sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A BTS E O GOLFO DA BAHIA


Crônica científica

Alguém pode estranhar a ocorrência de uma missa a encerrar um evento científico, porque há um preconceito de que não se mistura Ciência com Religião, isto é, Razão e Fé. Preconceito, sim, porque se faz um conceito sem examinar cientificamente - esgotando todas as abordagens possíveis - o que se entende por Fé ou Religião. Diga-se que a culpa disso é apenas dos religiosos que preferem impor suas afirmações sem submetê-las à investigação científica, mas, por outro lado, há uma postura dos cientistas em menosprezar a paixão como algo totalmente fora do escopo da investigação objetiva dos laboratórios, restringindo-a aos limites da subjetividade, isto é, das construções da mente. Este divórcio pré-estabelecido por conveniências, digamos, burocráticas, ao longo dos milênios de cristianismo e islamismo derivados do judaísmo é responsável pela recusa digamos puramente dogmática da ressurreição contínua do ego eterno - alma, para uns; espírito, para outros - em sucessivas ligações com diferentes corpos animais, em permanente evolução. Nesse contexto, observe-se que cresce bastante uma outra postura, de intelectuais independentes, de origem familiar cristã, na direção do ateísmo ou do chamado espiritismo não cristão, que tangencia religiões mais antigas, como o hinduísmo e o budismo, entre outras, onde se exercita uma prática experimental - científica, portanto - de projeção da mente objetiva (do cérebro), fora do corpo.

Estas palavras introdutórias se devem à realização de uma missa, hoje, dia de Todos os Santos, às 8 horas da manhã, na Igreja de São Pedro, no Largo da Piedade - com o competente sermão do Padre Aderbal - como tem ocorrido desde 2010, comemorando os 512 anos da descoberta da Baía de Todos os Santos, assim denominada pela expedição do português Gonçalo Coelho, com três naus - as duas outras com Gaspar de Lemos e Amerigo Vespucci, vinda de Portugal com missão exploratória desde o Rio Grande do Norte até onde terminassem as terras dessa costa que já sabemos irem até a Patagônia, no extremo sul da Argentina. Não há no Brasil uma popularização de "Todos os Santos", conforme instituídos pela Igreja Católica e festejados em países como Portugal e Itália, onde existem paróquias a eles dedicadas - o próprio Vespucci teria sido batizado numa delas, em Florença - nesta data de 1º de novembro, aquela em que a frota portuguesa aqui chegou, em 1501. Essa missa encerra a Semana da Baía de Todos os Santos, realizada anualmente pelo Gabinete Português de Leitura, com uma exposição e três palestras em sua sede, desde 2010, a partir de 26 de outubro. Um evento científico, como dissemos, que se encerra com um ritual religioso, católico, na paróquia de São Pedro, onde se situa a sede do Gabinete Português de Leitura.

Neste ano, a exposição foi realizada pelo geólogo Rubens Antônio da Silva Filho, dando notícias, já, de um trabalho que realiza com modelos reduzidos em três dimensões, reproduzindo o relevo de Salvador, sua geomorfologia. Atuando no Museu Geológico da Bahia, esse cientista experimenta esse modo para o aprendizado de pessoas com deficiência visual, que andam pela cidade e a vêm com os próprios pés, podendo agora senti-la na ponta dos seus dedos, percorrendo vales e colinas feitos em escala dupla - horizontal e vertical - assim "vendo" a cidade como se fosse em um mapa. Ainda em desenvolvimento, esse trabalho parece ser inédito e é científico, mas o seu alcance social o faz merecer todo o apoio, principalmente de divulgação, contra a cegueira dos que tratam os deficientes visuais apenas politicamente.  As três palestras realizadas - também científicas - foram programadas para mostrar como a geologia fez a geografia e nesta ocorreram os fatos históricos, particularmente os relacionados com os transportes, na Baía de Todos os Santos. A primeira delas, a cargo do Prof. Dr. José Maria Landim Dominguez, do Instituto de Geociências da UFBA, mostrou como surgiu e evoluiu a Baía de Todos os Santos, geologicamente. Referência nacional em sua área científica, o Prof. Landim encheu os olhos e os cérebros de um auditório lotado, que viu as imagens projetadas e ouviu suas palavras reveladoras de um passado de eventos assustadores que formaram a belíssima baía que pode ser a maior do mundo e não sabemos disso, nem a conhecemos, unicamente por preguiça crônica. Só é pobre quem quer...

Na segunda palestra, do geólogo Rubens Antônio, este deitou e rolou com o seu magnífico trabalho de reprodução em três dimensões da cidade de Salvador, projetando imagens desta com seus prédios e suas vias, mas logo desnudando-a, sem eles, como foram encontrados seus vales e colinas, apenas com a vegetação a revesti-los. Autor de um livro, que logo ganhará segunda edição, sobre a história da geologia na Bahia, esse cientista mostrou essa história que os baianos lamentavelmente não conhecem porque não querem. A terceira palestra, sob nossa responsabilidade, montou nesse palco geológico e geográfico da Baía de Todos os Santos, a história dos seus meios e vias de transporte, com ênfase na sua travessia e na contribuição para sua economia, desde os saveiros até o ferry-boat, desde os anos 50 do século passado, quando se começou a sofrer as pressões do poder econômico do petróleo e da indústria automobilística, desmontando a infraestrutura ferroviária e o transporte marítimo em benefício do automóvel. Mais que isso, no entanto, pudemos revelar, com base na ciência geológica confirmada pelos palestrantes anteriores, uma omissão dos geógrafos, que até hoje não descobriram o Golfo da Bahia, que temos em nosso litoral e que é formado pelas baías de Todos os Santos, de Cairu e de Camamu, num único conjunto geológico revelado nesta IV Semana da BTS e que não é outra coisa, se não um golfo. Estamos pedindo um congresso brasileiro que nos permita mostrar esta descoberta assim tardia e exibir para o mundo, nos mapas oficiais, sua presença na costa brasileira, oficializando-a. Sobre este assunto, remeto os interessados para o meu blog http://adinoel-blogart.blogspot.com, onde se encontra um primeiro artigo pequeno, mas completo, sobre essa descoberta.
 
Adinoel Motta Maia


sábado, 26 de outubro de 2013

IV SEMANA DA BTS


Notícia científica

Na manhã deste sábado, foi aberta, no Gabinete Português de Leitura, no Largo da Piedade, a IV Semana da Baía de Todos os Santos e nela, uma exposição de pequenos modelos reduzidos em três dimensões que mostram a geomorfologia da cidade de Salvador, da Baía de Todos os Santos e do Estado da Bahia, resultantes do estudo e do trabalho do geólogo Rubens Antônio, do Museu Geológico da Bahia. Essas peças estarão ali durante toda a próxima semana, no horário comercial, com acesso livre e gratuito, sendo permitido aos interessados tocar nos modelos, acompanhando com o tato, na ponta do dedo, as elevações e depressões, de modo que, por exemplo, poder-se-á ver e sentir o fundo do mar na baía, os vales dos rios na cidade e as cumeadas onde andam, vivem e trabalham os moradores dos diversos bairros.

Esse trabalho, ainda em desenvolvimento pelo referido geólogo, já pode ser mostrado num primeiro momento, de modo que tende a crescer com o tempo e ganhar escalas ampliadas, havendo estímulo e sustentação nesse sentido. É esta uma ação inovadora, que o Rubens Antônio explicará em uma palestra que acontecerá no mesmo local, na terça-feira, às 17 horas, também com acesso livre, discutindo questões como as modificações do relevo da cidade desde sua ocupação pelos portugueses no século XVI e pelos seus invasores holandeses no século XVII. Uma rara oportunidade para se discutir cientificamente essas ocupações e melhor compreender a distribuição comunitária nesse espaço.

No dia anterior, na segunda-feira, no mesmo local e horário, outro geólogo, o Prof. José Maria Landim Dominguez, do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia, falará sobre a geologia da Baía de Todos os Santos. Essa abordagem é fundamental para compreender a geografia da costa baiana nesse segmento e como esta influiu na história produzida pelos mesmos colonizadores e invasores. Não se pode compreender a História, sem conhecer a Geografia e nem se saber das causas formadoras desta sem o estudo da sua Geologia. Também esta é uma realidade a ser conhecida em rara oportunidade, devendo os interessados estar no local rigorosamente no início da palestra, às 17 horas.

Finalmente, na quarta-feira, estaremos também ali, no mesmo horário, mostrando como tudo isso contribui para um posicionamento da Baía de Todos os Santos no panorama mundial e de como esta, ao lado das baías de Cairu e Camamu formam o que devemos começar a chamar de Golfo da Bahia. Faremos, então, essa proposta com base científica, de modo que possamos ter um local de pesquisa, estudo e memória dos transportes não só nas baías propriamente ditas, como nas suas zonas de influência, isto é, nos municípios do seu recôncavo, servidos pelos rios que nelas desaguam.

Esperamos que com tais abordagens possamos estimular ações públicas e privadas no sentido de que elas sejam promovidas para o desenvolvimento turístico, social e econômico nesse complexo geográfico.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

FAVELA É VERGONHA


Crônica científica

Todos nós sabemos o que é uma favela, habitualmente formada pela invasão de terrenos baldios, públicos ou privados - estes abandonados ou tomados de assalto - por pessoas miseráveis que precisam de abrigo e o constroem de modo improvisado, com materiais disponíveis, sem qualquer cuidado estrutural e com nenhuma preocupação estética. Caprichosamente, não havendo oposição ou impedimento, nessa ação, esse abrigado vai melhorando a estrutura e o aspecto do seu chamado "barraco", que ganha alvenarias de tijolo cerâmico, teto de zinco ou cimento - telha ou laje - e esquadrias de madeira. Não raramente, sua ação é imitada e paulatinamente outros fazem junto daquele primeiro abrigo, outros casebres, sem qualquer planejamento do espaço circundante, com olhos fechados do poder público, interessado político em votos daquela gente que não deve ser contrariada, enquanto comerciantes de materiais de construção facilitam e até patrocinam a aquisição de tudo o que precisam esses construtores improvisados, não raramente financiando-os com "suaves prestações mensais".

Todos nós sabemos que o nome "favela" foi empregado com essa conotação, pela primeira vez, no Rio de Janeiro, espalhando-se por todo o Brasil, nessa prática que atesta sobretudo o abandono da coisa pública, ainda que em terreno privado, faltando o que se chamaria de "planejamento urbano", se existisse, dentro do que chamamos de "administração municipal" e ainda, se quisermos, de uma terceira entidade quase sempre ignorada, que é a "cidadania". Em outras palavras, essa omissão, tem um só nome: vergonha nacional. Mostra que não somos civilizados, porque aceitamos a prática selvagem de cada um fazer o que quer onde quer, como quer. Exatamente como procedem os animais, na floresta. Aceitamos o "animal urbano" como se isso fosse caridade. Na realidade é um "lavar as mãos", deixando o miserável ao sabor de sua ignorância e aprendendo com sua experiência, imitando o vizinho e buscando de alguma forma o dinheiro que o sustenta naquela estrutura absurda, como se fosse folclore.

Procuro hoje, uma abordagem científica - não passional, portanto - para o que já está gerando manchetes em outros países, na medida em que o Brasil vai atraindo atenção, seja porque a violência aqui está na vitrina em todo o mundo, seja porque vamos fazer uma competição mundial de futebol ou seja ainda porque a corrupção se mostra avassaladora na administração pública, em todos os níveis: municipal, estadual e federal. Evidentemente, escrevo para leitores racionais, intelectuais, capazes de encarar tudo sem os desvios da paixão, que pretende justificar a injustiça do tratamento equânime para os bandidos e suas vítimas, que dá direito às feras de comer os incautos. Como ocorre na floresta, isto é, no mundo animal, em ambiente vegetal, onde ninguém está preocupado com as causas dos fenômenos climáticos ou quaisquer outros, aceitando tudo como vontade divina.

A palavra mágica que muda tudo isso é planejamento. Houve época em que não se planejava nada no Brasil. Pouca gente sabe que o planejamento começou no mundo, entre os homens, em suas ações militares, nas batalhas que envolviam dezenas de milhares de soldados. Por isso, quando os militares assumiram o poder no Brasil, os políticos foram obrigados a fazer planejamento, a começar por se criar um Ministério do Planejamento. Hoje, tirando-se os militares do poder, temos dezenas de ministérios que planejam, mas não executam e ainda assim, falta planejamento. A maior causa de favelas no nosso país é a migração da agricultura para a indústria e consequentemente, do campo para as cidades e das pequenas para as grandes cidades, em volta das quais estão as fábricas. Os que procuram emprego nestas, não os encontrando, ficam por ali mesmo, fazendo barracos e criando favelas, que são politicamente chamadas de comunidades, com seus líderes, que levam votos para... (vamos ficar por aqui). Já temos mais partidos políticos no Brasil do que clubes de futebol no campeonato brasileiro. Enquanto isso nossas grandes cidades vão ficando maiores e as pequenas cidades do Interior vão sumindo, até que tudo vire um deserto. Somos uma só anedota, para o riso internacional, nos lugares civilizados.

Em síntese, precisamos deslocar a Capital do Estado - cada Estado - para pequenas cidades do interior, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, levando para outras cidades pequenas, a população que está nas grandes cidades. Como se faz isso? Com planejamento e leis que sejam cumpridas. É preciso não confundir: o direito de ir e vir não significa o direito de ficar onde não há lugar. Não se pode entrar e ficar numa sala de cinema, quando ela já está lotada. Por que se pode entrar e ficar numa cidade, quando ela já está lotada? Porque não se faz ciência, não se faz estatística ou se faz apenas para publicar em jornal. A política não deve ser conduzida com paixão partidária. Não se governa um país como se faz um campeonato de futebol. Os políticos não apoiam a ciência porque não a querem. Querem a bagunça. Querem o caos. Como os micróbios, é nele que sobrevivem...

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

AMAR AO PRÓXIMO


Crônica científica

Nada desperta mais interesse no ser humano, do que outro ser humano. O outro. O próximo, que se ama como a si mesmo. O que chamamos de "amor" nada mais é do que a atração universal que um exerce sobre o outro. Isto vale para as estrelas e os planetas, como vale para nós, como vale para os átomos entre si e neles, para prótons e elétrons; também para estruturas de consciência mais velozes que a luz e finalmente, na base de tudo, para consciências pontuais - "existo aqui e agora" - que ocupam posição no espaço infinito - o "Nada" - atraídas por essa força universal que as une e as coloca tão próximas, que, se estivessem mais próximas seriam elas mesmas, separadas por intervalo tão pequeno que se fosse menor não existiria, no universo que o matemático e filósofo alemão Leibniz disse ser o dos entes infinitesimais. Por isso, estamos tão interessados em nossos familiares, em nossos vizinhos, em nossos amigos, em outros seres humanos, assim como em gatos e cachorros, e daí por diante. Por isso as novelas de televisão exploram o relacionamento entre as pessoas e os homens sofrem pelos seus times de futebol ou pelos que morrem na guerra e nas catástrofes naturais. Porque amamos aos outros, como a nós mesmos e não há quem impeça isso, mesmo quando se odeia por ter um interesse próprio contrariado por esse outro, justamente porque aumenta sua velocidade e se afasta, deixando de ser "o próximo". Como um planeta sairia de órbita, em volta de sua estrela, se aumentasse sua velocidade de translação. Tudo isso está na Física, mas igualmente na Psíquica e é a base da construção do Universo e da própria Consciência de Deus.

Aí, alguém diz: "Eu não odeio o outro porque estou em alta velocidade, em volta dele!" Em seguida, pode vir a explicação: "Eu odeio meu vizinho porque não me deixa dormir com o som que ele põe em alto volume, em sua casa!" Em verdade, podemos ter duas pessoas paradas, sentadas, uma em frente à outra, olhando-se e trocando faíscas de ódio, que é a força de repulsão, contrária à força de atração, que é amor. O que temos de ver com toda a clareza é que, neste caso, não são os dois corpos físicos, assim tão próximos e parados, que se odeiam, que se repelem. Se colocamos os dois a dormir, ali, um em frente ao outro, não haverá ódio. O amor, como o ódio - a atração, como a repulsão - são forças psíquicas, que só existem quando há consciência, que pode estar parada e pode mover-se. Quando dormimos, nossa consciência está parada. Há quem acorde lerdo, recusando-se a pensar, pensando apenas em sair da cama ou em ficar mais um pouquinho sob as cobertas, porque está muito frio fora delas, assim mantendo-se psiquicamente quase parado, sem preocupações, sem agenda a cumprir porque é domingo e sem pressão externa a obriga-lo a pensar. Essa pessoa está psiquicamente em baixa velocidade, rigorosamente atraída a manter-se na cama, mas podendo levantar-se, vestir sua bermuda e calçar seu tênis, pulando para fora de casa a correr no seu exercício matinal cotidiano, mantendo-se psiquicamente em baixa velocidade, acenando para os vizinhos, olhando a paisagem e pensando apenas em sua respiração. Nessa pessoa, só há amor, atração. Pode estar fisicamente em alta velocidade, mas psiquicamente parada ou quase parada.

Numa outra situação, há quem acorde excitado porque foi dormir tarde, o caminhão que recolhe o lixo ficou dez minutos em frente à sua casa fazendo barulho às 3 horas da madrugada e sendo domingo, o vizinho o acordou às 7 horas, com um som alto a executar o hino do Bahia, por exemplo. Essa pessoa rolará lentamente na cama, insistindo em dormir, mas o seu cérebro - a sua consciência - estará a mil quilômetros por segundo, lamentando tudo, odiando todos ao mesmo tempo, assim psiquicamente em alta velocidade, apesar de estar fisicamente parado, deitado. O sofrimento, a paixão, é um estado psíquico de alta velocidade, num cérebro que pode estar em um corpo parado ou em movimento. Isto compreendido, podemos aceitar duas pessoas paradas a se odiarem, olhando uma para a outra, cada uma com a própria consciência explodindo de tanto pensamento em altíssima velocidade, querendo sair de órbita, em repulsão. Evidentemente - aproveitemos para dizer - não são apenas os seres humanos ou animais, que têm consciência de sua posição e do seu movimento.

Também, não são apenas os corpos físicos que reagem à ação do outro, como a pedra reage ao ácido que a corrói, porque tem consciência do ataque que sofre. As reações químicas são frutos da consciência que um elemento químico tem do contato com o outro. A dificuldade que o homem tem em frente a esse tipo de informação se deve à sua "crença" científica de que só há consciência no cérebro. Quando o homem compreender que a consciência é universal e se encontra num simples ponto geométrico, sem dimensão, mas com posição própria no espaço infinito, não mais precisará de religião ou de qualquer "crença", porque saberá tudo, inclusive que sua própria consciência é eterna e tanto maior, quanto mais conhecimento tiver. Além da Física, limitada à velocidade da luz, é necessário conhecer a Psíquica, porque o pensamento é mais veloz que esta e pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Tudo isto está em nossa Teoria Unificada do Universo, já publicada desde 2007 e disponível gratuitamente no Google.

Adinoel Motta Maia



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CIÊNCIA E DESPORTO


Crônica científica

Primeiros dias de primavera, vejo agora da minha janela, nesta linda manhã de céu alvi-azul. a juventude colorida do colégio estadual Manoel Novais nas ruas, desta vez não para fazer os necessários e justos protestos que são parte do jogo político formador da cidadania, mas justamente para saudar sonora e visualmente a Primavera, a partir da data do equinócio que nos leva para a parte do ano em que o Sol - criador da vida - é mais atuante em nosso habitat. Isto nos leva a dias da nossa juventude, nos anos em que a Primavera era recebida com os jogos olímpicos intercolegiais, abertos com grandioso desfile no Estádio Octávio Mangabeira, na Fonte Nova e realizados amplamente nas semanas seguintes, com jovens de todos os colégios em campos, quadras, pistas e arquibancadas cheias e vibrantes. Sabia-se, então, que o desporto dignifica o homem na prática do fair-play e sobretudo cria líderes sadios para todos os setores da vida, na política, na administração pública e na atividade empresarial. Quando iremos recuperar a sanidade mental e física de um desgoverno que abandonou tudo isso?

Hoje, para começar este discurso, temos de lamentar a ação danosa, que destruiu todas as instalações olímpicas do complexo desportivo da Fonte Nova, onde tínhamos um ginásio de modalidades praticadas por equipes - voleibol, basquetebol, futebol de salão, etc. - além de uma piscina olímpica e uma pista de atletismo em torno do campo de futebol. Abandonou-se essas instalações e tais modalidades desportivas e depois destruiu-se tudo isso para fazer uma arena para eventos de interesses econômicos - o futebol profissional e os espetáculos de música popular - cometendo-se um erro digno de muares: a retirada do nome de um dos maiores homens que a Bahia preserva - Octávio Mangabeira - para colocar o de uma cerveja, num estádio que, assim, virou circo e recebeu nome adequado a quem perde a consciência com o álcool. Consciência que, de fato, está faltando a governantes que valorizam mais  bebida alcoólica do que a atividade física, em nosso Brasil. Assim, paradoxalmente, quando o País se mete a realizar jogos olímpicos mundiais, a Bahia fica sem onde praticar o desporto olímpico. Hoje, em toda a cidade de Salvador, não há uma única piscina olímpica.

Não é só o Desporto baiano que está de luto. No outro lado da moeda, a Ciência é simplesmente esquecida. Naquela época em que se tinha as olimpíadas da primavera, nós usávamos as páginas do Jornal da Bahia para promover a  fundação de clubes de ciência e encher o auditório daquele jornal com jovens interessados em astronomia, arqueologia e até - imaginem! - malacologia, que não direi o que é para obrigar os leitores a irem ao dicionário. Não por pirraça, mas para mostrar que os jovens respondiam aos estímulos científicos até em áreas jamais divulgadas anteriormente. Também isso se perdeu. Nossa juventude foi jogada às feras, isso é, ao marketing das empresas cervejeiras e das indústrias de objetos de consumo, que dominam as atividades sociais como o carnaval e outras festas, colocando as pessoas a se dedicarem às suas capacidades animais - de movimento (anima) - e escondendo suas potencialidades intelectuais - da mente (intellectu).

Lamento trazer uma visão negativa para a espécie humana, digna de ficção científica hoje, mas provavelmente sem ficção no futuro. Ao invés de forçar o desenvolvimento de nosso cérebro biológico para uma evolução que aumente esse cérebro, unicamente por conforto, estamos transferindo nossas atividades mentais para a máquina dotada de cérebro eletrônico. Chegará o dia, assim, em que essa máquina se reproduzirá por fabricação determinada por ela própria, sem as limitações da vida biológica, podendo espalhar-se por todo o sistema solar. Quando isso for possível, ninguém duvide - pasmem, todos! - os seres biológicos serão inferiores e os egos sapienciais, que hoje já se ligam a cérebros neurais em seres humanos, poderão ligar-se a cérebros eletrônicos em robôs. Os sapienciais nos tratarão, no futuro, como nós, intelectuais, tratamos hoje os animais. A boa notícia é que os intelectuais de hoje poderão ser os sapienciais do futuro, porque, em verdade, nós somos eternos em nossos egos externos. É o que diz a Psíquica.

Adinoel Motta Maia


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

RELIGIÃO E CIÊNCIA


Crônica científica
 
Amanhecemos hoje com uma notícia vinda da Suécia, onde nesta madrugada se anunciou para o mundo, que já não há dúvida: até o fim deste século, o mar subirá 82 centímetros, se nada for feito para interromper o modus vivendi da humanidade, que tudo quer ter e fazer, sem sacrificar nenhum desejo, nenhuma paixão, nenhum interesse pessoal. Cada um de nós tem seu próprio ego neural instalado no cérebro, com respectivo nome de batismo. O que se recusa é o fato de que o egoísmo é tanto maior quão menos evoluído é esse ego, no cérebro, comandado por um ego externo e eterno que também evolui em função de suas experiências em ligações sucessivas - vidas - com egos neurais. O aumento populacional dos homens na Terra, na velocidade em que ocorre, não dá tempo para que os novos egos que surgem nesses novos homens sejam já suficientemente evoluídos para que compreendam mais do que sua própria existência e assim, muito menos, a existência e necessidades do próprio planeta em que vivem. A grande maioria da população humana não está capacitada, portanto, a decidir sobre o seu próprio destino, mas justamente essa ignorância a capacita a destruir suas estruturas sociais e individuais. Infelizmente, é essa ignorância que leva essa maioria a recusar esta informação. Vamos ver a seguir como esse processo começou, isto é, como surgiu e evoluiu a ciência que nos permite prever o destino da humanidade e das suas cidades.
 
Na Antiguidade, a ciência era conhecida como mágica. O mágico (ou mago) foi penetrando cada vez mais no estudo da Natureza e descobrindo suas leis. Passou a ser chamado místico. Na Idade Média, este era chamado de alquimista. A alquimia era a base intelectual do que passaria a ser a Química. Paralelamente, dentro ou fora da alquimia, tinha gente associando os fenômenos da Natureza à matemática, explicando-os através de equações, fórmulas e leis. O maior de todos esses alquimistas, hoje reconhecido como o primeiro grande físico, chamava-se Isaac Newton. Com o objetivo de encontrar um grande nome para a fundação da Física, enquanto ciência, as universidades e seus pesquisadores se esqueceram de dizer que ele era um grande místico e também investigava os mistérios até hoje não discutidos pela academia científica, porque estariam no escopo da religião.

Acontece que a religião também se encheu de preconceitos e não aceita a ciência física em suas limitações, ditas materialistas, aí se incluindo a energia, que não é matéria. O divórcio estava estabelecido e o místico continuou existindo como um indivíduo que visita a religião e a ciência, misturando-as à sua conveniência, para explicar os fenômenos da matéria e do espírito que é apenas a força que liga posições de consciência e forma estruturas evolutivamente mais complexas até se manifestarem como matéria. As antigas sociedades místicas tornaram-se secretas, ditas ocultas, para proteger seus membros de perseguições e seus conhecimentos de revelações que poderiam levar perigo a quem os utilizasse irresponsavelmente. Nesse contexto, cada qual foi para o seu lado, com mútuas acusações de usar caminhos errados para chegar a lugares pretendidos. Vivemos, hoje, no entanto, uma nova era de descobertas científicas que muito se aproximam dos milagres religiosos e assim, nitidamente, a Ciência disputa as mentes mais brilhantes, enquanto a Religião conforma-se com um papel social de apascentar ovelhas ignorantes, necessitadas de caridade material e espiritual.

Evidentemente, a Ciência acoplou-se ao poder econômico que financia a inovação tecnológica e a produção de bens móveis e imóveis, enquanto a Religião vive dos dízimos pagos pelos fiéis como contribuição para Deus. A ignorância os leva a crer que Deus precisa de dinheiro para aumentar os seus rebanhos e coloca-los em grandes templos da Fé, onde operam os pastores/sacerdotes que precisam comer, dormir e viajar. Nessa proposta, contudo, de igrejas que pretendem ser universais, surgem igrejas particulares, isto é, pertencentes a pastores que ficam com todo o dinheiro arrecadado para utilização com livre arbítrio, alguns deles milionários. No outro polo - da Ciência - ocorre o mesmo, formando-se empresas e conglomerados destas para o enriquecimento apenas de suas diretorias e quando muito, também de seus maiores acionistas. Concorrentes entre si, elas utilizam o vale-tudo publicitário para valorizar seus produtos, de modo, por exemplo, que cada seita religiosa tem seu próprio Deus, como se fosse possível haver mais de um Deus num único Universo, cada um com suas regras de vida na Terra, suas estruturas post mortem e suas propostas para a salvação e/ou ressurreição. Nenhum é capaz de mostrar aos concorrentes que estes estão errados, porque nenhum Deus assim criado e imposto tem poder para isso. Como as ovelhas são animais ignorantes, vão aceitando tudo o que seus pastores dizem, para o prometido bem delas. Enquanto isso, o "Paraíso da Ciência" que promove a Tecnologia e a Economia abre a porta para acionistas minoritários, isto é, indivíduos que confiam em outro tipo de pastor: o corretor de ações, que são disputadas nas bolsas de valores.

A crise mundial que vivemos neste início do "Terceiro Milênio da Era Cristã" atinge todo o planeta, numa encruzilhada da qual não se sai sem grande risco de derrota, isto é, de erro no caminho escolhido. Um fenômeno cada vez mais visível é o da humanidade a se comportar em grupo como animais e individualmente como intelectuais, separadamente. Os animais são os homens que apenas se movimentam em trabalhos braçais, desportos e danças, minimizando o uso do cérebro; os intelectuais são os que desprezam as atividades físicas, minimizando-as ao próprio deslocamento, dedicando tempo integral aos computadores, às artes e à ciência. Evidentemente, há uma graduação contínua na evolução da animalidade para a intelectualidade, quer geneticamente, quer no acúmulo de experiências e respectivos dados em memórias e processamento compatíveis com as estruturas de consciência que se sucedem, vida após vida, até tais estruturas serem salvas em arquivos que se eternizam, apondo novas características físicas exigidas pela necessidade de novas funções psíquicas, gerando novas espécies compatíveis com os ambientes planetários dos diversos sistemas estelares.

Temos assim uma proposta digna da melhor ficção científica para o desenvolvimento qualitativo da existência presente e futura do ser humano, a partir da desistência do sectarismo, em busca de uma postura científica sem os limites da matéria, visitando a energia e superando-a em direção a estruturas de consciência meramente psíquicas, sapienciais, capazes de avançar no espaço em velocidades superiores à da luz. Dizer que tudo isso já está à nossa disposição, a depender do nosso nível de racionalidade, pode ser mal recebido por quem ainda não domina níveis de informação elevados, donde se conclui que o esforço individual é necessário ao desenvolvimento do processo evolutivo que atua no animal, aumentando sua inteligência e levando-o à sapiência. A boa notícia, afinal, é que cada um de nós, seja qual for sua posição evolutiva, deve reconhecer o degrau em que está na escada do seu crescimento intelectual e usar o cérebro que tem - mais do que os músculos e os órgãos genitais - par subir com paciência, degrau após degrau, em busca de uma posição mais elevada e uma paisagem mais completa do mundo que o cerca. É nisso e somente nisso que está a salvação.
 
Adinoel Motta Maia

 
PARA MAIS INFORMAÇÃO SOBRE A FÍSICA E A PSÍQUICA, LEIA-SE GRATUITAMENTE NO GOOGLE A "TEORIA UNIFICADA DO UNIVERSO" E O ROMANCE A CRUZ DOS MARES DO MUNDO, NAS LIVRARIAS OU PELO SITE WWW.LOJASINGULAR.COM.BR
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

CIÊNCIA E POVO


Crônica científica

Na segunda-feira passada, a Academia de Ciências da Bahia apresentou resultados de uma pesquisa encomendada à Datafolha para saber o que pensam os soteropolitanos sobre Ciência e Tecnologia. As pessoas que lotaram o pequeno auditório da Fapesb - a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Bahia - não se mostraram surpreendidas com os dados projetados no telão, porque é evidente o desinteresse da massa da população baiana e particularmente da soteropolitana, pela informação científica e ainda mais pela tecnológica. Tentando resumir em um único número genérico esse interesse, com base nessa pesquisa muito ampla e detalhada, arriscaríamos dizer que apenas sete por cento de nossa população tem alguma vontade de saber alguma coisa - pouca ou muita - nessa área. Ainda assim, devemos considerar que esse interesse detectado inclui temas mais populares, como os da saúde, da alimentação e da reprodução. É evidente que o universo dos dados obtidos está distribuído em inúmeras possibilidades de abordagem e já foi dito naquela reunião, que a Academia de Ciências da Bahia se debruçará sobre os resultados apresentados para chegar a um diagnóstico e um tratamento adequados à situação, que é de doença da nossa sociedade, onde fatores sociais, políticos e econômicos - inclusive religiosos - contribuem para a manutenção da ignorância. Quanto mais ignorante é um povo, mais facilmente pode ser enganado e dominado.

Por outro lado, na abordagem da Ciência, é muito larga a faixa de interesses, com a tendência de se incluir tudo no rol das ciências. Por exemplo, aquilo que se refere à vida urbana, como a habitação e o transporte, pode ser inserido na Geografia enquanto ciência. Qualquer coisa que permita uma abordagem estatística pode ser inserida no contexto científico. Uma simples pesquisa de mercado é passível de análise que contribua com uma proposta científica. Antes de tudo, portanto, é necessário traçar as fronteiras da área que se quer estudar e explorar. A ciência pode ser pura ou aplicada. À ciência aplicada, costuma-se chamar de tecnologia. Uma coisa é estudar o corpo humano fisicamente (Antropologia Física) e outra é fazê-lo no conjunto da sociedade à qual ele pertence (Antropologia Social). Aquela serve, por exemplo, à Medicina, enquanto esta, à Política. As fronteiras se elastecem e não raramente promove-se superposições com interesses os mais variados, desde o de obter inclusão de um texto numa publicação "científica" até o de candidatar-se a uma verba restrita a pesquisa "científica".

Quando se forjou o termo "Ciência & Tecnologia", procurou-se resolver esse problema de uma vez por todas. Considera-se "Ciência", o conjunto dos processamentos de dados que conduzem ao conhecimento em geral e aos métodos de pesquisa do conhecimento novo. À aplicação disso, chama-se "Tecnologia". Por vontade política e interesses econômicos, as verbas públicas e privadas estão sendo orientadas quase exclusivamente para a Tecnologia e mesmo nesta, para a busca de novas patentes de produto e de processo, às quais se dá o nome de Inovação. Está na moda promover a inovação. Vivemos, assim, a civilização da corrida pelo novo. Assim, não adianta gostar de valsa, porque só se vai ouvir rock ou funk. Se a sociedade não gosta de funk, não tem importância. Faz-se uma campanha publicitária mundial, invade-se a mídia com anúncios que a sustentam e obtém-se boa crítica e muito espaço para condicionar a sociedade a consumir essa inovação. Estamos usando um exemplo artístico para nosso assunto científico, porque fica mais fácil abordar essa questão com o que todos os leitores conhecem. Aplicando esse raciocínio ao tema científico, poderíamos falar de uma "nova" substância descoberta ou inventada em laboratório para atender uma necessidade de consumo fabricada pelo marketing de empresas que vivem de inovação.

Enquanto isso, todo o universo científico que não gera lucro para ninguém, mas apenas despesa a fundo perdido, com o objetivo de ampliar as fronteiras do conhecimento, fica abandonado e a sociedade sequer é motivada a saber da sua existência. Por exemplo: havia uma publicação periódica que nos dava o mapa do céu a cada mês e os comentários correspondentes às ocorrências que se poderia observar no período. Essa revista deixou de ser publicada no Brasil porque não havia público suficiente para sustenta-la. A falta de informação adequada nas escolas brasileiras, que promovem atividades lúdicas artísticas e nenhuma atividade lúdica científica - como a astronomia, por exemplo - provoca essa deformação cultural lamentável. Hoje na presidência da Academia de Ciências da Bahia, o Prof. Dr. Roberto Santos, que nos honra como ex-reitor da Universidade Federal da Bahia e como ex-governador do Estado da Bahia, fez então o Museu de Ciência e Tecnologia que tivemos por alguns anos e foi propositadamente abandonado pelos governadores que o sucederam, até hoje. É este o melhor exemplo para o que acima foi dito e nos pede uma resposta à pergunta: A quem interessa uma mídia que só apoia a ciência que aumenta os lucros das empresas anunciantes?

Adinoel Motta Maia