mais barata, mas não mais prática, porque exige a compra e manutenção do aparelho leitor, entre outras incomodidades.

Recebido gratuitamente, o livro impresso pode ser imediatamente descartado por doação ou empréstimo, o que aumenta sua circulação e seu poder de mídia entre o produtor de bens e serviços e o seu mercado, além do que a sua perenidade é maior, muito maior, que a da revista (uma semana ou um mês antes de ser jogada fora), o jornal (um ou dois dias sobre os móveis da casa) e a televisão ou o rádio, onde o anúncio é visto ou ouvido por não mais que um minuto, só sendo percebido com a sua repetição.

Assim vantajoso para o anunciante, também funcionando ao lado de outras mídias, em campanhas publicitárias, o livro impresso gratuito só cumpre esse papel, no entanto, se houver um critério rigoroso na seleção do seu conteúdo, que tem de se mostrar indispensável para a leitura, sendo inadmissível a mediocridade na linguagem ou no conteúdo, assim como a vanguarda artística ou o excesso de erudição. Esta, como a arte, no livro que deve ser popular, muito procurado, é desejável apenas como decoração. Um vaso de flores num corredor de paredes duras e frias cuja função é melhorar a circulação.

Da teoria à prática, sentí-me na obrigação de realizar a experiência com essa proposta e assim criei o selo AMME (Adinoel Motta Maia Editor). Fui à Bienal do Livro de São Paulo, em agosto último e me encantei com a proposta de impressão digital por demanda, que conheci no estande da Singular (Grupo Ediouro), onde fui muito bem recebido pelo seu E-Publisher, Cláudio Soares.
Naquele universo editorial brasileiro, destacava-se como o caminho da salvação.

Coordenando um projeto no Gabinete Português de Leitura de Salvador, para se comemorar neste ano, pela primeira vez, a descoberta da Baía de Todos os Santos (semana de 29/setembro a 05/outubro), estou correndo contra os prazos para fechar um patrocínio (ou vários) que me permita(m) cobrir os custos de uma primeira impressão, de uma primeira edição, do meu romance inédito A Cruz dos Mares do Mundo, de aventura, mistério e especulação filosófica e científica - ficção policial e científica - que abre a trilogia Nortada (ver matéria neste blog sobre 2000 anos de história em três romances) para ser lançado gratuitamente durante aquele evento, como amostra pioneira, talvez histórica, que testará a teoria. Um livro perene, com folhas de rosto dos capítulos dedicadas ao informe publicitário e com sucessivas reimpressões por demanda dos anunciantes, à disposição das agências de publicidade, das empresas e até das pessoas físicas, com tiragens ao gosto do cliente.

O selo AMME, como já dito em matéria anterior neste blog, estará à disposição também de outras editoras que quiserem publicar as obras patrocinadas e gratuitas do catálogo AMME, sem misturá-las com as obras vendidas, do seu próprio catálogo, com seu próprio selo.

Neste momento, estou colocando os dados para inclusão nos debates que tentam elucidar o enredo, o cenário e os personagens envolvidos nesta empolgante aventura em que se lança o mundo editorial. Não vejo conflito entre o impresso e o digital. Vejo uma riqueza de possibilidades a serem trabalhadas por cada pessoa física ou jurídica, conforme suas propostas, potencialidades e competências.

Mantenham-se ligados aqui, para acompanhar os passos que já estão sendo dados nesta experiência. O próximo deles será a definição do parceiro que cuidará do projeto e produção gráficos da obra primeira a sair com o selo AMME. Uma editora ou uma agência de publicidade?
Já conversamos com alguns empresários do ramo. A decisão por um deles não elimina os outros, porque este selo não é exclusivo de uma empresa. Uma das características desta proposta é que, ao invés de uma editora com vários selos, este é um selo que pode ser absorvido por várias editoras. Sucessiva ou simultâneamente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O SELO AMME

PUBLICO AQUI, HOJE, A SEGUIR, UM "RELEASE" A SER ENVIADO À MÍDIA E A TODOS OS EDITORES DE LIVROS DO BRASIL, ASSIM COMO A AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE QUE DESEJEM SER PARCEIRAS DE EDIÇÕES COM O SELO AMME



Ação em prol do livro impresso


As editoras de livros costumam ter um selo para marcar suas edições, reproduzindo o nome da própria empresa na capa de todos os exemplares publicados. Casos há em que uma delas tem vários selos, além deste, derivado do próprio nome, para caracterizar cada um dos produtos oferecidos ao público. Assim, por exemplo, seus romances de aventura receberiam o selo AÇÃO impresso na capa. Os de sexo, ERÓTICA. E assim por diante...

Não se sabe, ainda, da existência de um mesmo selo utilizado por diferentes editoras, isto é, um tipo de livro com as mesmas características, que teria um selo próprio, para identificá-lo, podendo ser publicado por várias delas. Seria o caso de uma obra, por exemplo, de ficção científica, intitulada “Águas de Marte”, podendo ser publicada por duas ou mais empresas editoriais, mas em todas elas com o selo FICCI, para aproveitar esta marca, indicativa das várias características próprias dessa obra. Isto é possível? Não só o é, como está sendo realizado, como proposta do escritor Adinoel Motta Maia (cinco livros publicados por diversas editoras [1]), que assim se veste com a pele de editor não apenas para publicar seus próprios livros, mas para fazê-lo em parceria com empresas diversas, inclusive editoras com catálogo próprio e que desejem ter mais esta obra, nele.

Surge, assim, o selo AMME (Adinoel Motta Maia Editor) para designar um tipo de livro selecionado por este ou de sua própria autoria, com a principal característica de ser obra de entretenimento como suporte para transmissão do conhecimento, com informação derivada de estudo e pesquisa científicos, quer como ficção, quer como realidade. Se ficção, de aventura, mistério e suspense. Se realidade, para a orientação turística, a divulgação científica ou a reportagem jornalística, por exemplo, sempre com textos leves, em linguagem acessível a todos os leitores. A obra que todos os editores querem ter, sem os custos de procurá-la e os riscos de não encontrá-la.

Outra característica dos livros com o selo AMME será a sua gratuidade para o leitor, com distribuição dirigida e conseqüente garantia de esgotar a edição no lançamento, com evidente sustentabilidade para as mensagens publicitárias inseridas em suas páginas, com as quais se remunera o editor e o autor e se paga os custos de produção.

Pretende, com isso, Adinoel, garantir a permanência do livro impresso no mercado, enfrentando a concorrência do livro eletrônico que o ameaça não só nas livrarias como em lojas de eletrodomésticos e logo até em feiras ao ar livre, assim como na Internet, oferecendo, nesse mar agitado, uma bóia aos autores, assim como aos empresários e profissionais gráficos em crescente perigo de inanição.

Por outro lado, oferece parceria a editoras que têm selo próprio e poderão anexar este AMME ao seu elenco de produtos sempre que precisar uma obra com tais características e suporte financeiro para distribuí-la gratuitamente, sendo o selo AMME, para o leitor, uma garantia de bom entretenimento, boa informação e boa qualidade gráfica, gratuitos.

Para lançar o seu selo, o escritor e a partir de então também editor Adinoel Motta Maia está disponibilizando o seu livro inédito “A Cruz dos Mares do Mundo”, primeiro de uma trilogia na qual trabalha há 13 anos e que resumirá 2000 anos de história e geografia globais [2], para mostrar a busca do chamado Reino de Deus pelo homem, dentro de uma ficção policial e científica de mistério, com cenários visitados pelo autor na Ásia, Europa e América.

Além de seus próprios livros, Adinoel se dispõe a colocar seu selo de recomendação em obras de outros autores que as escrevam para o entretenimento, com informação científica, fruto de pesquisas geográficas, históricas, físicas e psíquicas.

O selo AMME será lançado na I Semana da Descoberta da Baia de Todos os Santos, por ele coordenada, marcada para 28 de outubro a 05 de novembro de 2010 e que será envolvida pela exposição “Todos os Barcos do Mundo”, a se realizar no Gabinete Português de Leitura de Salvador, entre os dia 28 de setembro e 28 de novembro deste ano, abrindo-se agenda de visitação para grupos escolares de Salvador e demais municípios do Recôncavo da Baía de Todos os Santos.



ATENÇÃO!
A partir de hoje, até 30 de novembro, acompanhe neste blog “Reflexos no Espelho” (http://adinoel-adinoelmottamaia-adinoel.blogspot.com) as notícias da Semana da Baía de Todos os Santos e dos eventos paralelos que serão realizados nela, como o lançamento do Selo AMME.


NOTAS

[1] “Humanidade – Uma Colônia no Corpo de Deus”, Edições Melhoramentos, São Paulo, 1981; “Morte na Politécnica”, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1990; “O Alienígena Telúrico” – Editora do Brasil na Bahia, Salvador, 1993; “Iate Clube da Bahia – 60 Anos de História”, YCB, 1995; “A Era Ford”, Casa da Qualidade, Salvador, 2002.
[2] Ver neste blog, o texto “2000 Anos de Evolução em Três Romances” (julho de 2010).

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O MISTÉRIO DO INÍCIO

O Nascimento do Universo

No início era o Nada, diz a Bíblia, mas nunca houve um espaço que fosse NADA, porque o espaço é consciência. A consciência não surgiu no espaço NADA. Não foi o espaço quem criou a consciência, mas esta quem criou o espaço. Foi a consciência do SOU e em seguida a do ESTOU, que determinou as três direções e a duração do espaço, como já vimos em outros textos deste blog.
Agora, temos de enfrentar a questão maior, que, uma vez respondida, fecha todo o assunto: quando e como foi o início de tudo.
Não há como fugir da evidência de que o ESPAÇO que constitui o Universo Infinito SEMPRE existiu, mas esse SEMPRE significa exatamente isso: desde que tudo começou. Como aceitar que num espaço NADA, que nunca teve início nem jamais terá fim, houve um começo, um início de um espaço TUDO? Ainda evidentemente, só há uma explicação: o espaço, seja o NADA, seja o TUDO, é uma criação da consciência, porque é ela própria.
Se quisermos, podemos dizer que esse início foi um nascimento. O nascimento da consciência.

Um nascimento explosivo.

Não a explosão de algo que já existia e portanto não era início de coisa alguma, como se fala do Big Bang, como um processo de detonação de toda a matéria e energia concentradas num minúsculo corpo de massa extremamente densa.
Dizemos “explosivo” porque extremamente rápido, mas não necessariamente “de dentro para fora”, como sugere a etimologia da palavra. Temos a tendência de associar um processo a um ser ou objeto que o realiza ou onde se realiza e com isso acreditar que é sempre algo, o que explode, a partir do que cresce em velocidade extrema, instantâneamente no início. Isso tem levado a Física a acreditar na explosão inicial como explosão de alguma coisa extremamente pequena e densa, que vem crescendo continuamente e se espalhando por “um” espaço que também está crescendo, ao qual se chama Universo. Com Einstein, esse espaço incorporou o “tempo” como sua quarta dimensão, indispensável para a ilusão da relatividade, fundamental para o pólo da realidade, da Física.
Um Universo relativo, de ilusão, portanto.
Não podemos considerar um início, jamais, em processo algum, contudo, sem introduzir o outro pólo até hoje desprezado: a atualidade. Todo início ocorre num agora. Um agora em todo o espaço infinito que só existe porque há consciência nele, em todo ele, como já vimos em outros textos deste blog.
O que é explosivo, instantâneo, é o processo de velocidade extrema, da evolução dessa consciência para estruturas sucessivamente mais complexas, em sucessivos agoras, como também já vimos, aqui. O processo e não o ser ou o objeto, porque essa consciência não cresceu nem cresce de dentro para fora. Essa consciência está em todo o espaço sem dentro e sem fora, sempre esteve e sempre estará ali, mas evolui em estruturas cada vez mais complexas em todo ele. Essa evolução de todo o espaço infinito – não apenas de um “átomo primordial” – é que foi inicialmente explosiva, a partir de então existindo o SEMPRE em velocidade decrescente e complexidade/estabilidade crescente.
Tudo é, portanto, uma questão de velocidade. Essa consciência surgiu e evoluiu a partir de uma velocidade instantânea, tudo acontecendo ao mesmo tempo, daí se poder falar em “explosão”. Repetimos para que não se esqueça. A explosão é uma ocorrência em velocidade extrema. Uma queima lenta é uma queima, uma queima ultra-rápica é uma explosão. Uma população que cresce lentamente é um aumento populacional, mas esse processo muito rápido é uma explosão populacional. Assim, no início, foi uma explosão de consciência que ocorreu simultaneamente em todos os pontos do espaço infinito e a velocidade desse processo, no domínio da PSÍQUICA, foi diminuindo até que a consciência com a velocidade do pensamento evoluiu para estruturas mais complexas e estáveis, com menores velocidades, até se criar a energia (velocidade da radiação) e finalmente a matéria (velocidade dos corpos), ambos no domínio da FÍSICA, onde o limite superior de velocidade é o da luz.
Na base de tudo isso está a duração da consciência, que os físicos têm chamado de “tempo”. Além dessa duração, a consciência tem três direções ortogonais básicas, a partir das quais, uma infinidade de outras, intermediárias, que constituem o “espaço matemático ou geométrico”, psíquico, absoluto, atual (duração zero). A consciência com essas três direções fundamentais e uma duração maior que zero, forma o “espaço físico”, que é o da ilusão, o da relatividade, que depende da natureza e posição do observador.
A estrutura psíquica com velocidades (do pensamento) decrescentes desde a atualidade até a velocidade da luz, criou a realidade da energia e da matéria, onde a duração crescente de consciência determina maior estabilidade, até se ter estruturas como a das nebulosas (nuvens de gases no espaço cósmico), onde nascem as estrelas, que formam planetas, onde surgem os líquidos e sólidos, como minerais básicos mais estáveis e menos velozes.
A estrutura psíquica de uma pedra é estável por milhões de anos, enquanto um gás se expande e se esgota rapidamente. Antes deste, as partículas que compõem a matéria movem-se com maior velocidade e são menos estáveis. Assim por diante, as partículas livres da quase-matéria e as estruturas ondulatórias ainda são mais velozes e menos estáveis até se chegar à velocidade da luz. Acima desta, só há pensamento, estruturas de consciência da atualidade, do agora, de duração infinitamente próxima de zero, que se sucedem em transformações instantâneas, digamos, explosivas.
Pode-se dizer que o Universo é um campo de explosões, o dos macróbios, os seres que nascem, crescem e morrem, de dimensões macrocósmicas. Um desses seres é o nosso limitado “universo”, este sim, nascendo há cerca de 13 bilhões de anos com o que se chama de “Big Bang”.

A idéia deste texto, agora publicado, ocorreu-me no dia 10 de setembro de 2010, na janela da sala do meu apartamento, às 5:30hs, em frente ao Sol que nascia, quando tive o insight definitivo que completa a visão do ato da auto-criação do Universo Infinito.
Este fenômeno inicial, portanto, que estabeleceu e determinou a existência do espaço em uma duração e três direções infinitas, constituído por uma infinidade de pontos infinitesimais conscientes de sua existência, com intervalos tão pequenos que se fossem menores não existiriam, teve uma duração também infinitesimal (este, o insight acima referido), numa atualidade, um agora tão pequeno que se fosse menor não teria ocorrido, assim saindo do nada – conjunto vazio – para um espaço infinito apenas consciente de suas infinitas posições infinitesimais. A partir daquele primeiro “agora” criador, em sucessivos “agoras” tão próximos um dos outros que se fossem mais próximos não existiriam, as consciências puntuais se uniram em estruturas de consciência de posição na reta (uma direção), no plano (duas direções) e no sólido (três direções), em sucessivos “agoras” de duração infinitesimal, sempre no sentido de formar estruturas de consciência cada vez mais complexas, a partir da consciência do tetraedro infinitesimal constituído por quatro vértices (pontos) tão próximos que se fossem mais próximos seriam um só ponto. Tetraedros conscientes, que se ligariam em linha por seus vértices formando ondas conscientes ou em aglomerados quase esféricos, por seus lados justapostos, formando corpúsculos conscientes livres, inicialmente instáveis e posteriormente estáveis, sendo tais ligações resultantes também de consciência própria. Este seria um universo apenas de pensamento – psíquico – que em velocidades instantâneas formavam estruturas de consciência SOU em todo o espaço infinito, logo seguidas de consciência ESTOU em “agoras” sucessivos de consciência do outro. Tão complexos se tornaram esses aglomerados de consciência, que se tornaram “pesados”, com massa, que assim é quantidade de pensamento, de tal modo que uma sucessão de agoras ganhou dimensão e com isso surgiu a estrutura física. Com esta, apareceu a realidade em quatro dimensões (uma duração e três direções), mas uma realidade livre, de ondas e corpúsculos (partículas) infinitesimais a se moverem em velocidades quase instantâneas. Tornando-se mais volumosas e complexas, as ondas e partículas perderam velocidade, passando de valores psíquicos para outros, bem menores, físicos, isto é, da atualidade para a realidade. A atração da consciência que ligava pontos, linhas, planos e sólidos geométricos do universo puramente matemático passou a ter estado de força e assim surgiu aquela que fez a massa (quantidade de consciência) atrair outra massa, submetendo-a ao seu campo e criando a energia e a matéria, em “quantuns” ainda muito pequenos. Das partículas livres de quase-matéria (quamas) para as que se submeteram a tal força, formando o átomo, ocorreu um processo contínuo de criação que ainda não terminou, obedecendo uma lei de atração e outra, de evolução, na formação de estruturas cada vez mais complexas e mais estáveis de consciência, cujo ápice, para nós, animais humanos intelectuais, é a matéria física – apenas um produto dessa consciência – que também evolui para outros estados de consciência provavelmente já existentes, mas ainda não conhecidos ou sequer percebidos por nossos egos em evolução. Com esta perspectiva, é evidente que há um crescente acúmulo de massa em todo o processo, que tende para um limite: o total de toda a consciência universal, infinitamente grande. Nessa evolução do ego, em massa e complexidade, uma estrutura humana, por exemplo, formada por átomos, seria algo desprezível, se comparada a uma outra formada por galáxias ou conjuntos destas. O ego maior, de toda a consciência assim aglomerada no universo infinito, consciente de toda a existência, seria aquilo ou aquele a quem damos o nome de Deus, que certamente não tem conhecimento especifico de cada um de nós ou de nossa galáxia, do mesmo modo como não temos conhecimento específico de cada átomo de nosso corpo ou muito menos ainda do ser que possa habitar um elétron desse átomo.
Já é muito, portanto, que sejamos iluminados para ver o que está exposto assim objetivamente neste texto, cujo propósito, neste momento, é mostrar que esse Deus existe, sim, porque se o negássemos, negaríamos a existência de todo o Universo. Parece evidente, também, que ele criou o Universo, porque Ele é o Universo e assim, criou a si próprio, num processo instantâneo, saindo do Nada para o Tudo com a velocidade explosiva do pensamento, isto é, da consciência que sempre existiu em cada ponto, sem início e sem fim, mas em permanente e contínua evolução do Todo e de cada uma de suas partes individualizadas em egos tão primários quanto a consciência do ponto e tão definitivos quanto a consciência total do espaço. Podemos dizer, assim, que, como nosso Ego, eterno, em contínua evolução, também o Ego de Deus evolui, desde o Nada que foi até onde puder ir o Tudo, em complexidade de consciência.

OBSERVAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Meus primeiros textos sobre este assunto surgiram no Jornal da Bahia, a partir da década de 70, a cada domingo. Em 1981, pela Edições Melhoramentos (São Paulo), foi publicado meu livro “Humanidade – Uma Colônia no Corpo de Deus”. Seguiram-se artigos também no jornal A Tarde, de Salvador (décadas de 80 e 90). Em 2009, publiquei o artigo “Teoria Unificada do Universo” na Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (disponível no Google, bastando pesquisar com seu título, o nome do autor e a palavra “consciência”). Finalmente, neste blog, aos sábados, desde março até maio/2010 e em textos que foram publicados em seguida, até hoje, aqui. Tudo isso será reestruturado num único livro.