sexta-feira, 28 de junho de 2013

EXISTE UMA CIÊNCIA POLÍTICA?

 
Crônica científica

De vez em quando, ouve-se ou lê-se alguém a falar ou escrever a expressão "ciência política". Há quem exiba o título de "cientista político". Ciência é conhecimento e política é arte, posição ideológica, ação de governo, sistema de regras, disputa de cargos, conjunto de objetivos, entre outras atividades, que, evidentemente, podem exigir algum conhecimento, como ocorre com o comércio, com a indústria, com a agricultura e todas as demais atividades humanas individuais ou sociais. Apesar disso ser claro como a neve, o dicionário do Aurélio diz no verbete Política: "1.Ciência dos fenômenos referentes ao Estado; ciência política." Cuidado com o "Aurélio", portanto. Sim, existe uma ciência política, como uma ciência econômica, uma ciência social, uma ciência química, uma ciência física, enfim, UMA CIÊNCIA para cada ramo do conhecimento, na medida em que se estuda o conhecimento em cada um dos seus setores. Assim como um físico é um profissional da Física, um artista é um profissional da Arte e um economista é um profissional da Economia, um político é um profissional da Política, que é, portanto, uma atividade profissional. Um cientista político, contudo, não é um político, mas um cientista, que, no caso, estuda e pesquisa os fenômenos políticos. Assim, não vamos dizer que Política é a ciência dos fenômenos políticos porque então poderíamos dizer que a Arte é a ciência dos fenômenos artísticos e o Esporte é a ciência dos fenômenos desportivos. As palavras nada valem sem um cérebro competente para analisa-las com cuidado e honestidade.

Esta questão aparentemente acadêmica, hoje, está nas ruas e chega à televisão, o que é muito bom, desde que se tenha o devido cuidado para não confundir "alhos com bugalhos", por serem quase iguais na sua forma. A verdade é que se faz muito pouca ciência política no Brasil, quase apenas nas universidades e sabe-se lá por quem, não sendo raro o engajamento partidário e até a paixão ideológica - absolutamente desvinculada da experimentação científica - na formulação de ideias e formação de conceitos assim infelizmente expostos publicamente. A ciência jamais se deixa levar por preferências passionais e nunca admite qualquer posição fora da frieza do raciocínio lógico e de sua confirmação na bancada da experiência. Os políticos compromissados apenas com sua própria visão do mundo e com os seus batimentos cardíacos, em busca de emoção - o que é próprio dos artistas - não aceitam a ditadura da ciência que segue a disciplina das leis da Natureza, doa em quem doer.
Não estamos discutindo aqui o que é melhor e para quem. Naturalmente, quanto mais próximo está o indivíduo do cérebro animal com menos neurônios, mais se satisfaz apenas com sua animalidade, isto é, sua capacidade de movimentar-se fisicamente. É assim, natural, que manifeste suas preferências e seja respeitado em suas limitações intelectuais, convivendo fraternalmente com os indivíduos que, igualmente capazes, fazem um esforço maior e atingem níveis intelectuais mais elevados, para conquistar posições sociais e bens materiais em maior quantidade e de maior valor. Na Natureza, a opção é individual e isso deve ficar muito claro, no processo educacional, para ninguém ser enganado pelas campanhas sociais meramente demagógicas, que costumam ser designadas como "políticas".

As reflexões aqui propostas semanalmente não visam atingir grande quantidade de leitores, mas apenas aqueles já instrumentados para fazê-las e tirar o melhor proveito delas, com as suas próprias descobertas e contribuições, frutos do seu próprio esforço. Um povo não consegue progredir se é carregado em todo o tempo na sua trilha. Mister se faz apeá-lo e deixar que caminhe com a própria consciência de suas necessidades e objetivos, sofrendo e aprendendo com suas experiências. Do mesmo modo como ninguém faz uma massa muscular saudável em seu corpo, apenas dentro de automóveis e elevadores. Nesse aprendizado, é importante conhecer o papel do Estado, sua estrutura e seu relacionamento com o cidadão nas ruas. Esse conhecimento é a base do que podemos chamar de "ciência política", que deve ser despertada em cada indivíduo, na fiscalização da Política que é feita com ação, na elaboração e no cumprimento das leis e dos procedimentos públicos, custe o que custar, doa em quem doer, com rigor e punição, indispensáveis em qualquer processo realmente educativo. A demagogia caritativa mantém o povo frágil e dependente, como se faz com as ovelhas que não precisam trabalhar, mas apenas comer para que tenham sempre lã e leite até o dia em que darão sua própria carne, para benefício dos seus pastores. Só deles...

Adinoel Motta Maia 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O DISCO DE NEWTON E AS PASSEATAS


Crônica científica

O Brasil inteiro está nas ruas ou na televisão, olhando quem foi para lá, em passeatas convocadas por indivíduos, pela Internet, utilizando as ditas "redes sociais". Dias seguidos - em cada dia mais gente do que no anterior - vemos passeatas de pessoas que não aceitam bandeiras de partidos políticos, de movimentos quaisquer. Nenhuma bandeira além da brasileira, de ordem e progresso, cantando-se o hino nacional, pensando-se apenas no Brasil. Não o Brasil-sil-sil do futebol, mas, ao contrário, o que não aceita o controle da FIFA, que neste momento está mandando no País e cujo presidente, um tal de Platter - é este o seu nome? - foi vaiado pelo estádio inteiro em Brasília, ao ensaiar um discurso de abertura da Copa das Confederações, no qual criticou os brasileiros presentes pelo seu desrespeito e falta de fair-play na presença da Presidente da República, que foi também vaiada, naturalmente, por estar ali com ele e por gastar fortunas para construir estádios enquanto os professores de todo o território nacional ganham um salário miserável e o povo não tem saúde, segurança nem transporte decente e suficiente.

Essas passeatas de indivíduos, sem lideranças partidárias, sindicais, religiosas ou outras quaisquer, convocadas por pessoas também quaisquer, nas redes sociais, surgiram do nada, apelando-se diretamente para a consciência de cada brasileiro. Como fogo em palha seca, o Brasil inteiro foi para as ruas, libertando suas ansiedades reprimidas e exteriorizando suas revoltas intimamente guardadas até então, num movimento explosivo absolutamente espontâneo, cada convidado convidando outros indivíduos, assim demonstrando que uma sociedade saudável e poderosa não é uma massa de idiotas manobrada por pastores políticos, sindicalistas, clubistas ou religiosos. Cientificamente, os indivíduos, as pessoas humanas e até mesmo os animais em geral, evoluem individualmente. São os genes e os egos, em cada indivíduo, que evoluem a partir de suas heranças e suas novas experiências, pressionando células em geral a acumularem informação e a processarem esta, assim contribuindo para que gerações futuras sejam melhores, mas resistentes e mais inteligentes. Qualquer comunidade só cresce quando seus indivíduos crescem separadamente. Quando se estabelece algum progresso social por comando sobre uma comunidade inteira, esse progresso só se mantém enquanto se mantém esse comando. O progresso só é mantido sem pressão, se é adquirido individualmente. Isto é científico, não à luz da sociologia política, mas à luz da antropologia física.

Assim, a consciência é individual e quando surge ou cresce a partir da comunicação individual, como ocorre via Internet, de uma pessoa para outra, sem pressão das massas, os ganhos são permanentes, até que ela própria evolua ainda mais, obtendo-se mais informação. Assim, pode-se votar individualmente, cada um com sua própria consciência, compilando-se toda a informação que se possa obter, com a observação de todo o círculo e não apenas de um dos seus setores. Não nos esqueçamos de Isaac Newton, com sua experiência física do círculo com vários setores, sendo um de cada cor. Ao se girar esse círculo, obtém-se um outro, de cor branca. O branco da paz nada mais é que a soma de todas as cores em guerra. Não há homem psiquicamente saudável que prefira a guerra, olhando apenas para uma cor. Assim, a conclusão óbvia é que ninguém precisa de partido político ou seita religiosa, se pode obter todo o conhecimento, receber toda a informação, venha de onde vier, deixando que seu próprio cérebro, com sua própria memória e sua própria velocidade de processamento, determine sua direção, sem vergonha de trocá-la por outra, quando se descobrir em erro. O erro nada mais é do que um trajeto sem rumo e a derrota nada mais é do que o resultado obtido por quem está errando.

Viva, portanto, a democracia com liberdade de opinião e de manifestação, com ordem, para o progresso. É ela que nos dá tempo para descobrir individualmente que estamos em erro e assim  permite nos arrependermos do mal feito e mudarmos de comportamento ou de direção, pagando com o sofrimento para aprendermos e evoluirmos a nós próprios. Se cada ego evolui, contribui pra a evolução de sua comunidade, que precisa de educação como precisa de ar, de água e de energia. O problema maior da falta de educação é que os não ou mal educados fazem dos educados seus inimigos, seja por medo - porque não os compreende - seja por inveja - porque ainda não adquiriu o que eles já possuem - agravando seu estádio social. É portanto, do interesse de todos acabar com a ignorância e aumentar a consciência em todos os indivíduos. Não se faz isso pagando mal aos professores e assim estimulando quem sabe mais a não optar por essa profissão. É evidente que, reduzindo-se o nível dos professores, acaba-se com a educação e mantém-se a população na ignorância, dependendo da esmola que o governo dá com o nome de "bolsa-família" com o único objetivo de comprar voto para futuras eleições. Um povo educado não precisa de esmola. Por isso, nos países civilizados, a  boa educação é obrigatória. Fora do Brasil, não se dá esmola para se botar o filho na escola ruim. O pai que não coloca seu filho numa boa escola pode pagar multa ou até ser preso, havendo lugares em que o Estado toma o filho e o educa. Evidentemente, isso só é possível em países onde não há miseráveis estendidos na rua ou nelas se drogando. Países onde os pobres têm boas escolas públicas e gratuitas, com professores bem pagos e vagas garantidas para todos.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 14 de junho de 2013

SABEDORIA POPULAR É CIÊNCIA


Crônica científica

Minha avó dizia: "Dizes com quem andas, que te direi quem és". Também dizia: "Quem com porcos se mistura, farelos come". Ela nasceu ainda na Monarquia, em março de 1889. Foi educada como mulher, isto é, sem maior intimidade com a Ciência, porque, então, era vergonha para a família, se suas mulheres sabiam mais do que deviam e pior, se sabiam mais que seus respectivos maridos. Os patriarcas orgulhavam-se, ao dizer: "Minha filha não precisa trabalhar nem saber coisa alguma". O que se permitia a elas, no topo da sua sabedoria, era repetir frases feitas - por homens, naturalmente - com a observação e experiência secular ou milenar, de todos os povos, passadas oralmente de uma pessoa para outra. O que justificava essa repetição era justamente a confirmação da experiência, feita inúmeras vezes, com o mesmo resultado, como se exige, hoje, no método científico. Para ser verdade, uma afirmação deve ser testada inúmeras vezes e ter um mesmo resultado, confirmando-a.

As duas frases acima citadas, nas primeiras linhas desta crônica, são mantidas pela sabedoria popular, porque se confirmam no cotidiano das experiências pessoais. São científicas, portanto. Antropólogos e sobretudo, sociólogos, quando zelam por carteirinhas partidárias, ideologicamente comprometidos para servir interesses meramente políticos, costumam negar a validade e importância de frases como essas, vendo nelas uma conotação preconceituosa. Como, no entanto, ver preconceito numa afirmação concebida há séculos e que se verifica a cada dia até hoje, na prática social em todos os povos, sem exceção? Em verdade, qualquer frase pode ter diversas interpretações, a depender da conotação que se empresta a cada palavra, mas cientificamente, cada palavra tem um único e preciso significado, único e preciso daquele símbolo, quando denotativa, isto é, conforme está no dicionário, sem sentido figurativo ou paralelo, sem a imitação dos poetas que as utilizam como metáforas ou quaisquer outras figuras de linguagem. Fria e objetivamente, como é fria e objetiva a realidade imposta pelas leis da Natureza.

Vamos a um exemplo: quem vê o seu filho saindo à noite com um vizinho que usa ou vende drogas não deve afirmar que ele usa ou vende drogas, também. O sentido da frase - "quem com porcos se mistura, farelos come "- é o de que, ao estar junto desse amigo, caso este seja preso ou assassinado na rua, ele também "comerá" os farelos resultantes daquela ação, ou seja, será detido para interrogatório ou receberá uma bala perdida, seja ou não um drogado ou um traficante. Só o fato de se morar ao lado de um traficante de drogas - usando-se o mesmo exemplo - pode trazer consequências danosas. Não estamos discutindo se a pessoa tem alternativa a curto, médio ou longo prazo, para sair daquele convívio. Esta é uma outra questão, que não invalida a frase. Também não estamos a dizer o que cada um deve fazer. O destino de uma pessoa só pode ser determinado por ela própria. Evidentemente, sua vida futura dependerá de suas ações no presente e no passado, mas só depende dela, isto é, do modo como processa os dados que coloca em sua memória, porque, até os fatores externos que podem incidir nos resultados também são frutos de uma decisão sua, anterior. Por isso é que o sofrimento é fundamental para a educação, seja esse sofrimento o dos estudos e trabalhos escolares num dia em que poderia estar na praia, seja o de uma morte prematura, que ensina como proceder numa vida posterior.

Do mesmo modo, a outra frase - "dizes com quem andas, que te direi quem és" - é ainda mais óbvia. Não quer isso dizer que não poderei ter um amigo desportista, se sou um deficiente físico, mas é evidente que não poderei dar a esse amigo as mesmas respostas e fazer-lhe companhia permanente, se não o posso acompanhar nas suas preferências culturais, que, no caso, dependem de aptidão fisiológica. Assim, quem vê o seu filho cercado por mulheres, sabe que ele as aprecia ou as imita, do mesmo modo que um pombo não anda num bando de andorinhas e um tubarão só persegue uma sardinha para a comer. Assim é a Natureza e as pessoas antigas, com pouca ou nenhuma educação na escola, aprendiam no cotidiano de sua vida, guardando suas observações na memória e aceitando o processamento determinado por seus neurônios, à revelia da sua vontade. A lição que se tira de tudo isso é que cada um de nós pensa diferente e é diferente dos outros porque cada indivíduo formata o seu ego com suas experiências diárias, independentemente de cada uma das pessoas à sua volta. É por isso que, ao morrer, alguns vão para o Paraíso e outros permanecem aqui, mantendo-se no Inferno até aprender com o próprio sofrimento, indispensável para a evolução.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 7 de junho de 2013

COMPROMISSO COM A VERDADE


Crônica científica

Nosso compromisso com a verdade científica não depende de nossa vontade, porque não há como fugir dele, ainda que não se tenha conhecimento disso. Poderia dizer: ainda que não se tenha consciência disso. Parece ser  a mesma coisa. Não o é. O conhecimento é opcional e pode ser imposto por terceiros, enquanto a consciência é inerente ao ser, pertence a este, não há como subtraí-la dele, porque em verdade, é ela que o cria e o faz evoluir. Se isto não está claro, é justamente porque, embora tendo a consciência desse compromisso - não se pode fugir dela - podemos não ter o conhecimento em nosso cérebro, de que o possuímos e obrigatoriamente, devemos cumpri-lo. Este pensamento é cartesiano e constitui a base de toda a ciência, que promove a tecnologia. Merece, portanto, que dediquemos algum tempo e o esforço necessário para sua compreensão, aceitação e aplicação - nesta ordem. Como tudo, o progresso nessa direção depende de disciplina. Qualquer dificuldade nesta tarefa - em qualquer tarefa - deve-se exclusivamente à falta dessa disciplina. Sem disciplina, não se faz progresso. Infelizmente, pouca gente a cultiva, porque ainda não olhou em volta e se olhou, não viu que os que não progridem na vida são justamente os indisciplinados, isto é, os que não seguem as leis, as regras, as normas da Natureza e/ou as do Homem, mantendo-se fora da Justiça e do Direito.

Vencida essa preliminar, podemos abordar a questão que motiva esta nossa reflexão de hoje: nem toda verdade é científica. Sempre se praticou o ato lamentável de forjar uma verdade, repetindo uma mentira. O homem costuma afirmar coisas sem o conhecimento necessário para isso, motivado apenas pela sua necessidade em que seja assim, do jeito que ele diz. Outros, que o conhecem e respeitam, repetem essa afirmação e quando menos se percebe, já existe uma guerra entre povos porque um deles está errado e não sabe disso. Neste momento, o mundo inteiro está em conflito e caminhamos celeremente para uma guerra total - isto seria o Juízo Final - apenas porque lá atrás, um homem mentiu - por má fé ou ignorância - e foi conveniente para todos os que o ouviram, acreditar nessa mentira e alimentá-la, fazendo-a circular e assim ampliando cada vez mais esse círculo. É dessa "verdade" assim criada e cultivada que surgem todas as crenças. Sem exceção.

A verdade científica é aquela que parte de uma necessidade básica: manter a nossa própria existência. Por isso temos todos o compromisso de respeitá-la, ainda que não saibamos disso e pratiquemos, assim, a mentira. Ninguém consegue enganar os outros sem enganar primeiro a si próprio. Essa vontade e decisão de enganar já é a prova de que a pessoa está sendo enganada por ela mesma, que não percebeu ainda estar prejudicando sua evolução. A verdade científica é aquela que só se revela através do conhecimento adquirido pela observação e a experimentação repetidas de um mesmo objeto ou fenômeno, através processos que são geridos por leis físicas ou psíquicas, todas impostas pela Natureza. Assim, por exemplo, a Química e a Biologia são disciplinas montadas em verdades científicas que exigem o máximo rigor para serem aceitas. Já a História e a Religião, não raramente sofrem a intervenção da Política, que, por interesses humanos, ditos sociais, impõem práticas abusivas que escondem ou revelam dados, manipulando-os ao sabor de um projeto de Poder, divulgando "verdades" que, assim, não são científicas, mas apenas servem aos interesses de um grupo, em um lugar e em um momento, exigindo revisões sucessivas. Quando alguém ousa encarar cientificamente um fato histórico, não raramente cria uma polêmica e costuma ser censurado pelas estruturas do Poder Estabelecido.

Mais cedo ou mais tarde, no entanto, surge uma brecha e um pesquisador independente consegue atingir aquele compromisso que inconscientemente cada um de nós tem com a verdade científica e pode reconhece-la, desde que não tenha preguiça para persegui-la, depois de encara-la. Podemos afirmar que essa postura pode ocorrer involuntariamente e até contra os interesses momentâneos do indivíduo, que assim perturbado pelo afloramento do seu Inconsciente compromissado com a verdade, aceita o desafio de opor-se ao que está estabelecido. Infelizmente, são poucas as pessoas que conseguem ouvir o seu Inconsciente e entre estas, há as preguiçosas, que se satisfazem com o Circo.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O DIREITO DE NÃO QUERER SABER


Crônica científica

O respeito ao próximo (e ao afastado) começa com o reconhecimento ao seu direito de ser como é e de querer o que quer - apenas o que quer - podendo-se considerar uma agressão, a oferta do que ele não quer. Isto vale para um produto industrial, uma oferta comercial ou uma informação qualquer, seja esta jornalística ou cultural. Quem ainda não ouviu a expressão "Eu não quero saber disso"? Muita gente tem a fama de "chato" justamente por insistir em passar para outras pessoas o que ele sabe e valoriza, sem respeitar o direito de recusa, dos demais. Uma variação desse procedimento está no cotidiano de todas as pessoas, quando alguém em sua casa ouve um grito que vem da sala de estar (o famoso living), mais ou menos assim: "Ligeiro! Venha ver!" Imagino em quantas casas, na manhã de hoje, em frente ao televisor, alguém fez isso, querendo compartilhar com os demais membros da família as indescritíveis imagens proporcionadas pelo final do jogo de futebol da noite anterior, no seu último minuto, como nos filmes americanos, quando um goleiro classificou a sua equipe para o último jogo do campeonato, defendendo milagrosamente (não é força de expressão) um pênalti, num voo incrível, não com as mãos ou o peito ou as pernas, mas com a ponta - repito, a ponta - da botina em pleno ar, mais elevada do que qualquer parte do seu corpo.

Ora! Existe quem deteste futebol e é natural que muitos tenham ignorado o chamamento ou mesmo reclamado por ter sido atraído para "aquilo". Parece um comportamento de alienação e na realidade o é, mas é também um direito da pessoa, dentro da sua gama de interesses, de cultura, de posicionamento social, político ou religioso, enfim, da sua autodeterminação, que está intimamente ligada ao degrau da escada que sobe, na evolução do seu ego. O nível de interesse de qualquer pessoa é o mesmo daquele em que se encontra o seu degrau. Muitos conflitos, até violentos, que testemunhamos nestes dias de superpopulação na Terra, poderiam ser evitados se houvesse esse respeito ao próximo (e ao afastado) e ninguém quisesse trazer para o seu time, o outro. Por outro lado, concordamos, sem dúvida, que muita briga poderia ser evitada se todos tivessem um pouco mais de conhecimento do que aquele, que cultiva. Isto, no entanto, é algo que só se resolve com paciência, plantando-se à margem do caminho por onde todos passam e deixando que cada um se sinta atraído pela planta. A verdade é que não há salto que permita passar do terceiro degrau para o centésimo, num só movimento. Por isso, como nos disse Jesus, é preciso ressuscitar muitas vezes, vida após vida, como fazemos na escola, ano após ano, curso após curso, sofrendo com os sucessivos exames que aprovam ou reprovam, dizendo ser esse o caminho da salvação, que nos leva ao reino de Deus. A escada até lá é muito longa e difícil.

A lição que podemos extrair dessa análise, é que não temos de convencer ninguém a gostar do que gostamos. Vamos atrair para nosso time apenas as pessoas que já estariam nele se soubessem da sua existência. As que se aproximam naturalmente, porque precisam de conhecimento como todos precisamos de ar e de água. Seja esse time de aficionados da musica, do cinema ou da ciência. Os clubes de ciência chegaram a ser mania no pós-guerra (segunda guerra mundial), principalmente nos Estados Unidos, onde já havia uma tradição nesse campo. Revistas de ciência e de ficção científica eram vendidas nas bancas como se vende hoje as pornográficas. Mudou o que? A quantidade de pessoas. A alma pode se multiplicar infinitamente porque é apenas a força que promove o movimento (anima) encontrada em todos os animais, sejam, assim, quantos surjam, por mera reprodução. Já o ego, é fruto da evolução da consciência que cria o intelecto e o desenvolve por meio da informação, aumentando assim a inteligência na medida em que o cérebro ganha mais memória e maior velocidade de procedimento dos dados nela depositados. Simples, não é? Quantas pessoas sabem disso? Quantas pessoas querem saber isso? Não temos de nos preocupar com as que não querem, mas apenas identificar as que querem e nos aproximarmos delas. As demais, ainda não motivadas, não estão preparadas intelectualmente para gostar de ciência. Não querem saber, por exemplo, que é justamente com o aumento da capacidade de memória e da velocidade do processamento de dados desta, que evoluem intelectualmente e se preparam para substituir a inteligência pela sapiência, que, pelo que se lê nos dicionários, é o conhecimento divino.

Uma outra notícia que está hoje nos televisores é o de uma ação de reintegração de posse de uma propriedade invadida pelos índios, que acham que a terra é deles, por ter sido tirada dos seus antepassados. Sob esse argumento, sim, todos os descendentes de índios, geneticamente comprovados, teriam direito de herança de terras compatíveis, em área, com as ocupadas pelos índios expulsos e mortos no processo de colonização. Terras selvagens, evidentemente, sem as benfeitorias feitas com o dinheiro dos impostos pagos durante todos esses anos e os investimentos realizados por quem construiu casas, estradas, açudes, etc. nelas. Essa notícia, como a do futebol, também é setorial, mas tem um cunho social com toda a carga de emoção que se transmite mais facilmente do que aquela cultivada como razão. A manipulação das emoções é um campo explorado pelos políticos que promovem a ignorância, negando educação ao povo. Um índio morto em conflito é "pano pra manga" de muitas roupas feitas sob medida. A emoção promove a guerra. A razão promove a paz. Tudo é um questão de escolha. A mesa está servida. O cardápio é vasto e variado. Cada um come o que quer e vai para onde quer. Esta é a premissa, na lei da evolução.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 24 de maio de 2013

VISITA AO NÍVEL QUÂNTICO


Crônica científica

Sim, há um mundo além da matéria e da energia. Em outras palavras: um mundo onde as velocidades são maiores que a da luz, isto é, a do fóton. O mundo de quem fez o fóton e consequentemente, a luz. Um mundo, portanto, de escuridão para nós, que temos olhos e precisamos da luz para ver. Nós, no entanto, não temos apenas olhos, ouvidos, pele, língua e nariz, que são aparelhos detetores de vibrações mais grosseiras do que as do pensamento. Temos consciência. Somos consciência. O Universo é consciência. Sabemos todos que o pensamento é mais veloz que a luz, mas o laboratório onde se prova isso não é o da Física. É o da Psíquica (sobre esta, ler no Google a minha "Teoria Unificada do Universo"). Tentando penetrar nesse setor do universo, a Física chama esse campo de pesquisa com o nome "nível quântico", isto é, "onde as leis são diferentes das que comandam a matéria e a energia".
  
Nesse "nível", por exemplo, a Física se perde perante um gás aquecido, que, visto através de um prisma, produz linhas - de luz - que não divergem, ou seja, não se espalham. Na teimosia em não querer reconhecer um outro campo anterior ao da luz, pelo qual esta é produzida e onde a realidade física é criada pela atualidade psíquica, físicos com os quais tenho tentado dialogar simplesmente entortam-se e viram-se para outro lado. Ainda ativo na Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia, anos atrás, partindo do átomo de Bohr (átomos comparáveis ao sistema solar), cheguei a escrever um livro sob essa influência (Humanidade, uma Colônia no Corpo de Deus, Edições Melhoramentos. São Paulo.1981), no qual propús um conceito de "quase matéria", mas logo depois fui mais além, vendo que, na estrutura cósmica, o que se compara com o átomo é a galáxia e não o sistema solar. Bohr não ousara tanto. Os átomos são vistos paradinhos na estrutura molecular, como o sistema solar parece paradinho dentro da galáxia, enquanto esta, com a proposta do Big Bang, afasta-se das demais. Para mim, ao contrário, isso já parecia ser a prova de que galáxias são "átomos" de um corpo vivo, que cresce, sendo este o motivo porque se afastam uma das outras.

No átomo de Bohr, os eletrons são planetas em órbitas fixas. Mas quando se aquece um gás, verifica-se que os elétrons saltam de uma órbita para outra, por causa de um "quanta" que os faz proceder desse modo. No meu átomo, os elétrons são estrelas em volta de um buraco negro que as obrigam a saltar de uma órbita para outra, atraindo-as pra o centro da galáxia. É exatamente isso o que diz a teoria quântica, com o chamado "Salto Quântico", de Bohr. O que se precisa é apenas ver que há um nível físico, da realidade material e energética do macrocosmo, no mesmo espaço de um nível psíquico, da atualidade do pensamento, no microcosmo. O que os físicos insistem em chamar de "Mecânica Quântica", quando as partículas se comportam como ondas, não é mecânica, mas algo parecido com probabilidade, isto é, matemática. Einstein disse que "Deus não joga dados" porque ele não conhecia Deus. Seu sucessor, Stephen Hawking, limita-se a dizer que Deus não existe, pensando nele como um ser que comanda um barco e ouve a oração dos tripulantes e passageiros, numa tempestade no mar. Einstein morreeu sem resolver o problema das "partículas entrelaçadas". Hoje se diz que esse entrelaçamento é real e parece ser "uma ação fantasmagórica", ou seja, uma comunicação entre as partículas, "em velocidade maior que a da luz".

A Física está buscando, portanto, o teletransporte, destruindo uma partícula em um lugar e reconstruindo-a em outro, sem passar pelas posições intermediárias. Isto é Psíquica, fora do campo onde as velocidades obedecem às leis da matéria e da energia, mas no campo onde a consciência sai de um lugar para outro, sem percorrer a distância entre eles, que pode tender para o infinito enquanto o tempo tende para zero. Em outras palavras. O bit quântico pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, sendo "zero" em um lugar e "um" ao mesmo tempo em lugar diferente. A incerteza quântica, assim, explica-se pela velocidade do pensamento. A consciência é universal e está em todos os lugares ao mesmo tempo. É uma atualidade. Isto é Psíquica. É o lugar do nível quântico, repito, onde as leis são diferentes das que comandam a matéria e a energia.

Adinoel Motta Maia
 


sexta-feira, 17 de maio de 2013

SEREMOS COMO DEUSES


Crônica científica

Sim, sem dúvida, somos todos animais, porque temos movimento (anima). Daí se dizer que temos alma (anima). E se dizer que este anima entra no corpo quando nascemos e sai do corpo quando morremos. De fato, antes de se cortar nosso cordão umbilical, dependemos das forças e comandos de nossa mãe, para tudo. Por outro lado, na outra ponta, não se sabe de qualquer cadáver que se mova. Prova-se cientificamente, assim, que a alma entra no corpo quando se corta o cordão umbilical, aspirando-se o ar pela primeira vez; e que sai do corpo com a última expiração. Seja o que for - evidentemente - a alma depende do ar que respiramos, do oxigênio deste, que contém algum tipo de força que produz trabalho (energia) e assim nos permite mover a nós e  outros corpos. Os antigos místicos já sabiam que essa força vital vem do Sol e se espalha pela atmosfera, chegando também aos vegetais, que embora fixados ao solo, têm vida e movimento (anima) em suas células, daí precisarem também do Sol, para se ter a fotossíntese. Quem descobriu isso parece ter sido um egípcio, daí surgindo a idéia do Sol como deus (Ra, para uns; Aton, para outros) que nos dá a vida e naturalmente, é visto no céu. É daí que vem a idéia de que Deus e os deuses estão no céu.

Nós, os animais, evoluindo dos mais primitivos, como os insetos, com alma mas ainda sem intelecto, chegamos ao homem, este sim, intelectual, porque dispõe de um cérebro onde o sistema nervoso promove uma capacidade de memória e ações de processamento de dados nela contidos. Por isso, se diz que o homem tem inteligência. Somos todos iguais? Não. Ao contrário, não há dois homens iguais em todo o nosso planeta. De passagem, temos de dizer que devemos lutar para que todos os homens tenham os mesmos direitos e sejam igualmente respeitados, mas efetivmente, não há dois homens iguais, porque não há dois de nós com a mesma capacidade de memória e a mesma velocidade de processamento, no cérebro. Apesar de nascermos com quase a mesma quantidade de neurônios - alguns trilhões - essas células nervosas podem se reproduzir - agora isso já está provado - e o farão na medida em que isso seja necessário. Só depende de cada indivíduo encher o seu cérebro com conhecimento e promover essa reprodução celular, de modo que os ignorantes são evidentemente muito diferentes dos cientistas, mas a boa notícia é que só é ignornte quem quer, quem faz o menor esforço, quem não nasce num lar de pessoas educadas. Por isso, cabe ao governo dar educação e até obrigar a todos não só frequentar a escola, mas obter bom rendimento nela. Dar esmola - seja esta uma moeda ou uma casa - sem exigir em troca que o indivíduo se eduque, é um crime contra o cidadão. É apenas compra de voto, mascarando a democracia, mantendo o povo como um rebanho que apenas vive, constituido por animais com pouco ou nenhum uso do intelecto que está no seu cérebro, suficiente apenas para colocar um voto na urna, obedecendo a estímulos ilusórios.

Vamos fazer ciência? Então vamos dar conhecimento novo a todos os que nada sabem e em sequência, vamos aumentar sua capacidde de memória e a velocidade de processamento dos seus dados, para que, já dispondo de inteligência, sendo intelectuais, adquiram capacidade e velocidade extremas, tornando-se sapienciais, isto é, dotados de sapiência, o conhecimento dos deuses (vejam esta palavra no dicionário). Só se faz isso, praticando. Cada indivíduo é livre para se informar cada vez mais, adquirindo novos conhecimentos e com isso enchendo sua memória e promovendo o relacionamento desses dados cada vez mais em velocidades maiores. O bom disso, é que só dependemos de nós mesmos, individualmente, porque a evolução é individual. Um grupo só evolui quando seus individuos evoluem separadamente. Este tipo de informação costuma ser contestada por quem domina politicamente os povos, inclusive dentro das universidades, com o único objetivo de manter o poder dos pastores sobre seus rebanhos, feitos de animais ignorantes, sejam ovelhas ou homens.

Adinoel Motta Maia