sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

MIDIA: PASSANDO A PENEIRA


Crônica

É lamentável o que está acontecendo com a mídia impressa neste país. Dias atrás, procurei o  ESTADO DE S.PAULO numa banca do Campo Grande - as outras só o vendem no domingo - e me foi dito que só recebeu um exemplar, já vendido, naquele dia. Motivo: há dias em que ninguém compra e o distribuidor, no dia seguinte, só manda um exemplar. Os jornais de Salvador também dormem em pilhas nas bancas e em pilhas voltam para casa. Todo mundo diz que o problema é a concorrência da televisão e da Internet. Pode ser, mas quando compro jornal, costumo passar suas folhas e separar, para ler, aquelas em que há algo que me interesse. Ao fim desse rápido exercício, tenho apenas duas ou três páginas, das quais recorto uma coluna ou uma reportagem, para ler depois, jogndo o resto (quase todo ele) na cesta. Em cinco a dez minutos, eu vejo o jornal.

Fora as páginas, às vezes cadernos, de anúncios de supermermercados, automóveis, espetáculos, propaganda do governo, imóveis e outros produtos que não me interessam, ainda há as de moda, de novelas, de produtores de som, de decoração, de gastronomia, de futebol (sempre a mesma coisa), de noticiário político (uma tristeza!), de notícias nacionais e internacionais que já vi na véspera, na televisão... O que se salva? Uma crônica, uma única notícia numa coluna inteira, uma reportagem bem elaborada sobre um assunto que me interessa (coisa rara). Artigo sério e profundo? Nem sonhar...

Não é só o jornal, contudo, que está em crise. Televisão de canal aberto, já nem me lembro se existe. Além de toda aquela propaganda ruidosa (o volume do som aumenta quando ela entra), a programação é voltada para donas de casa que fazem bolo, artesanato e coisas tais ou precisam de conselhos médicos, consultoria de advogados, contadores que ensinam cálculo de juros, coisas assim, além das novelas e música baiana de carnaval ou são joão (no ano inteiro). Há anos, assino o canal fechado, que está ficando igual ao canal aberto. Seriados horríveis, filmes de péssima qualidade, documentários repetidos até não se ter mais nada para ver, exploradores que ensinam como andar na lama, subir montanhas e atravessar rios caudalosos, entrevistas com os mesmos especialistas em tráfego, drogas, assaltos e incêndios, e assim por diante.

Há mais de um ano, somos atacados por um assédio massivo de programas sobre o fim do mundo, desde as eternas profecias de Nostradamus que servem até para curar dor-de-cabeça, tratados sobre meteoros e terremotos, gente que constroi abrigos subterrâneos no quintal, especialistas (outros) que sabem tudo sobre ataques de extra terrestres, uma paranóia religiosa centrada em juizo final, tudo só de ouvi dizer, sem uma pesquisa séria nos manuscritos, na arqueologia, na geologia ou mesmo na estatística. Muito jornalismo e pouca ciência. Todos os canais de televisão deram um depoimento de ignorância profunda, associando um calendário astronômico (dos maias) ao livro do apocalipse, que, como se sabe, é uma profecia cristã. Fizeram um clima de assustar crianças e velhinhas e no dia de hoje, nada acontecendo, evidentemente, entraram em gozação como se a culpa fosse dos telespectadores que os viram e ouviram sentados.

Não há dúvida: nossa mídia está em crise. Generalizada. Não é difícil fazer uma profecia.


Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

REVELAÇÃO É VERDADE


Crônica

Estamos novamente sob o clima de Natal. Perguntei à síndica do prédio onde moro, por que ela estava fixando no vidro do play-ground uma cara de Papai Noel. Ela respondeu que já é Natal. E o que é o Natal? - insistí. É o nascimento de Cristo - respondeu. Tudo errado. As pessoas repetem coisas erradas durante séculos e como são a maioria da população, o certo vira errado e não é aceito por elas. Todo mundo sabe isso - respondem. Todas essa gente não sabe nada - digo eu.

Para início de conversa, o nascimento que se pretende comemorar - em data errada - é o de Jesus e não o de Cristo. Jesus nunca foi chamado de Cristo, enquanto viveu. Era o Nazareno. Este nome era dado aos judeus essênios ou aos estrangeiros, isto é, os não judeus. Simão (mais tarde Pedro) era quem o via e queria como o Messias a substituir o Messias João Batista, com a morte deste. Jesus era o Nazareno, porque seu pai José era essênio e Maria, sua mãe, era columba no templo dos essênios, no Monte Carmelo. A columba era obrigatoriamente uma virgem, ao contrário das meninas de doze e treze anos, na mesma idade dela, que viviam na rua. Por isso, ela era a virgem Maria, porque as outras já não o eram. Cristo é o nome grego, com o mesmo significado de Messias, em hebraico. Jesus nunca foi uma coisa nem outra, porque não tinha a missão política de João Batista, nem nunca a aceitou. Conclui-se que o Natal que se comemora não é o de Cristo porque este nunca nasceu. Este foi um título que Paulo de Tarso atribuiu a Jesus depois que ele foi retirado da cruz e já não atuava. O Cristianismo não é a religião de Jesus, portanto. É a religião de Paulo de Tarso, que tomou a figura de Jesus e deu-lhe o título de Cristo, criando este num dia que não foi o 25 de dezembro. Foi logo depois da Páscoa dos judeus. Por que então, o aceitou nascendo fora da data de sua criação por ele?

O Natal também não é o nascimento de Papai Noel, porque este é uma figura baseada em São Nicolau, o bom velhinho que, ainda vivo, no Dia dos Reis Magos - 6 de Janeiro - imitava-os, distribuindo presentes para as crianças pobres. A cultura norte-americana importou-o com o nome de Santa Claus e o capitalismo tomou essa figura para fazer grandes negócios, criando uma festa de dar presentes na data que se considerava ser  a do nascimento de Jesus. Então, Papai Noel é apenas uma imagem de propaganda e marketing, baseada na figura de São Nicolau, que também não nasceu em 25 de dezembro.

Para aumentar a contradição, a crônica bíblica que descreve o nascimento de Jesus, mostra um cenário em que à noite havia pastores com suas ovelhas ao relento, o que seria impossível, porque 25 de dezembro é inverno no Hemisfério Norte e então os campos costumam estar nevados. Para que o texto da Bíblia esteja certo, Jesus deve ter nascido na primavera ou no verão, talvez até mesmo no outono, mas jamais no inverno asiático setentrional. Se assim é, por que se comemora o nascimento de Jesus no inverno, com neve?

Porque quem criou Cristo e o Cristianismo foi um soldado romano a serviço do rei Heródes, que perseguia os nazarenos, isto é, Jesus e seus seguidores. Chamava-se  Saulo de Tarso, que trocou seu nome para Paulo e mudou tudo na história de Jesus, copiando as datas e os rituais do Mitraismo, a religião maior dos romanos, ou seja, a religião do deus Mitra, chamado de Sol Invicto, porque era o próprio Sol, o mesmo Aton do Faraó Amenhotep IV, que os romanos cooptaram. Agora vem a explicação da data de 25 de dezembro, que então era a do solstício de inverno, no Hemisfério Norte (hoje, o solstício é em 21 de dezembro). Como se tratava do Sol, sabe-se que ele nasce todos os anos no solistício de inverno, quando a Terra está na posição mais distante dele, para fazer uma volta completa e ele nascer de novo no ano seguinte. Assim, 25 de dezembro era a data em que o Sol nascia todos os anos. Evidentemente, Mitra também nascia nessa data. Como Mitra era o deus de Paulo de Tarso e este criou uma nova religião, ele chamou Mitra de Cristo, transformou os templos de Mitra em igrejas de Cristo e ali implantou os velhos rituais do Mitraismo, assim nascendo o Cristianismo, que adotou os mesmos templos e rituais do Mitraismo com a história de Jesus. Paulo de Tarso, que não foi apóstolo nem discípulo de Jesus, deu a si próprio o título de apóstolo dos gentios, isto é dos não judeus. Jesus era judeu, essênio, o Nazareno, assim considerado entre os gnósticos comandados por seu irmão Iago (Tiago Menor), que se manteve em Jerusalém.

Querem saber mais? Entrem no meu BLOGART (http://adinoel-blogart.blogspot.com.br) no dia 21 de dezembro deste ano, o dia do solistício de verão no Hemisfério Sul. Assim, neste ano, quando desejarem FELIZ NATAL a alguém, escolham antes qual Natal. Natalício de quem?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PARA ONDE VAI A HUMANIDADE


Crônica

Temos, no Brasil, uma riqueza intelectual infelizmente pouco reconhecida e divulgada no próprio país e completamente desconhecida no Exterior, salvo casos pontuais de interesse realmente internacional, pela presença da obra de uns poucos, em outros países - caso do agora falecido Oscar Niemeyer. As gerações novas não conhecem, por exemplo, Millor Fernandes, uma figura intelectual de grande porte, em amplitude e profundidade que beiravam a filosofia e penetravam até na ciência, se não como conhecedor, ao menos como provocador. Sou do tempo em que ele publicava suas observações na revista semanal "O Cruzeiro", com o pseudônimo Vão Gôgo. Recentemente, colaborou com a "Veja", onde publicou há cinco anos (edição de 19/12/2007) uma observação digna de sua capacidade de ver por dentro o que se costuma perceber apenas por fora. Escreveu ele: "O tempo não existe. Só existe o passar do tempo". O brasileiro não guardou nem comentou essa assertiva de grande profundidade, porque o lia como humorista, fazendo-o superficial e apressadamente. O que parece uma simples e oportuna gozação é, de fato, a base do conhecimento do Universo desde sua fundação. As mais antigas escolas místicas mundiais já sabiam que o tempo é a duração da consciência, ou seja, a passagem dessa consciência. É justamente a ojeriza dos cientistas aos místicos, que os tem limitado à Física, ignorando a existência e natureza da consciência, como fundamentos desta.

Em setembro de 2007, encaminhei ao Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, para publicação em sua revista anual, um artigo com o qual lançava minha "Teoria Unificada do Universo", que está desde então conhecida e pode ser lida no "Google". Albert Einstein fracassou na sua teoria dos campos unificados e Stephen Hawking ainda não conseguiu concluir a sua própria, apenas por causa desse preconceito contra tudo que saia da Física, isto é, da realidade da matéria e da energia. Humildemente, silenciosamente, longe dos olofotes, publiquei o artigo que dá à consciência o seu papel no espaço, que tem três direções (ortogonais) e uma duração. Dessa consciência, depende o espaço - o Universo - com suas extensões e o seu tempo, isto é, suas dimensões. Esse artigo propõe uma disciplina científica para estudar exatamente o campo da consciência em velocidades maiores do que a da luz, não aceitas pelos físicos. Essa disciplina, evidentemente, é a Psíquica, que aparece inicialmente no primeiro volume de uma trilogia, no corpo de uma obra de ficção - A Cruz dos Mares do Mundo - publicada em 2011.

Estou trazendo este assunto, hoje, à minha crônica semanal, como um convite a ser passado para todo o Brasil, porque no próximo dia 12/12/12, propositadamente, estarei fazendo no meu outro blog - http://adinoel-blogart.blogspot.com.br - o anúncio da REVELAÇÃO que todos encontrarão nele em 21/12/12 e que estará chegando então às livrarias, com o segundo volume da trilogia "Nortada": A Noite dos Livros do Mundo.  Esta obra nasceu em 1997, na Feira do Livro de Frankfurt. Sendo professor de uma disciplina por mim criada na Universidade Federal da Bahia - Fundamentos de Astronomia e Astronáutica - já havia publicado a cosmologia Humanidade - Uma Colônia no Corpo de Deus (1981. Edições Melhoramentos. São Paulo), que escrevi em três meses, reunindo anotações feitas desde 1957, para atender o pedido do editor da série "Enigmas do Universo" daquela editora. Que me perdôem os abnegados cultores da Academia, sempre preocupada com o necessário rigor científico, protegido por procedimentos acautelatórios indispensáveis, se avanço desmesuradamente e ultrapasso as medidas cautelares recomendáveis para fazer esse anúncio, unilateralmente. Neste caso, a urgência justifica os meios. Mesmo porque as provas estão atropelando a teoria e porque a soma das evidências acaba prescindindo do laboratório.

Pelas datas acima postas, podem os leitores deste blog associar o anúncio a ser feito com o calendário maia que, em verdade, só determina o fim de um ciclo astronômico importante mas está sendo visto erradamente como o fim do mundo. Não me aproveito de estarmos na Cidade do Salvador, na Baía de Todos os Santos e de ter um sobrenome "Maia" para fazer associações indevidas. Ao contrário, estou certo de que estas e outras convergências sejam talvez e apenas parâmetros do Inconsciente para me trazer, desde os 20 anos de idade - tenho 75 - essas questões e estudá-las. Nada mais do que isso. É natural, por exemplo, que alguém cujo sobrenome seja Oliveira tenha um certo gosto pelas azeitonas e pelo chamado azeite doce. Ou que, uma pessoa nascida no 7 de setembro apaixone-se pelo estudo da História do Brasil. Nada mais do que isso, repito. Com essa ressalva, sem querer parecer estar a cuidar de qualquer coisa, devo dizer que tenho, sim, nesta altura do terceiro milênio, já, uma revelação a fazer, não sobre o fim do mundo em si, mas sobre o atual momento da humanidade, à luz dessa nova disciplina que estamos propondo, para explicar o que é o Universo, o que é (não quem é) Deus e como a consciência se estrutura evolutivamente.  Há seguramente milhares de pessoas em todo o mundo estudiosas e preocupadas com essa progressão, mas é possível que a nossa visão tenha um tempero essencial e adequado à realidade atual.  Convido-os a todos, portanto, para o banquete dos dias 12 e 21 deste mês, no meu outro blog acima citado. Podem também já ler "A Cruz dos Mares do Mundo" e procurar a partir do dia 15 nas livrarias "A Noite dos Livros do Mundo". Ambos podem ser adquiridos pelo site da distribuidora no Rio de Janeiro (www.lojasingular.com.br).

Adinoel Motta Maia


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A FILHA DO DIABO NÃO É MOÇA


Crônica

Quando eu era menino - cerca de 65 anos atrás - minha avó materna ensinava a família a viver com seus ditados e conselhos, além do que, introduziu em nossa casa um processo eficiente para se achar coisas perdidas. Consistia em deixar todos procurarem o que se tinha perdido dentro de casa, até não mais se ter onde olhar e meter a mão. Quando todos desistiam, ela aparecia  a andar e gritar que "a filha do diabo não é moça", querendo isso dizer que a diabinha havia perdido a virgindade de modo ofensivo paa o pai, que, muito aborrecido e verificando ser uma mentira, tudo faria para desmentir aquela falsidade lançada no ar, para desmoralizar  a ambos. Aí, a avozinha lançava o golpe de misericórdia, chantageando o demônio: "Para provar que ainda é moça, ela tem de mostrar o objeto - dizia qual - perdido". Envidava-se esforços na busca e nada acontecia. Ela então gargalhava, zombeteira: "Eu não disse que já não é moça? Só o diabo é que não sabe. Quem não sabia, fica sabendo agora. A filha do diabo não é moça".

Ninguém jamais pesquisou uma explicação para o fato, mas a verdade é que nesse ponto da busca, quando a zombaria era geral, alguém gritava: "Acheeeeiiii!" Aí, obrigatoriamente, todos respondiam: "É môôôça! É môôôça!" E cada um ia cuidar de sua vida, sem mais pensar no assunto. Dir-se-á que são coisas do passado, quando a superstição dominava e brigava com a fé, esta com suas orações e promessas, igualmente bem sucedidas. Aos santos, agradava-se com a oferta de velas e missas. Ao diabo, irritava-se com ameaças de desmoralização.  Até hoje, evidentemente, ninguém jamais descobriu quem é a filha do diabo, mas o processo sempre funcionou e isso reforçava aquele teatro como solução para objetos perdidos. Além do que, todos se divertiam muito.

Há uma explicação científica, para o fato, Um objeto só é perdido dentro de casa quando alguém o coloca num lugar e sem prestar a devida atenção, depois não sabe onde o botou. Provavelmente, ao se armar o teatro e fazer a folia, a culpa se esvai e a mente se descontrai, de modo que os neurônios se abrem em relações mais amplas, lançando luzes mais intensas no panorama escuro da ignorância. O fato de termos aplicado esse processo em nossa casa, nesta semana, depois de 24 horas sem se encontrar as chaves do carro numa penca única - o veículo felizmente na garagem - levando-nos a encontrá-las num lugar "impossível", fez-me repetir gostosamente que a filha do diabo é moça, sim, com toda a certeza.

Dizem que a crença em Deus implica inevitalmente na crença no Diabo. Assunto para muitas crônicas, por vários motivos, sob os mais diversos enfoques, ficamos a imaginar a figura de um anjo que tinha asas porque voava e caiu do céu. Sabe-se que os anjos ganharam asas ao tê-las pintadas nas paredes do Império Bizantino. As asas dos anjos são, portanto, criações humanas. Os próprios anjos têm formas humanas.  É uma prerrogativa do animal que recebeu um cérebro e tornou-se intelectual, criar, inventar, deduzir e também enganar. É intelectual porque tem inteligência. Esta vem com o cérebro, que, ao nascer, está quase vazio, retendo apenas na sua memória as poucas experiências vividas ou absorvidas no útero materno. É a educação que enche o cérebro e lhe fornece munição para atirar, cruzando informações para aprender novas coisas, num processo que se chama estudo e pode ser ampliado para se fazer pesquisa.

O que temos de ver imediatamente é que há grandes interesses para que o povo não seja educado, incapaz de usar sua inteligência por absoluta falta de dados. Temos de procurar saber do IBGE qual é a porcentagem da população brasileira, que, tendo cérebro, só o usa para a sobrevivência. Quem patrocina a pura sobrevivência do homem brasileiro é um criminoso que rouba o que o homem tem de melhor: o direito de usar sua inteligência, de ampliar seu horizonte e ter suas próprias idéias. Aí, quando aparece quem quer iluminar o cérebro do pobre, com educação, diz-se que isso é subversão ou que se está fazendo o jogo do Diabo, que é Lúcifer, isto é: o que faz a luz, o que ilumina.. O fato é que o homem nasceu com inteligência e a está perdendo na infância e na juventude, no Brasil. Está na hora de voltar a gritar que a filha do diabo não é moça, para que ela seja reencontrada.

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O DISCURSO DOS SURDOS


Crônica

Dizem que não se pode ser católico do jeito que se quer. A Igreja só consideraria católico quem reconhece a autoridade máxima do Papa, na Terra e segue as regras, preceitos, dogmas, da Igreja, in totum, isto é, catolicamente. Por outro lado, a Igreja Católica, Apostólica e Romana tem por tradição deixar suas portas abertas a todos os que decidam entrar, seja para seguir uma missa em toda a plenitude de sua liturgia, seja simplesmente para fazer umas fotografias, em viagem turística. Não se pergunta "quo vadis?" a quem penetra sem dizer coisa alguma.

Em verdade vos digo e provo científicamente que não existem dois seres humanos iguais, com as mesmas estruturas física e psíquica, as mesmas idéias, as mesmas propostas, as mesmas carências, as mesmas crenças e as mesmas certezas, entre outras mesmices impossíveis. Ninguém, portanto, é católico, sob esse ângulo de visão. Mas as igrejas estão cheias. Hoje, assisti a uma missa completa ao meio-dia, na pequena igreja da Paróquia de São Pedro, na Piedade, celebrada por um jovem e competente padre. Como sempre ocorre ali, havia música, cantos - a casa lotada - muita concentração nas palavras corretas que vinham do altar. Corretas porque ponderáveis, aceitáveis, por quem nada sabe e por quem pensa que tudo sabe. As palavras verdadeiras são aquelas que não podem ser substituidas sem levar ao erro, ao desvio, ao rumo incerto, ao destino duvidoso, por todos que as ouvem.

Na sua desigualdade, os homens não só são diferentes, mas também ocupam posições diferentes na estrada que percorrem e na escada que sobem, acumulando experiências, delas retirando dados e em seguida processando-os. É evidente haver mais conhecimento em quem está na frente e mais alto, o que significa mais evolução. Os que estão mais para trás e para baixo são assim como cordeiros que não conseguem se manter na estrada sem o cajado dos pastores. Estarão sempre ao rés do chão, porque não sobem escadas. Precisam da religião como do alimento que os permite mover-se. Sem a religião, estão perdidos nos campos, a disposição dos predadores. Com mais experiência, estudo e reflexão, aumentando sua consciência, pensando com mais dados em seu cérebro, já conversam com os pastores e recusam algumas práticas, fazendo filosofia, indo buscar novas idéias, que colocam em discussão, arrumando teorias para quem quiser ouví-las. Há quem suba esses degraus em uma ou duas décadas, enquanto outros precisam de duas ou três vidas inteiras. Ou mais...

O grande salto é o que se dá, do prazer de perguntar para a alegria de encontrar a resposta. Não uma resposta qualquer, mas a única possível, a única que se confirma experimentalmente. O problema é que esse cordeiro que se desgarra do rebanho e avança por conta própria, ao chegar à sua verdade, descobre que perdeu o pastor que o conduzia.  Hoje, ao meio-dia, encontrei um pastor que me pareceu aceitar a ovelha que se desgarra do grupo para avançar individualmente porque tem pressa em evoluir na senda. A ovelha que eventualmente pode voltar ao rebanho, para ouvir o pastor, mas não para continuar ali com as que se acomodam com o pouco esforço que fazem para progredir. Esse grande salto, do qual não há retorno, é o da ciência, quando se chega à certeza do que se ouve e se diz, porque se pode testá-la psíquica ou fisicamente. Porque se pode chegar sempre ao mesmo resultado, ao fim de uma experiência que se repete. Sem erro, sem falha.

A Igreja tem tratado milenarmente a Ciência como inimiga porque uma afirma a existência de Deus e a outra a nega, ambas erradas na sua proposta de Deus. O Deus da Igreja é um Ser que considera os homens como nós consideramos os animais, por exemplo, vendo-os e decidindo seus destinos. Ouvi um padre dizer que "Deus gargalhou perante uma ação humana". Há fiéis que precisam dessa figura de linguagem para compreender a desaprovação divina, mas outros há que acreditam ser Deus um ser que gargalha de fato, perante uma ação humana. O problema se agiganta quando as duas platéias estão juntas. Assim, a Igreja se recusa a falar apenas com os cientistas, separadamente da sua preleção aos leigos e a Ciência se recusa a falar aos fiéis religiosos. Insistem em ser uma única voz para todos e assim permitem que muitas ovelhas se desgarrem, para não perderem o trabalho que fazem com os que mais precisam de cada uma delas, isto é, os que estão na base da evolução e precisam de muito apoio para subir uns primeiros e difíceis degraus. Como é difícil para a criança recém-nascida engatinhar e arriscar-se nos primeiros passos.

Vamos pensar nisso, assim, antes de ofender a Igreja ou a Ciência. Não há como negar o gigantesco trabalho já realizado por ambas, na Terra. Chega o momento, contudo, de iluminar o campo geral e reconhecer, além da realidade física, a atualidade psíquica do tempo como duração da consciência, como as outras três dimensões do espaço são marcadas em três direções ortogonais dessa mesma consciência. Deus, afinal, é a Consciência Universal. Nada menos do que isso. O Nada como tudo começou...

Adinoel Motta Maia

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

VIOLÊNCIA E LEI DE DEUS


Crônica

Acordei ontem, acordo hoje, acordarei amanhã, com notícias terríveis na televisão. Nunca imaginei ver uma passeata de policiais portando cruzes brancas, pedindo proteção, porque noite após noite, madrugada após madrugada, estão sendo alvos não exatamente dos bandidos estabelecidos, mas de quantos aceitam missões eventuais, como mercenários, para matá-los. Se os próprios agentes da Polícia, que se considera como Segurança Pública, estão desprotegidos, o que dizer de nós, cidadãos contribuintes, que pagamos ao Estado (municipal, estadual e federal) para ter, entre outros, esse serviço?

Ao contrário do que seria sensato, a mesma emissora de televisão, no mesmo programa de notícias, mostra o movimento nas ruas e nos shoppings da cidade, com matérias especiais que induzem ao consumo, às festas e às viagens, como se tudo estivesse na melhor das condições, com o objetivo claro de estimular as vendas em geral, inclusive dos produtos anunciados nos intervalos desses programas. "Pior é na guerra" - diria a minha avó. Não é. A guerra que se vê estabelecida no Oriente está matando menos do que a nossa Paz. "É o Fim do Mundo" - dizem muitos. Também não é, porque o aumento da população é muito maior do que a quantidade de gente que morre.

Podem todos ter certeza de que a Mãe Natureza nunca perde, porque a perda está prevista, é consentida e faz parte do processo de evolução. Suas leis são poucas, mas inalteráveis e impostas com todo o rigor, doa em quem doer. Se alguém duvida, tente jogar-se do Elevador Lacerda sem pára-quedas e ver se há oração que o impeça de morrer. Quem nunca abriu uma Bíblia, que o faça agora e leia apenas o primeiro versículo - a primeira frase - do primeiro capítulo do primeiro livro, o "Gênesis". Está escrito, ali:

No princípio Deus criou o céu e a terra.

Durante milênios, temos lido essa frase assim, com importante erro de tradução, porque a palavra que o seu autor utilizou e foi traduzida como Deus, não existe na lingua hebraica, a dos judeus. Escreveu ele: Elohim. Deus seria apenas El ou, num outro sentido, o do Senhor, JHVH, que se pronuncia JaHVeH. Por séculos, provavelmente mais de um milênio, os exegetas (pessoas que interpretam e esclarecem um texto, especialmente a Bíblia) profissionais discutiram o significado de Elohim. Logo viram e ficou estabelecido que El significa Deus e im é um sufixo que indica o plural. Nunca foi encontrado o significado da partícula intermediária oh ou seu papel na formação da palavra.e assim os mais puristas contentaram-se com o plural de Deus, que contrariava a base do judaismo, isto é, o monoteismo, mas servia o Politeismo, a Mitologia e à teoria dos deuses astronautas. Ao fim de tudo, um grupo de exegetas optou por dar à partícula oh um sentido de atributo, ficando aquela primeira frase bíblica com a seguinte tradução:

No princípio, o atributo de Deus criou o céu e a terra.

Atributo significa "aquilo que é próprio de um ser". No caso de Deus, todo-poderoso, é o seu poder, a sua Lei eterna e dura, irrevogável e inalterável. Assim, sejam quais forem as leis dos homens, o seu Direito, nada valem perante a Lei de Deus, que nos manda experimentr e sofrer para aprender, assim como morrer para renascer e ter uma nova chance, tantas vezes sejam necessárias, para evoluir. Assim, o plasma das estrelas criou planetas minerais, que um dia tiveram uma de suas moléculas a se reproduzir, iniciando a vida e com ela, os vegetais, que se individualizaram e ganharam movimento próprio (anima = alma), desenvolvendo sua estrutura neural e formando a memória que permitiu o processamento de dados, assim surgindo a inteligência e os seres intelectruais, entre os quais o homem ainda é o topo, na Terra.

Chegamos, assim, a um ser, também criador, assim feito à imagem de Deus, como o camputador eletrônico foi feito à imagem do computador biológico, nosso cérebro e o robô sairá com cérebro próprio pelo espaço cósmico, feito à imagem do homem, alimentado com vida, como nós, os animais e os vegetais, pela energia das estrelas. Aí chegando, perguntamos se haverá algum fim do mundo.
É evidente que não, porque a Lei de Deus não tem dispositivo que permita isso. Ao contrário, nela, cada destruição promove uma evolução. O máximo que podemos destruir é a nossa civilização, com nossas leis permissivas, com nossos perdões viciosos, com nossa vaidade, com nosso egoismo, com nossa preguiça. A Lei de Deus determina o fim do que é imperfeito, em busca da perfeição. A escola onde se aprende isso é a vida, cada vida sendo um período letivo, podendo ser repetido eternamente, se não se aprende.

A conclusão óbvia é que a violência que medra em nossas cidades só terminará quando resolvermos enfrentar o problema com educação e não apenas com repressão. Chegamos a um estádio em que isso já é quase impossível e teríamos de esperar a Natureza destruir o cenário para começar um novo povoamento. Talvez possamos evitar isso, começando por controlar a população e colocar os interesses ontológicos à frente dos ideológicos e dos prazeres que viciam e degradam. Somos, já, suficientemente intelectuais para resolver esse problema, mas temos de saber que um dos recursos da educação é o sofrimento. Pode ser o último a ser empregado, mas deve ser considerado e aplicado. Assim manda Elohim, que mata populações inteiras.

Adinoel Motta Maia
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LEIA TAMBÉM O MANIFESTO DO APOCALIPSE, EM
E O ROMANCE QUE LANÇA A PSÍQUICA
a disciplina científica que estuda a consciência universal desde o nada
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

BAIRROS E ARRABALDES

Crônica

Há cerca de cem anos, a chegada do verão levava os soteropolitanos de melhor condição financeira para os arrabaldes da cidade. Os jornais, que ainda não tinham colunas sociais, anunciavam em pequenas notas, com título, a ida de uma família para o Porto do Rio Vermelho, de trem, que partia do Campo Grande, com armas e bagagem necessária a uma longa estadia, dita veraneio. Na direção oposta, ia-se para Itapagipe, carregando-se toda a tralha por terra no contorno da baía, desde o Comércio, atravessando-se a Calçada, os Mares, o Caminho de Areia, até o Porto dos Tainheiros. Em ambos os portos, mais de pescadores, construiu-se boas casas que ainda hoje se vê.

Ao longo dos anos, no século XX, enquanto o Rio Vermelho preservou-se, Itapagipe degradou-se. As regatas do fino esporte do remo, que reunia a aristocracia em navios para ver as competições dominicais com primeira página garantida nos jornais da cidade até os anos 30 e 40, foram substituídas pelas marinas - meras garagens de barcos - e isso é o que ainda tem de melhor por ali. A Avenida Beira-Mar hoje mostra umas poucas casas em ruinas como testemunho do ápice social daquelas bandas, vivendo agora na sua extremidade da Penha, de uma atividade gastro-cervejeira de fins de semana ainda movimentados pela frequência massiva à praia do Bogari.

Por anos a fio, a Prefeitura faz vistas grossas para o retiro do poder econômico que dominava e alimentava aquele arrabalde e o transformou em bairro industrial, chamando para lá os operários que acabaram ficando sem a indústria, que foi de refrigerantes e chocolates e cristais, por exemplo; sem os trapiches dos armazens gerais; sem o comércio que abastecia o subúrbio ferroviário; enfim, sem o dinheiro que dava vida própria à península  A invasão dos miseráveis - os alagados em palafitas - irresponsávelmente permitida pelo poder público e remediada com o aterro que criou novos bairros ditos populares, apenas inchou o músculo social, nítido sintoma da doença que ali se estabelecia como dormitório de problemas e não de cidadãos.

Cada novo prefeito chega como uma esperança, que agora se renova, porque o povo itapagipano votou para eleger o próximo a ser empossado em janeiro. Com a migração das fábricas para os centros industriais de Aratu e Camaçari, Itapagipe vem mostrando uma vocação para o turismo, quer pelas suas belezas naturais, quer pela sua história e seu folclore, quer pela sua posição privilegiada na Baía de Todos os Santos. A classe média que ali emerge já merece equipamentos urbanos de boa qualidade. Por que o Largo do Papagaio, por exemplo, não consegue ter a mesma qualidade do Campo Grande? Por que a Beira-Mar não é uma avenida, desde a Penha até a Calçada, como é a avenida desde o Farol da Barra até a Ondina?

Uma nova frente se forma, na área da saúde, desde que Irmã Dulce criou o Hospital Santo Antônio, no Largo de Roma. O que começou como um serviço assistencial para mendigos e outros marginalizados, transformou-se num movimento que atraiu para aquela área, desde farmácias até laboratórios e clínicas populares diversas que já tomam a Avenida Fernandes da Cunha na direção do Largo dos Mares e promete fazer dali um point na área da saúde, para lá se transferindo ou abrindo filiais, algumas empresas do ramo, assim assegurando a assistência médica que é exigida por quem quer e tem melhor qualidade de vida, inclusive quando faz turismo.

Já passou da hora, portanto, de se olhar para aquele outrora arrabalde de veraneio de gente rica como bairros de gente pobre que quer e pode ser classe média, integrando-o social e econômicamente a esta cidade de encantos e desencantos, que é Salvador.