sexta-feira, 5 de abril de 2013

ESPÍRITO DE CORPO


Crônica científica

As diversas instituições humanas, desde a mais simples comunidade agrícola até a mais complexa empresa ou repartição pública, precisam e dependem de um certo espírito de corpo, que deve haver entre seus membros - indivíduos - ativos, para que se tenha uma estrutura capaz de organizá-las e mantê-las cumprindo as funções para as quais foram criadas. Daí serem citadas, referidas, como corporações. Não raramente, contudo, esse espírito de corpo se acomoda no que pejorativamernte se conhece como "corporativismo", quando os membros de uma instituição fazem um pacto de proteção dos seus interesses pessoais, contra qualquer alteração institucional de desenvolvimento ou crescimento, ou ainda de inovação, que contrarie o status quo do grupo dominante, o tal corpo assim satisfeito e acomodado.

É óbvio que a inovação só ocorre quando se está em posição contrária à da acomodação, que promove apenas o elogio fácil aos que acrescentam o que já se sabe ao que está inventado, para os que não sabiam e não inventaram coisa alguma. Mera transferência de conhecimento disponível, em cursos e pesquisas autopófagas, mesmo quando se chega a dissertações e teses que nada mudam, além dos salários de quem com elas ganham títulos.

Assim vive nossa Ciência, com a proposta de descobrir novas folhas numa mesma árvore. Nessa estrutura, quando aparece alguém a pensar por conta própria e propor pesquisa num sentido oposto, por desconfiar que essa árvore está morrendo e é necessário passar para outra, o espírito de corpo se espanta e espanta o indivíduo logo considerado "espírito de porco", inicialmente com uma simples acusação de que "quer aparecer", seguindo-se a de que é ignorante ou sonhador. Não adianta esse indivíduo reconhecer que o espírito de corpo é necessário ao desenvolvimento da ciência, em busca de novas tecnologias, naquilo que já se sabe e precisa ser aprofundado e derivado. Não adianta pedir licença para mostrar que seu espírito de porco só é contra estruturas viciadas do corporativismo - a acomodação do espírito de corpo - porque este não pretende mudar posições confortáveis, assim nada se descobrindo de realmente novo ou se inventando.

Há um evidente retrato de falência na sociedade humana contemporânea, em todo o mundo. Alguma coisa, na estrutura política, social e/ou econômica está em confronto com a natureza imutável do planeta, que se sustenta em leis universais, ao que parece, ainda desconhecidas. Há uma insistência cabotina inclusive no meio acadêmico, de quem presume que sabe tudo e que recusa o que chama de "virada de mesa", quando surge uma proposta realmente inovadora de dar uma nova formatação ao mundo que parece já arrumadinho mas se mostra cada vez mais em crise, não apenas social, econômica ou política, mas também física, da própria estrutura do planeta.

Essa gente costuma acusar ofensivamente a quem apresenta novas propostas, considerando-as fora do escopo e da estrutura científicos, sequer aceitando examinar hipóteses. Sem estas, não há ciência. É com a teoria ainda não comprovada que se começa o processo de pesquisa justamente para ir buscar essas provas. Negar a hipótese, a teoria, é não dar estrada para quem quer andar na ciência. A proposta de cada um ao fazer o seu caminho é somente dele, que pode chegar a um maravilhoso lago com muitos peixes ou a um abismo sem fim, sendo opcional a outras pessoas acompanhá-lo ou não.
Só para dar um exemplo de onde podemos ir e não se vai porque se impede de darmos o passo inicial, imaginemos um formigueiro ao qual retorna uma formiga que percebeu sua companheira ser achatada por um sapato e relata o fato sem ter a menor suspeita do que era esse sapato. Do mesmo modo como sequer suspeitamos de que podemos estar na superfície de um planeta que gira em volta de uma estrela (um "elétron"), que gira em volta do núcleo de uma galáxia (um "átomo"), que se junta a outras galáxias para formar uma "molécula", numa "célula viva" de um "macróbio", isto é, um ser tão grande - um "universo" - quanto é pequeno um micróbio para nós.

Pensemos nisso, os "espíritos de porco" que não estão satisfeitos com o atual espírito de corpo que nos cerca, apenas exigindo o próximo salário no banco, enquanto não chega a aposentadoria. Tenho um livro publicado em 1981, onde lancei essa hipótese. Ainda não me apareceu um único cientista disposto a me acompanhar nessa caminhada, mas já vejo na televisão alguns comentários sobre o Universo tendendo a falar nesse caminho. Quem viver, verá...

Adinoel Motta Maia


sexta-feira, 29 de março de 2013

O SALVADOR, DOS JESUÍTAS


Crônica científica

Nesta sexta-feira, 29 de março, dita "Sexta-Feira Santa" ou "Sexta-Feira da Paixão", os cristãos em todo o mundo concentram-se na imagem de Jesus Crucificado, seja na cruz, seja no sepulcro, para, assim reforçarem sua Fé, que é sobretudo um instrumento de busca do conhecimento e de obtenção de resultados, não apenas no campo psíquico, mas igualmente no campo físico, energético-material. É obrigatório, neste ano de 2013, associar esta sexta-feira ao dia 29 de março, que, há 464 anos, foi o momento da chegada de Tomé de Sousa à Baía de Todos os Santos, onde desembarcou para fundar a Cidade do Salvador, que não é outro senão o próprio Jesus, com a notícia do Reino de Deus, o dos seres sapienciais que todos podemos ser, assim nos salvando da luta cotidiana em busca do conhecimento total por meios racionais, demorados, guiando-nos para obtê-lo instantaneamente por meio da revelação.

Jamais pensou, Jesus, que em torno do seu nome e da sua imagem, se construísse uma estrutura de ódio ao conhecimento, porque os animais pouco intelectuais daquela época valorizavam sobretudo os bens materiais e brigavam por palácios, templos e objetos, por estruturas de poder e por territórios cujos habitantes pagavam impostos, como ainda hoje ocorre. Esses animais pouco intelectuais levaram Jesus à cruz e depois criaram essa estrutura de ódio ao conhecimento, isto é, à luz, mantendo a figura arcaica do Paraíso como o lugar da ignorância animal, em cujo cenário domina a Árvore da Vida, sem a Árvore da Ciência, onde vive Lúcifer, o que nos dá a Luz, o que nos ilumina. Sem nada entender do que Jesus nos disse, esses animais pouco racionais o prenderam, torturaram e levaram à cruz, criando uma religião que priorizou o combate à Ciência, em benefício da Fé, sem suspeitar sequer que a Fé nada mais é do que a Razão em velocidade extrema, estruturada em todo o conhecimento da Memória Absoluta (ver a crônica da semana passada neste blog). Dois romanos, Saulo de Tarso - contemporâneo de Jesus - e Constantino - imperador quatro séculos depois - levaram a proposta de Jesus com as roupas de Mitra, o deus romano, aos povos pagãos - não conseguiram cooptar os judeus - para uma nova seita que punha Lúcifer como o símbolo do pecado, isto é, do que é proibido, nas suas propostas de poder.

Observando literalmente a proposta bíblica de ódio ao fruto da árvore da ciência, os detentores do poder sabiam que o conhecimento liberta os homens e assim professaram a prática de manter os homens ignorantes e consequentemente submissos, autênticos cordeiros que precisam dos pastores para comer e viver, sempre em rebanhos, matando-se as "ovelhas negras" que tentam ser indivíduos. Assim condenados a não evoluir - a evolução é individual - os homens em todas as igrejas (não só a cristã), assim como nos partidos políticos, viraram massa de manobra para os donos do mundo. A melhor maneira de mantê-los assim, desde o Império Romano, foi dar pão e circo a todos, isto é, prazeres gastronômicos e festas em estádios e palcos.  Ainda hoje esta fórmula é um sucesso. Estamos todos seduzidos pelos bares e restaurantes, pelos espetáculos musicais e pelos jogos nos estádios. Há quem gaste nesses lugares tudo o que ganham com o seu trabalho, anos a fio, por toda a vida.

Nasce agora um novo Sol, justamente na época em que Jesus disse que voltaria, não o homem que tinha esse nome, mas o ego sapiencial que se ligou a ele no nascimento e se ligará a outro, nesse retorno, dois mil anos depois. Um mar de humildade deve invadir a Igreja Católica, com a presença de Francisco no seu comando. Esperemos que essa humildade não tenha limites e a Igreja faça o que manda seus fiéis fazerem: confessar os erros cometidos durante séculos em que mandou para a fogueira quem ousava pensar por conta própria e cultivar a ciência, mantendo-se ainda na postura de condenar a Razão em benefício da Fé, como se estas fossem coisas diferentes. Ambas são necessárias ao conhecimento e à realização, dele consequente. O que as diferencia é apenas a capacidade de memória e a velocidade de processamento dos dados, podendo esta chegar a ser infinita, no caso do próprio Deus, que não é um ser a quem se pede perdão ou esmola, mas a Lei Universal, que nada perdoa ou dá, apenas exigindo cumprimento, em função do que cada um é punido ou premiado, no mais eficiente processo educacional que se conhece, para evoluir.

É justamente a velocidade da luz que separa os mundos da Fé e da Razão, isto é, da Atualidade Psíquica (velocidades decrescentes de valor infinito até 300 mil quilômetros por segundo, a da luz) e da Realidade Física (velocidades decrescentes de 300 mil quilômetros por segundo até zero). Quem quiser saber mais sobre isso, leia "Teoria Unificada do Universo" no Google e em seguida meus livros (ver em www.lojasingular.com.br). Assim, temos o privilégio de viver momentos significativos para a Humanidade, que está em perigo apenas relativo, porque o que se chama de Juizo Final nada mais é do que a avaliação cíclica que ocorre ao fim de cada era, quando a população aumenta perigosamente e é necessário devolver à animalidade física os que preferiram se manter na animalidade psíquica, promovendo ao paraíso sapiencial os intelectuais que aproveitaram suas vidas para evoluir. O que é proibido (o pecado) não é uma relação de atos e coisas que nos pune. Ao contrário, é uma relação de práticas, que, se obedecidas, nos impedem de evoluir de animal irracional para animal intelectual e deste para animal sapiencial. Podem todos estar certos de que já há muitos sapienciais na  Terra. Não apenas no Céu.

Nesta Páscoa, tentemos minimizar os prazeres gastronômicos e os das festas. Nosso papa atual não é apenas um cristão. É sobretudo um jesuita (que ama e pratica a ciência) e um franciscano (que vê nos animais a base da evolução da alma - que significa movimento - e do ego, também intelectual e finalmente sapiencial). Neste 29 de março, saudemos a nossa cidade do SALVADOR, banhada pela Baía de TODOS OS SANTOS. Pergunta que se faz necessária: nossa cidade tomou esse nome por ser fundada numa semana santa, em 1549? Era sexta-feira? Com Tomé de Sousa, vieram seis jesuítas, à frente dos quais, o padre Manuel da Nóbrega. Evidentemente, o Salvador que deu nome à cidade era o Jesus visto por jesuítas. Que este seja o viés da meditação que faremos hoje, sexta-feira, 29 de março de 2013, não apenas na Cidade do Salvador, da Bahia, do Brasil.

Adinoel Motta Maia













sexta-feira, 22 de março de 2013

A FÉ QUE MOVE MONTANHAS


Crônica científica

Assim como os pais punem seus filhos, para que não repitam seus erros e assim cresçam com autocrítica e responsabilidade, respeitando as leis e praticando sistema e ordem; a Mãe Natureza e Deus-Pai (a Lei Cósmica) punem os indivíduos que os desconhecem ou desobedecem, ainda que para isso sua ação atinja coletivamente culpados e inocentes, porque a ninguém é permitido compartilhar com quem está em omissão ou em erro. A isso se chama de Educação, que não é apenas estar sentado num banco escolar e ouvir sobre o que se escreveu em livros, para se obter o conhecimento necessário a se exercer uma profissão com o fim imediato de ganhar dinheiro. Isto seria apenas uma das aplicações do processo educativo, que começa por levar o indivíduo a conhecer a si próprio, psíquica e fisicamente.

Costuma-se dizer que a Educação atua em dois campos: o da Religião e o da Ciência. Assim, separados, promovem exclusividade ou maior ênfase para um deles, de modo a se dizer que a humanidade estaria dividida em dois blocos: o dos religiosos e seus seguidores e o dos cientistas e seus discípulos. Verifica-se que eles estão em conflito, neste momento da humanidade, porque se acredita que sejam contraditórios. Os agentes da Fé e da Razão optaram por opor-se, ao adotarem posturas e propostas excludentes. A postura da Fé, não dela própria, mas dos que adotam o seu método, é a de manter os homens na ignorância e acreditar que podem chegar a seus objetivos apenas com a proposta de pedir e conseguir. A postura da Razão, isto é, dos que a seguem, ao contrário, é a de lavrar o solo psíquico para obter os dados com a pesquisa e processá-los com o estudo, a análise, dos quais surge o conhecimento revelador, a Luz que ilumina e promove a evolução. A Fé deu o nome de Lúcifer para quem faz a Luz, isto é, para quem promove a Razão. Assim esse Lúcifer é o diabo contra o qual todos os religiosos são colocados.

Isto seria conclusivo, se não se considerasse um importante ingrediente na receita. Pode-se conseguir atingir objetivos de vida apenas com a Fé. O problema é que, para isso, é indispensável que o homem evolua em estrutura neural para se ampliar o número de neurônios no cérebro (capacidade de memória) e aumentar extremamente a velocidade de processamento de dados, nele, de modo que o processo racional, assim tão rápido, pareça ser instantâneo. Em outras palavras: a Fé nada mais é do que a Razão em velocidades instantâneas, de modo que a inteligência é substituída pela sapiência. É evidente que não é com a ignorância, que se chega a ela, mas, ao contrário, com o conhecimento absoluto.

A aparente contradição deste exercício mental está em se acreditar que uma pessoa ignorante, com Fé, pode obter tudo o que quer e precisa. A verdade, contudo, nunca é contraditória. Tomando a Igreja Católica como exemplo, podemos verificar que esta interfere no processo, oferecendo um intermediário aos fiéis ignorantes. Assim, ao mandar que esses fiéis peçam com fervor a um Santo, em verdade, está indicando um ser sapiencial, que já foi intelectual ao viver na Terra e passou para o "Reino de Deus", que é o lugar dos sapienciais (vejam a palavra "sapiência" no dicionário), para que ele seja intermediário do seu pedido, pois a Fé só realiza milagres, se o pedido é feito por quem processa informações naquela velocidade extrema.

É aí que entra a nossa colocação, de que nós, os animais intelectuais, em processo de evolução para nos tornarmos sapienciais, em quantas vidas sejam necessárias, fazendo ciência, possamos compreender como aqueles animais ainda de baixa intelectualidade - por isso ignorantes - podem obter resultados positivos com a Fé, usando seres sapienciais como intermediários. Essa fé humana não realiza o milagre, mas pode ser o meio de chegar ao sapiencial que o realiza. Não é fácil colocar isso num texto curto, de modo que, se houver alguma dúvida, sugiro reler tantas vezes esta crônica quantas sejam necessárias para que todas as palavras cumpram sua missão.

Adinoel Motta Maia
 
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sexta-feira, 15 de março de 2013

BUENOS AIRES DEL PAPA FRANCISCO


Crônica científica

Pode-se estudar científicmente a religião? É evidente, que sim.
É a religião, uma ciência? É evidente, que não.
Por que não? Porque se faz ciência com a razão, com a inteligência e se faz a religião com a fé, a sapiência.
Mas a sapiência é o degrau acima da inteligência, na evolução do ego.
E quem disse que a ciência já reconhece a sapiência?
Se o reconhecesse, evoluiria para a religião ou estamos sofismando?
Temos de ter cuidado, porque, para evitar o sofisma, podemos rigorosmente deixar de analisar cientificamente a religião.
Está confuso? Esta conclusão pode ser parte do sofisma.

Vamos contornar com outra questão.
Só há um Papa, mas neste momento, temos dois. Um que acaba de ser eleito e será logo empossado, com nome Francisco; e outro, com nome Bento XVI, que renunciou às suas atribuições, mas continua papa porque só se deixa de ser papa quando se morre. Pode-se fazer um sofisma com esta realidade. Cientificamente, temos dois papas. Religiosamente, temos um Papa Francisco e um Papa Emérito Bento XVI, como existem muitos cardeais em função cardinalícia e outro tanto de cardeias ditos eméritos. Assim como professores que estão em sala de aula e outros que se aposentam com honra e são eméritos.

O que ocorre, no entanto, é que há uma particularidade única na função papal: o papa é único porque escolhido por Deus, inspirando-se os cardeais a elegê-lo por orientação direta do Espírito Santo, de modo que se admite estar a maioria dos cardeais capacitada a ouvir a inspiração divina e a votar num cardeal que doa o resto de sua vida a essa missão. Isto é, assume a função até a morte, por determinação divina. Assim nenhum papa teme a morte.

Acontece que o Cardeal Joseph Ratzinger, quando estava a serviço do Papa João Paulo II, contribuiu com um dispositivo que alterou a Lei Divina e passou a permitir que o Papa se aposentasse, renunciando à missão conferida por Deus. Parece que estava advinhando ou sabendo que seria eleito Papa e assim abria uma porta de saída para não morrer como João Paulo II, fisiologicamente destruído. Agora se sabe que na sua eleição, oito anos atrás, o segundo colocado foi o cardeal argentino que agora, tendo ele renunciado, foi eleito Papa, tomando o nome de Francisco. Uma trama da Mãe Natureza, isto é, de Deus? Ou uma trama dos homens?
Este tipo de raciocínio também parece conduzir a um sofisma.
  
Quantas vezes, na história da inteligência, na Terra,  argumentos científicamente - matemáticamente - perfeitos foram considerados sofismas e jogados na lata do lixo?
Vale a pena mexer nisso? É claro que vale, que devemos fazer isso sempre, porque não deve haver sombras à frente do Sol. Se as há, alguma coisa está errada.

Recordemos. Após a morte de Paulo VI, foi eleito João Paulo I. Parecia-se com o agora eleito, Francisco, quer pelo seu sorriso amplo e constante, quer pela sua simplicidade e pelo que diz, com abertura e sincera reflexão. Um mês depois ele estava morto. O Vaticano não parece um lugar seguro. Há no seu bojo, interesses contrariados, lutas intensas. Depois de João XXIII, a Igreja voltou-se mais para os homens. A Sociologia tornou-se mais importante do que a Teologia e a Filosofia. Para concluir o Concílio Vaticano II, já há quem peça o Vaticano III. O Papa Francisco será um papa dos pobres, mas não precisa ser um papa dos ignorantes.

Francisco afasta sua segurança e confia num Deus que o olha e protege, mas não deve esquecer que Deus é a Lei e que a Lei não se muda. Não há oração ou fé que a modifique. O que é proibido, o que é pecado, perante a Lei, não tem perdão. Ainda que o juiz perdôe, a Lei não perdôa e cobra a punição eternamente, de quem pecou e de quem perdoou. Quem perdoa o que pecou, peca duas vezes. A Lei nunca é enganada e dela nada se esconde, porque ela se aplica automaticamente em tudo e em todos. Chama-se Consciência, que se encontra em Tudo, inclusive no Nada. É isto o que está escrito...

Bons ares, portanto, para a Igreja de Francisco. O Papa que veio de Buenos Aires e pode fazer o encontro da Fé com a Razão, da Religião com a Ciência, da Psíquica com a Física, porque, no princípio e no fim, tudo é consciência.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 8 de março de 2013

OS QUE PENSAM E OS QUE COMPRAM


Crônica científica

Não estamos aqui para cultivar apenas estilos e metáforas. O conhecimento revelado é parte intrínseca do texto relacionado com o tempo - crônica - de modo que falar em crônica científica é quase um pleonasmo. No jornalismo, por exemplo, a crônica é o texto preferencialmente leve que se publica diariamente numa única coluna. Este blog, qualquer blog, é mídia fora de jornal, que se torna necessária justamente por permitir ao cronista escrever sem as limitações impostas, seja de espaço, seja de conteúdo, até mesmo de pensamento, pelos interesses políticos, sociais e econômicos que direcionam a imprensa, o rádio ou a televisão para as necessidades dos anunciantes e/ou outros mantenedores.

Por exemplo, a moda agora é trabalhar para a chamada "Classe C", que está recebendo dinheiro do governo, isto é, dos contribuintes, todos nós, para comprar mais e assim manter a indústria e o comércio funcionando, remunerando dessa forma os empresários das chamadas "Classe A" e "Classe B", que pagam impostos ao governo, fazendo retornar a este o dinheiro que saiu para a "ajuda social".
Para que essas vendas ocorram, chovendo no quintal de alguma empresa, é necessário que esta faça propaganda de si própria e dos seus produtos ou serviços, na imprensa, no rádio e na televisão. O detalhe que não se quer divulgar, é que, para atingir a "Classe C", que tem peculiaridades culturais menos elaboradas - campo mais propício para as paixões do que para a razão - a mídia impressa e eletrônica está dando mais espaço para as notícias de violência, corrupção e outros temas "sensacionais", prejudicando a pauta "racional". Assim, o que se conhecia como "Editoria de CULTURA", nos jornais, agora se chama "Editoria de CURTURA". Textos culturais, assim, em princípio, são limitados a umas poucas linhas e devem chegar à redação, de preferência, prontos, através de jornalistas profissionais das assessorias de imprensa das instituições culturais. Os jornalistas da "redação", na imprensa, no rádio e na televisão, estão mobilizados para a cobertura das ocorrências que emocionam. Por que dar espaço a quem pensa? A mídia precisa de espaço para falar de quem rouba e quem mata. É isso que a "Classe C" quer ler, ouvir e ver.

Assim, a opção para as classes A e B é correr para os blogs, onde os que pensam estão escrevendo o que a mídia não publica. Por exemplo, ninguém vai encontrar em jornal ou revista alguma, que, antes de ser Papa, ainda como cardeal Angelo Roncali, a serviço da Igreja em Istambul, na Turquia, o Papa João XXIII fez profeciais sobre o futuro da Igreja Católica, traçando o perfil dos papas - inclusive ele próprio - que se seguiriam, até o Cisma na Igreja Católica e a guerra total na Humanidade. Neste momento, da renúncia inusitada de Bento XVI, é interessante ler a profecia que fala de um papa "bendito, bendito, bendito". Eis alguns trechos interessantes (a palavra Pai significa Papa, e a Mãe, Igreja):

* Serão os jovens a aclamar-te, novo Pai de uma Mãe que sorri.
* Dezesseis te conterão. Manterão altas as tuas mãos.
* Virgem Maria próxima. Virgem Maria que foi sacrificada. Em suas palavras encontrarás a estrada, bendito, bendito, bendito. Serás pai de todos.
* Tua será a viagem da coragem, o grande desafio ao mundo e ao imundo príncipe do mundo.
* E nunca retirarás a palavra dada.
* E te descalçarás, e caminharás com o santo descalço.
* Quando de Maria Santíssima divulgares a palavra, tua única ferida se fechará. A mãe da Igreja será Mãe do mundo. Anjo serás dito, bendito.

Deve-se ler nas entrelinhas e conhecer muito do que cerca os papas - a história deles - para compreender essas frases. Por exemplo, ao se dizer que um papa Bento (benedito, bendito) será descalço, quer-se dizer que será deposto ou renunciará, porque perde as sandálias do pescador Pedro, que só devem ser retiradas com a morte do Papa. A frase "caminharás com o santo descalço" pode referir-se ao fato de Bento XVI ser um estudioso e admirador de outro papa que renunciou, assim também descalço: Celestino V, que fundou a Ordem dos Celestinos, foi canonizado ("santo descalço", portanto) e teve sua renúncia contestada porque não caberia a homem algum interromper o exercício papal conferido pelo próprio Espírito Santo, representando Deus. Esta frase é uma prova científica de que essa profecia está correta, ainda que parcialmente. E as demais frases, entre outras não citadas aqui? A amostra acima é suficiente para se verificá-las cientificamente. Por exemplo: Joseph Ratzinger já retirou alguma vez a palavra dada? Voltará atrás, na sua renúncia, após a eleição de outro papa?

Adinoel Motta Maia


 
 

sexta-feira, 1 de março de 2013

O PAPA QUE FICOU SOZINHO


Crônica científica

O procedimento inusitado de Joseph Ratzinger, recolhendo-se ao convento, como um humilde monge, depois de viver oito anos no topo do mundo, no luxo dos palácios, no centro das atenções intelectuais, com o poder de um rei - para muitos, um deus - desperta sentimentos que variam da surpresa à incompreensão, na escala referencial dos seres humanos que precisam estar em grupos, sejam familiares, vicinais, políticos, profissionais, sociais, para sentirem a vida, na presença do outro.
Vencido o momento em que, após o surpreendente anúncio da renúncia ao cargo de Papa, ele simplesmente saiu do Vaticano e voou num helicóptero para um palácio na montanha, fechando-se o portão rigorosamente às 16 horas do dia 28 de fevereiro de 2013 - conforme programado - assim configurando-se o status de isolamento no qual se propôs viver doravante.

O procedimento de Joseph Ratzinger é uma prova científica da evolução do Ego. Os seres ditos animais primitivos como as colônias de insetos em que há uma "raínha" a comandar seus demais membros têm o único propósito de sustentá-la e fazê-la cumprir sua missão de procriar. A reprodução é o maior propósito da Natureza, porque é ela quem mantém a vida em corpos materiais movidos por energia proveniente do Sol, ditos animais. Essas colônias são estruturadas de modo que tais insetos não sobreviveriam isoladamente. Esses "egos" assim coletivos fazem suas experiências, sofrem e aprendem com elas, crescendo em racionalidade, isto é, em estruturas de consciência que promovem o aumento de sua própria complexidade psíquica a exigir maior complexidade física (genética) para a realização de novas funções por elas propostas. Não precisamos sugerir a comparação entre o ego de uma colônia de formigas e o do agora Papa Emérito Joseph Ratzinger, ex-Bento XVI.

Sem delongas, vamos aceitar que a evolução dos seres vivos ocorre no sentido da coletividade para a individualidade, de modo que devemos afirmar cientificamente - tais são as provas que o confirmam - ser o objetivo final de todos nós, seres animais, chegar ao isolamento de Joseph Ratzinger. A racionalidade cresce com o aumento das experiências, vividas, sofridas, todas educativas, mas sobretudo contribuintes no processo de aumento da consciência, em volume e complexidade (isto se encontra na "Teoria Unificada do Universo", no Google). Nós, seres humanos, somos resultantes de muitos milhões de anos de evolução, vida após vida, de modo a acumular conhecimento e aumentar velocidade de processamento desses dados, que formaram o cérebro e nele colocaram o ego neural, que nos permite, a qualquer momento, dizermos "eu sou", "eu faço", "eu quero" e assim por diante.

Quantos de nós tem parado por alguns minutos para pensar no "EU" que existe em nosso cérebro? É evidente que esse "EU" (neural) só está percebido, quando estamos acordados. Há quem combata a cultura do "EU" por entender que esta promove o egoismo ou o egocentrismo. Assim como não se combate a doença, matando-se o doente, não se combate essas anomalias do Ego, matando-se o Ego. Ao contrário, o Ego ("EU") deve ser desenvolvido para vencer as ameaças que o atinjam. O papa emérito Joseph Ratzinger, hoje, por determinação própria, é apenas o seu "EU", na medida em que se coloca só, isolado, cuidando de si mesmo, das suas pesquisas, dos seus estudos, dos textos que produz, mas sobretudo da sua preparação para a vida posterior, a que terá após a atual, material.

Cada um de nós que progride na racionalidade e cultiva a individualidade, ainda que em relação social com outras pessoas, sabe o quanto é saboroso voltar-se para dentro de si e descobrir-se, quer através de sua memória, quer em processo de alguma descoberta ou ainda numa busca promissora qualquer. Muitas vezes temos a necessidade de sair da vida social para o repouso físico e consequente incremento da reflexão que nos permite, como se diz "arrumar a cabeça". Muitos são os que não compreendem a vontade de algumas pessoas, em fugir da agitação física, da ativação passional, porque acham ser "muito chato" viver sem festas, sem emoções fortes, sem agitação contínua. Nada a reclamar, dessas pessoas, que ainda estão em fases anteriores do processo de individualização e que precisam de mais tempo para atingir posições de vanguarda. Não há quem não tenha sido o outro ou venha a ser o outro, num período de sua existência animal. Pode-se dizer "já fui você ontem" ou "serei você amanhã", ao se comparar com pessoas próximas, sem que altere seu amor próprio. Como se diz, "já fiz o curso primário" ou "farei o curso superior" O que se deve evitar é manter-se no curso primario eternamente, apenas porque se gosta daquela escola.

Vamos nos espelhar, portanto, no Joseph Ratzinger, que chegou à plenitude da felicidade, ficando só.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

QUEM TEM MEDO DE PERGUNTAR



Crônica científica

A crônica da semana passada, aqui, suscitou alguns comentários, um deles referindo-se ao "medo dos cientistas em ver seu trabalho ligado à religião", assim recusando-se a investigar objetos, fatos e pessoas associados de alguma forma aos temas religiosos. Evidentemente, logo de início, temos de dizer que não se deve acreditar em cientistas que têm medo de investigar, seja o que for. Podem não fazê-lo por direcionamento do seu trabalho - não se pode desviar do foco de uma determinada pesquisa - mas daí a se recusar abordar uma questão por preconceito, vai enorme distância. Tenho considerado Ciência com C maiúsculo aquela que aceita os dois lados da moeda: a Física e a Psíquica.

Um dos pontos mais nítidos de contato entre estas duas disciplinas é o que se tem chamado de Mecânica Quântica, no limite da velocidade da luz, justamente porque o campo da Física é o dos fenômenos cujas velocidades são inferiores ou igual à da luz, enquanto o da Psíquica é o dos que superam essa velocidade (mais detalhes sobre isso em "Teoria Unificada do Universo", no Google). Assim, o que se considera "campo da religião" pode e deve ser científicamente investigado fora da realidade, mas dentro da atualidade - segundo essa teoria - quando o tempo, que é a duração da consciência, toma valores a partir de zero (inclusive).

Dentro desse contexto, cabe examinar científicamente a questão vaticana atual no quadro histórico (História é Ciência apoiada por disciplinas como a Arqueologia, a Antropologia, a Geografia, a Biologia e a própria Física), considerando que a palavra profeta significa mensageiro de Deus, com a conotação de que a mensagem levada não é uma simples comunicação, mas uma ordem a ser cumprida. Assim, o "profeta" Jesus - entre muitos que estão registrados na Bíblia - teria vindo do Reino de Deus com instruções sobre a evolução dos seres humanos e o que estes teriam de fazer nos dois mil anos (exatos 2 160 anos) seguintes para que intelectuais aumentassem sua capacidade de memória e velocidade de processamento neurais, ajustando geneticamente seus cérebros para se tornarem sapienciais (ver o que é "sapiência" nos dicionários), sendo este o próximo passo da humanidade na Terra, em direção ao Reino de Deus.

Científicamente - repito - já é hora de afirmar que aquele Jesus que está nos evangelhos bíblicos e morreu há dois milênios, jamais voltará ao seio da humanidade, como Jesus. Jesus, filho do construtor José e da (ainda) virgem Maria, cientificamente, foi um dos inúmeros meninos que tomaram esse nome ao nascer, então, porque em hebraico o seu nome era Yoshua, que também se traduz como Josué, figura honrada do velho testamento. Tão comum quanto José e Maria, Jesus, ao morrer, deixou de existir física e juridicamente, mantendo-se apenas na História. A ciência materialista até aceita isso, por não "crer" em algo mais que o corpo no homem. Há cientistas, no entanto, que são religiosos e conseguem sobreviver "acreditando" em "alma" ou "espírito", que entraria no corpo no nascimento e sairia dele com a morte, indo para algum lugar ainda não conhecido. De fato, a alma (anima, movimento) é uma força (energia) que entra no corpo, quando este aspira o ar pela primeira vez, saindo dele quando expira pela última vez, assim perdendo seu movimento animal. O espírito é apenas a força aglutinadora de todas as unidades de consciência que se estruturam para evoluir em formas mais complexas e naturalmente maiores, como a do ser humano. Esse espírito manifesta-se, por exemplo, como as forças nucleares, fraca e forte.

Em verdade, nossa proposta científica é que se abra investigação para considerar o cérebro humano como um computador biológico, que se tomou como modelo para inventar o computador eletrônico. Em seguida, que, cada um de nós, "Senhor" do seu computador eletrônico, tenha introduzido nele um HD (disco rígido) que é substituído quando "morre" e ganha versões melhores, com mais memória, enquanto sua CPU também é substituída, ganhando maiores velocidades de processamento (ver mais detalhes no livro "A Cruz dos Mares do Mundo", nas livrarias). Ainda científicamente, sem medo de bruxas e duendes, que se considere a consciência universal segmentada em ALGUM PROCESSO EVOLUTIVO FORA DO CORPO HUMANO E EM ALGUM LUGAR, como "inventor" do computador biológico, ao qual se liga cotidianamente, para viver experiências em corpo físico, coletando dados e processando-os de modo a promover a evolução dos seres físicos, desde o vegetal ao animal, sendo este agora intelectual e depois sapiencial, na medida em que aumenta sua capacidade de memória e velocidade de processamento (isto pode ser visto também em "A Noite dos Livros do Mundo", que está chegando às livrarias).

Precisamos fazer essas propostas com humildade, mas com coragem para receber as mesmas pedradas que, por exemplo Nicolau Copérnico - entre muitos outros - recebeu, dos "donos da verdade", em sua época . Propostas de investigação, por enquanto. Quem tem medo de perguntar?

Adinoel Motta Maia