O texto da petição encaminhada por Bartholomeu Lourenço ao rei D. João V (ver AVES E NAVES 10) merece exame, nos seus termos, para compreensão de ocorrências posteriores.
Diz ele que descobriu “um instrumento para andar pelo ar, da mesma sorte do que pela terra e pelo mar e com muito mais brevidade”.
Esta frase não corresponde ao “instrumento” apresentado em demonstração pública, por Bartholomeu, naquele ano de 1709. Era um pequeno aparelho voador, sem serventia em terra ou na água.
Ele não disse “sobre a terra” nem “sobre o mar”, indicando um sobrevôo.
Foi claro no andar “pela terra” e “pelo mar”.
Seria um anfíbio, que também voaria.
Por que o teria dito, dessa forma?
Parece-me claro, que, descobrindo ele o modo de fazer subir no ar uma esfera, enchendo-a com ar quente, poderia fazê-la suspender uma “barca” que anda no mar ou um “carro” que anda na terra.
Evidentemente, como a resistência do ar ao deslocamento de um objeto, é menor do que o oferecido pela água ou pelo solo, seria esse aparelho aéreo muito mais veloz.
Está explicado?
O raciocínio, sim.
A origem dele, ainda não. Vamos, portanto, a esta.
Quem fez esse raciocínio, pela primeira vez, foi o padre jesuíta italiano Francesco Lana Terzi, que publicou um livro em 1670 com suas idéias para vários inventos, inclusive uma nave voadora, que seria uma barca, com seu aparelho vélico completo, pronta para navegar na água, mas podendo ser suspensa por esferas nas quais se faria o vácuo.
Essa proposta se comprovou irrealizável porque a pressão atmosférica amassaria cada esfera, se feita de pano ou papel e por outro lado, ela não se elevaria se fosse feita de material resistente a essa pressão, tal seria o seu peso, maior do que o do ar retirado do seu interior.
Parece-me claro, que, estudando num seminário jesuíta, essa proposta chegou a Bartholomeu e tão logo este descobriu o poder do ar quente, deve ter concluído ser esta a solução para a “barca” voadora do italiano.
Assim, nada mais natural do que pedir ao rei o registro e privilégio do invento, bastando para comprová-lo, apresentar os desenhos de Francesco Lana Terzi e fazer a demonstração do vôo da sua esfera.
SUBINDO A ESFERA, SUBIRIA A BARCA, COM UMA, DUAS OU MAIS DELAS.
Pode-se desse modo explicar ter ele pedido o privilégio de explorar um invento constituído por “instrumento” para andar no ar (do mesmo feitio dos que andam) pelo mar ou pela terra.
Na próxima sexta-feira este blog continuará a análise da petição de Bartholomeu Lourenço.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
ONDE E QUANDO 11
Estive ontem na Biblioteca Pública da Bahia, que é posto da Biblioteca Nacional para registro de direitos autorais, em nossa cidade.
A Dona Sônia, que está desde 1997 nessa função e atende a todos com paciência e esmero – escritores e compositores (na Bahia, estes são maioria) – já me viu por lá algumas vezes.
Ontem ali fui para averbar alterações no registro de um livro concluído em 2007 e ainda não publicado, “A Cruz dos Mares do Mundo”, parte de uma trilogia na qual estou trabalhando, coincidentemente, desde 1997, tendo então me aposentado do magistério e do jornalismo para me dedicar às pesquisas, à criação e à redação dos textos desses três romances.
Trago este assunto, aqui e hoje, porque também estou escrevendo para o Yacht Clube da Bahia o livro comemorativo dos 75 anos de sua história (há 15 anos, escrevi o referente aos 60 anos) e essas duas obras se tangenciam.
No próximo domingo, dia 23, o YCB estará completando esses 75 anos de sua fundação, mas numa sábia decisão de sua diretoria, as comemorações estão sendo feitas não em apenas um dia, mas ao longo dos dois anos de sua gestão, com uma série de eventos inovadores e inaugurações.
O ponto de tangente entre as duas obras é o dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, razão porque nossa Baia de Todos os Santos tem esse nome, dado pelo florentino Amerigo Vespucci, capitão de uma das três embarcações da expedição exploratória de Gonçalo Coelho, que a descobriu naquela data, em 1501.
O romance “A Cruz dos Mares do Mundo” tem uma estrutura inovadora.
Dado como pronto, por mim, em 2007, quando foi registrado, tomei o cuidado de tirar cópias e deixá-las com algumas pessoas, inclusive uma agente literária de São Paulo, que me deram um retorno unânime: a narrativa era interessante para o entretenimento, com propostas científicas (inclusive geográficas e históricas) ousadas, mas também demasiadamente denso.
Talvez uma forma de dizer que o livro era chato.
Em outras palavras: havia informação demais no meio da ficção.
Sabem todos, que não se deve misturar ficção com ensaio, mas nesse caso – dentro do projeto da trilogia – tal é absolutamente necessário.
Criei, então, uma estrutura para a obra, com dois livros em um volume só: no "livro um", o romance policial de mistério “Morte no Museu de Arte Sacra” e no "livro dois", ainda como ficção, os “Apêndices” com o grosso da informação, estes de leitura opcional apenas para o leitor mais exigente que quer ver o pau que matou a cobra.
Agora, portanto, “A Cruz dos Mares do Mundo” já está pronto para publicação.
Como o romance é centrado na descoberta da Baia de Todos os Santos e o Yacht Clube da Bahia é um dos umbrais da porta dessa baía, com 75 anos de atividades nela, sendo eu sócio do clube desde minha adolescência, é inevitável que ambos se tangenciem, com cenário comum.
Acho bom dar esta notícia, no momento em que o YCB completa seus 75 anos de fundação, parabenizando todos os que comandaram esse barco desde 1935, assim como suas tripulações renovadas a cada dois anos, para a alegria de seus muitos milhares de passageiros e de toda a gente que o vê navegar, belo e elegante.
A Dona Sônia, que está desde 1997 nessa função e atende a todos com paciência e esmero – escritores e compositores (na Bahia, estes são maioria) – já me viu por lá algumas vezes.
Ontem ali fui para averbar alterações no registro de um livro concluído em 2007 e ainda não publicado, “A Cruz dos Mares do Mundo”, parte de uma trilogia na qual estou trabalhando, coincidentemente, desde 1997, tendo então me aposentado do magistério e do jornalismo para me dedicar às pesquisas, à criação e à redação dos textos desses três romances.
Trago este assunto, aqui e hoje, porque também estou escrevendo para o Yacht Clube da Bahia o livro comemorativo dos 75 anos de sua história (há 15 anos, escrevi o referente aos 60 anos) e essas duas obras se tangenciam.
No próximo domingo, dia 23, o YCB estará completando esses 75 anos de sua fundação, mas numa sábia decisão de sua diretoria, as comemorações estão sendo feitas não em apenas um dia, mas ao longo dos dois anos de sua gestão, com uma série de eventos inovadores e inaugurações.
O ponto de tangente entre as duas obras é o dia 1º de novembro, Dia de Todos os Santos, razão porque nossa Baia de Todos os Santos tem esse nome, dado pelo florentino Amerigo Vespucci, capitão de uma das três embarcações da expedição exploratória de Gonçalo Coelho, que a descobriu naquela data, em 1501.
O romance “A Cruz dos Mares do Mundo” tem uma estrutura inovadora.
Dado como pronto, por mim, em 2007, quando foi registrado, tomei o cuidado de tirar cópias e deixá-las com algumas pessoas, inclusive uma agente literária de São Paulo, que me deram um retorno unânime: a narrativa era interessante para o entretenimento, com propostas científicas (inclusive geográficas e históricas) ousadas, mas também demasiadamente denso.
Talvez uma forma de dizer que o livro era chato.
Em outras palavras: havia informação demais no meio da ficção.
Sabem todos, que não se deve misturar ficção com ensaio, mas nesse caso – dentro do projeto da trilogia – tal é absolutamente necessário.
Criei, então, uma estrutura para a obra, com dois livros em um volume só: no "livro um", o romance policial de mistério “Morte no Museu de Arte Sacra” e no "livro dois", ainda como ficção, os “Apêndices” com o grosso da informação, estes de leitura opcional apenas para o leitor mais exigente que quer ver o pau que matou a cobra.
Agora, portanto, “A Cruz dos Mares do Mundo” já está pronto para publicação.
Como o romance é centrado na descoberta da Baia de Todos os Santos e o Yacht Clube da Bahia é um dos umbrais da porta dessa baía, com 75 anos de atividades nela, sendo eu sócio do clube desde minha adolescência, é inevitável que ambos se tangenciem, com cenário comum.
Acho bom dar esta notícia, no momento em que o YCB completa seus 75 anos de fundação, parabenizando todos os que comandaram esse barco desde 1935, assim como suas tripulações renovadas a cada dois anos, para a alegria de seus muitos milhares de passageiros e de toda a gente que o vê navegar, belo e elegante.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
LETRA E MÚSICA 11
Alguém tem idéia de quantas pessoas, neste imenso país, compram telas, tintas e pincéis, aventurando-se em técnicas aprendidas ou inventadas e pintando quadros que são devidamente emoldurados?
Quadros que são apenas dados aos filhos, parentes e amigos ou acabam em alguma exposição, na vitrina de uma loja, numa escola ou centro cultural ou, com mais felicidade, numa galeria de arte.
Quantas dessas pessoas podem ser chamadas de “artista plástico”?
Pergunta conseqüente: amador ou profissional?
Todas as pessoas são artistas em potencial. Não só na pintura ou na escultura, como no desenho, na fotografia, na música, na literatura...
Quem compõe é “compositor”, quem escreve é “escritor”.
Já tentaram sindicalizar o artista e não faltou quem criticasse o “escritor de carteirinha”, sem maior consideração pelo público, que já consagrou a forma de dar “diploma” a esse profissional: o sucesso.
Quem é escritor? Aquela pessoa cujos livros são publicados com direitos autorais contratados por alguma editora que os vende bem, em grandes quantidades.
Sem o público que o lê, ninguém é escritor.
Sem o público que ouve suas músicas, ninguém é compositor.
Vá, no entanto, dizer a um mero escrevedor, que ele não é escritor.
Certa vez, vi numa casa, um quadro muito bonito, muito bem pintado, parecia uma fotografia.
Quem o pintou?
O dono da casa não sabia.
A assinatura era ilegível, ele o comprara numa loja de molduras.
O pintor era cliente da loja.
É isto o que chamamos CULTURA. Cabe ao Estado estimulá-la, educando e criando condições de desenvolvimento das manifestações da mente, abrigando os AMADORES e os estimulando com concursos para escolha de trabalhos a serem expostos, publicados e até guardados, a depender do mérito de cada obra.
Assim, se descobre talentos para que se profissionalizem.
Aí, no entanto, acaba a obrigação do Estado.
Promover o profissional no Exterior, para que artistas brasileiros ganhem mercado lá fora, é salutar, do mesmo modo como se promove em feiras, produtos industriais e comerciais, visando a exportação.
Não cabe, contudo, ao Estado promover o profissional na sua cidade, onde mora.
Não porque ele não o mereça, mas porque os recursos devem ser dirigidos para a revelação de outros profissionais e aquele já revelado está capacitado a buscar e ampliar seu mercado, com o patrocínio da iniciativa privada.
É importante cumprir esse processo, sob pena de se fazer “chover no molhado”, isto é, manter um certo grupo cultural – sempre os mesmos – como se mantém grupos políticos no poder – sempre os mesmos – sem chance para mais ninguém.
Não basta pensar nisso. É necessário fazer acontecer.
Quadros que são apenas dados aos filhos, parentes e amigos ou acabam em alguma exposição, na vitrina de uma loja, numa escola ou centro cultural ou, com mais felicidade, numa galeria de arte.
Quantas dessas pessoas podem ser chamadas de “artista plástico”?
Pergunta conseqüente: amador ou profissional?
Todas as pessoas são artistas em potencial. Não só na pintura ou na escultura, como no desenho, na fotografia, na música, na literatura...
Quem compõe é “compositor”, quem escreve é “escritor”.
Já tentaram sindicalizar o artista e não faltou quem criticasse o “escritor de carteirinha”, sem maior consideração pelo público, que já consagrou a forma de dar “diploma” a esse profissional: o sucesso.
Quem é escritor? Aquela pessoa cujos livros são publicados com direitos autorais contratados por alguma editora que os vende bem, em grandes quantidades.
Sem o público que o lê, ninguém é escritor.
Sem o público que ouve suas músicas, ninguém é compositor.
Vá, no entanto, dizer a um mero escrevedor, que ele não é escritor.
Certa vez, vi numa casa, um quadro muito bonito, muito bem pintado, parecia uma fotografia.
Quem o pintou?
O dono da casa não sabia.
A assinatura era ilegível, ele o comprara numa loja de molduras.
O pintor era cliente da loja.
É isto o que chamamos CULTURA. Cabe ao Estado estimulá-la, educando e criando condições de desenvolvimento das manifestações da mente, abrigando os AMADORES e os estimulando com concursos para escolha de trabalhos a serem expostos, publicados e até guardados, a depender do mérito de cada obra.
Assim, se descobre talentos para que se profissionalizem.
Aí, no entanto, acaba a obrigação do Estado.
Promover o profissional no Exterior, para que artistas brasileiros ganhem mercado lá fora, é salutar, do mesmo modo como se promove em feiras, produtos industriais e comerciais, visando a exportação.
Não cabe, contudo, ao Estado promover o profissional na sua cidade, onde mora.
Não porque ele não o mereça, mas porque os recursos devem ser dirigidos para a revelação de outros profissionais e aquele já revelado está capacitado a buscar e ampliar seu mercado, com o patrocínio da iniciativa privada.
É importante cumprir esse processo, sob pena de se fazer “chover no molhado”, isto é, manter um certo grupo cultural – sempre os mesmos – como se mantém grupos políticos no poder – sempre os mesmos – sem chance para mais ninguém.
Não basta pensar nisso. É necessário fazer acontecer.
terça-feira, 18 de maio de 2010
ACHADOS E PERDIDOS 11
Estamos cercados pelas estatísticas. A mídia não vive mais sem elas.
Uma de suas formas mais polêmicas é a das pesquisas eleitorais, feitas por institutos, empresas especializadas e pelos próprios órgãos de imprensa.
Dessa mesma família, é a dos livros mais vendidos, com listas semanais nos principais jornais e revistas do país.
Esse tipo de pesquisa (estatística) pretende revelar preferências, mas acaba induzindo os indecisos e os ignorantes a optar pelos já preferidos por outras pessoas.
Assim, quem está na frente tende a permanecer aí até o fim, porque a quantidade dos que não são suficientemente informados para escolher por si mesmo costuma ser muito maior do que os conscientes, os informados, os estudiosos.
Há países em que se faz estatística para tudo. Dizem que os norte-americanos, sem elas, não saem de casa. Com elas, se determina os riscos de contrair uma doença, ser assaltado numa esquina ou noutra, sofrer um atropelo, ser traído no casamento, ganhar na loteria e assim por diante.
Há muitas, no entanto, ainda por fazer.
Nunca ouvi falar que já se tenha pesquisado os prejuízos oriundos da falta de cumprimento de horário, determinando-se quem não o cumpre, quantas vezes por dia, por semana ou por mês.
Esta é a proposta do blog para os pauteiros, nesta terça-feira.
Passei dois meses na Alemanha, em 1990, onde o horário é cumprido rigorosamente.
Dou um exemplo.
Fui comprar passagem de trem numa estação ferroviária, para uma viagem longa, com antecedência. Havia uma bilheteria específica para esses casos e no seu balcão, uma tabuleta FECHADO e um aviso de que o serviço seria iniciado às 14 horas. Eram 13 horas e 42 minutos. Já havia um homem a espera e eu fui o segundo. A funcionária, sentada numa mesa a datilografar, de frente para a parede e de costas para nós, sequer nos olhava. Nessa parede, um relógio redondo, dos milhares iguais que existiam em todas as estações ferroviárias do país (contei quatro deles numa única plataforma de embarque), marcava as horas, minuto a minuto. Depois de mim, chegaram outras pessoas a se posicionarem em ordem, mas sem fila. Ninguém falou coisa alguma, nem vi cara feia, nem sinal de impaciência. Eu olhava muito para o relógio. O ponteiro das horas já estava quase no 2 e eu o acompanhei até que também chegou ao outro e ambos montaram no 2. A mulher parou de bater na máquina de escrever, voltou-se para o balcão, substituiu a placa por outra – ABERTO – e atendeu ao primeiro homem.
Poderia escrever um livro inteiro com exemplos como este, em todos os setores da vida dos alemães. E não só dos alemães. Os povos mais informados e conseqüentemente mais desenvolvidos sabem que é mais fácil viver assim.
Minha proposta hoje, aqui, é que colunistas escrevam por conta própria e pauteiros programem reportagens sobre o assunto, ouvindo advogados e médicos que raramente atendem clientes e pacientes na hora marcada, emissoras de televisão que não cumprem horários de início e fim de seus programas (a Rede Globo sempre os anuncia para depois do anterior, sem dizer a hora), motoristas dos ônibus que estão sempre atrasados ou adiantados, etc... etc...
Por que não fazer uma estatística, para sabermos qual a categoria profissional que menos cumpre o horário? Talvez assim se chegue à causa do problema.
OBJETIVO: chamar cada um à sua responsabilidade e ao prazer de estar no horário, sem roubar parte, por menor que seja, da vida de ninguém.
Até a próxima terça-feira.
Uma de suas formas mais polêmicas é a das pesquisas eleitorais, feitas por institutos, empresas especializadas e pelos próprios órgãos de imprensa.
Dessa mesma família, é a dos livros mais vendidos, com listas semanais nos principais jornais e revistas do país.
Esse tipo de pesquisa (estatística) pretende revelar preferências, mas acaba induzindo os indecisos e os ignorantes a optar pelos já preferidos por outras pessoas.
Assim, quem está na frente tende a permanecer aí até o fim, porque a quantidade dos que não são suficientemente informados para escolher por si mesmo costuma ser muito maior do que os conscientes, os informados, os estudiosos.
Há países em que se faz estatística para tudo. Dizem que os norte-americanos, sem elas, não saem de casa. Com elas, se determina os riscos de contrair uma doença, ser assaltado numa esquina ou noutra, sofrer um atropelo, ser traído no casamento, ganhar na loteria e assim por diante.
Há muitas, no entanto, ainda por fazer.
Nunca ouvi falar que já se tenha pesquisado os prejuízos oriundos da falta de cumprimento de horário, determinando-se quem não o cumpre, quantas vezes por dia, por semana ou por mês.
Esta é a proposta do blog para os pauteiros, nesta terça-feira.
Passei dois meses na Alemanha, em 1990, onde o horário é cumprido rigorosamente.
Dou um exemplo.
Fui comprar passagem de trem numa estação ferroviária, para uma viagem longa, com antecedência. Havia uma bilheteria específica para esses casos e no seu balcão, uma tabuleta FECHADO e um aviso de que o serviço seria iniciado às 14 horas. Eram 13 horas e 42 minutos. Já havia um homem a espera e eu fui o segundo. A funcionária, sentada numa mesa a datilografar, de frente para a parede e de costas para nós, sequer nos olhava. Nessa parede, um relógio redondo, dos milhares iguais que existiam em todas as estações ferroviárias do país (contei quatro deles numa única plataforma de embarque), marcava as horas, minuto a minuto. Depois de mim, chegaram outras pessoas a se posicionarem em ordem, mas sem fila. Ninguém falou coisa alguma, nem vi cara feia, nem sinal de impaciência. Eu olhava muito para o relógio. O ponteiro das horas já estava quase no 2 e eu o acompanhei até que também chegou ao outro e ambos montaram no 2. A mulher parou de bater na máquina de escrever, voltou-se para o balcão, substituiu a placa por outra – ABERTO – e atendeu ao primeiro homem.
Poderia escrever um livro inteiro com exemplos como este, em todos os setores da vida dos alemães. E não só dos alemães. Os povos mais informados e conseqüentemente mais desenvolvidos sabem que é mais fácil viver assim.
Minha proposta hoje, aqui, é que colunistas escrevam por conta própria e pauteiros programem reportagens sobre o assunto, ouvindo advogados e médicos que raramente atendem clientes e pacientes na hora marcada, emissoras de televisão que não cumprem horários de início e fim de seus programas (a Rede Globo sempre os anuncia para depois do anterior, sem dizer a hora), motoristas dos ônibus que estão sempre atrasados ou adiantados, etc... etc...
Por que não fazer uma estatística, para sabermos qual a categoria profissional que menos cumpre o horário? Talvez assim se chegue à causa do problema.
OBJETIVO: chamar cada um à sua responsabilidade e ao prazer de estar no horário, sem roubar parte, por menor que seja, da vida de ninguém.
Até a próxima terça-feira.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
DESORDEM E REGRESSO 11
Vi e ouvi, na televisão, que se o Brasil quisesse fazer a Copa do Mundo hoje, já poderia, porque para quem organiza e realiza o campeonato brasileiro (séries A e B) e a Copa do Brasil, ao mesmo tempo, o campeonato mundial da FIFA é apenas um pequeno torneio.
Quem disse isso, no entanto, acrescentou que o problema não estaria nos estádios, mas nas cidades que recebessem os jogos, sem meios, vias e terminais de transportes nas dimensões e condições exigidas pelos torcedores que viriam de todo o mundo.
A COMEÇAR PELOS AEROPORTOS.
Quando se fala nos terminais aéreos, pensa-se em pistas de pouso e de rolamento, assim como em prédios. Na reportagem especial “Entre o Céu e o Inferno”, dos repórteres Carolina Romanini, Alexandre Salvador e Ronaldo Soares (VEJA, 7 de abril de 2010), mostra-se que os aeroportos brasileiros estão com terminal de passageiros, pátios de estacionamento de aeronaves e pistas de pouso SATURADOS.
Este não é um problema apenas brasileiro, contudo, mas aqui é mais grave e será muito maior durante uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, porque as obras são feitas para inauguração eventualmente, quando deveriam ser feitas periodicamente.
Pode-se até imaginar que os recursos são insuficientes, mas o fato é que o são porque não há planejamento e há muito desperdício e corrupção nos processos de licitação, construção e compras, segundo denúncias mostradas na imprensa.
Repercussão maior, no entanto, não se deve a esse trio da infra-estrutura pesada, mas em pequenas coisas que fazem a diferença e irritam os passageiros, principalmente os estrangeiros acostumados a não ver o descaso e sofrer por causa dele em seus países.
A mesma citada reportagem dá exemplos, como o das esteiras que danificam as malas nos aeroportos de Curitiba e Salvador. Isto irrita mais um passageiro do que deixá-lo no pátio por meia hora, a espera de autorização para seu avião encostar no terminal, apesar do custo de substituição da esteira ser desprezível, comparado ao da construção de mais uma pista.
A soma dos pequenos (e muitos) problemas em terra transformam o que seria uma viagem dos sonhos num martírio agora gravado nos celulares e mostrado aos familiares e amigos, em todo o planeta, quando fazemos algo que atrai gente de muitos países.
Atestam, esses incômodos e prejuízos, a nossa barbárie, a nossa desordem, o nosso regresso como civilização que produz aviões a jato e não sabe cuidar de aeroportos, estradas, avenidas, ruas, quase todos sem conforto e segurança, nos níveis aceitáveis.
Não devemos esquecer que somos os inventores dos aparelhos de voar.
Começava o século XVIII, quando Bartholomeu Lourenço inventava na Bahia o aeróstato, o aparelho que seria aumentado pelos irmãos Montgolfier sete décadas depois para proporcionar o primeiro vôo do homem, em balão.
Dois séculos depois, era o brasileiro Alberto Santos Dumont, quem dava dirigibilidade a esse balão e construía o primeiro avião a decolar com recursos próprios, em Paris.
Temos, portanto, obrigação moral de mostrar para o mundo que progredimos e não, que estamos regredindo.
É, portanto, urgente, preparar nossos aeroportos para nós próprios e assim recebermos bem nossos visitantes, aproveitando para mostrar aos que voam, quem foram esses dois nossos inventores, com grandes murais nas paredes e réplicas de seus aparelhos no saguão de cada terminal aéreo do Brasil.
PRECISAMOS, TODOS, PRESSIONAR AS AUTORIDADES NESSE SENTIDO.
AGORA!
Quem disse isso, no entanto, acrescentou que o problema não estaria nos estádios, mas nas cidades que recebessem os jogos, sem meios, vias e terminais de transportes nas dimensões e condições exigidas pelos torcedores que viriam de todo o mundo.
A COMEÇAR PELOS AEROPORTOS.
Quando se fala nos terminais aéreos, pensa-se em pistas de pouso e de rolamento, assim como em prédios. Na reportagem especial “Entre o Céu e o Inferno”, dos repórteres Carolina Romanini, Alexandre Salvador e Ronaldo Soares (VEJA, 7 de abril de 2010), mostra-se que os aeroportos brasileiros estão com terminal de passageiros, pátios de estacionamento de aeronaves e pistas de pouso SATURADOS.
Este não é um problema apenas brasileiro, contudo, mas aqui é mais grave e será muito maior durante uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada, porque as obras são feitas para inauguração eventualmente, quando deveriam ser feitas periodicamente.
Pode-se até imaginar que os recursos são insuficientes, mas o fato é que o são porque não há planejamento e há muito desperdício e corrupção nos processos de licitação, construção e compras, segundo denúncias mostradas na imprensa.
Repercussão maior, no entanto, não se deve a esse trio da infra-estrutura pesada, mas em pequenas coisas que fazem a diferença e irritam os passageiros, principalmente os estrangeiros acostumados a não ver o descaso e sofrer por causa dele em seus países.
A mesma citada reportagem dá exemplos, como o das esteiras que danificam as malas nos aeroportos de Curitiba e Salvador. Isto irrita mais um passageiro do que deixá-lo no pátio por meia hora, a espera de autorização para seu avião encostar no terminal, apesar do custo de substituição da esteira ser desprezível, comparado ao da construção de mais uma pista.
A soma dos pequenos (e muitos) problemas em terra transformam o que seria uma viagem dos sonhos num martírio agora gravado nos celulares e mostrado aos familiares e amigos, em todo o planeta, quando fazemos algo que atrai gente de muitos países.
Atestam, esses incômodos e prejuízos, a nossa barbárie, a nossa desordem, o nosso regresso como civilização que produz aviões a jato e não sabe cuidar de aeroportos, estradas, avenidas, ruas, quase todos sem conforto e segurança, nos níveis aceitáveis.
Não devemos esquecer que somos os inventores dos aparelhos de voar.
Começava o século XVIII, quando Bartholomeu Lourenço inventava na Bahia o aeróstato, o aparelho que seria aumentado pelos irmãos Montgolfier sete décadas depois para proporcionar o primeiro vôo do homem, em balão.
Dois séculos depois, era o brasileiro Alberto Santos Dumont, quem dava dirigibilidade a esse balão e construía o primeiro avião a decolar com recursos próprios, em Paris.
Temos, portanto, obrigação moral de mostrar para o mundo que progredimos e não, que estamos regredindo.
É, portanto, urgente, preparar nossos aeroportos para nós próprios e assim recebermos bem nossos visitantes, aproveitando para mostrar aos que voam, quem foram esses dois nossos inventores, com grandes murais nas paredes e réplicas de seus aparelhos no saguão de cada terminal aéreo do Brasil.
PRECISAMOS, TODOS, PRESSIONAR AS AUTORIDADES NESSE SENTIDO.
AGORA!
domingo, 16 de maio de 2010
PROPOSTA E RESPOSTA 10
Vivemos mergulhados num mar de propostas e respostas.
A cada momento, estamos fazendo as nossas e recebendo as das outras pessoas com as quais convivemos.
Há propostas construtivas e destrutivas, algumas feitas com interesses egoístas, outras altruístas, assim como as respostas também são dadas com objetivos de educar ou de enganar.
No fundo, tudo depende de quem propõe ou responde, porque mesmo uma resposta destrutiva pode ser de interesse altruísta, como acontece, quando queremos por abaixo um governo corrupto, em benefício de toda a sociedade.
Nesta semana, que passou, li alguma coisa relativa a arrogância de alguém que se colocava como dono da verdade, isto é, como se só a sua verdade fosse digna de consideração, não se devendo ouvir o que outros teriam a dizer. Ao fim, a informação de que o "arrogante" dizia ser problema do leitor acatar aquela opinião ou não.
Ora!
Não foi esta a primeira vez em que li ou ouvi comentários negativos contra a arrogância, mas foi a primeira que me levou ao dicionário do Aurélio. Eu próprio já havia escrito contra ela.
Só encontrei lá, no entanto, coisas boas: altivez, amor-próprio, brio, nobreza, orgulho e coisas assim.
Evidentemente, há que se considerar que tais coisas devem estar bem dosadas. Como tudo. O excesso sempre é negativo, prejudicial.
O comentário acima citado nos leva à idéia de que não devemos deixar que as pessoas se mantenham em erro, cabendo-nos estar atentos para que não se prejudiquem. Assim, deixá-las errar, sugerindo-se ser problema apenas delas aceitar ou não uma idéia ou um conhecimento novo, seria uma atitude menor, um indicativo de mau caráter, de alguém que não se preocupa com os outros.
Em verdade, a arrogância é uma característica positiva, no sentido de que só a deve assumir quem tem consciência de estar certo. Negativo, seria fazê-lo sem essa certeza, sem essa consciência, induzindo outras pessoas ao erro.
Não nos esqueçamos, que Deus é arrogante, quando nos impõe suas leis e não as negocia, nem perdoa quem as contraria.
Imaginem um de nós a se lançar da janela num décimo andar, sem asas nem pára-quedas, com o objetivo de voar, contrariando a lei da gravidade.
Essa lei ou qualquer outra sequer foi comunicada por Deus, que nos deixou descobri-la com nossa própria experiência. Para isso vivemos: para experimentar, sofrer e aprender.
O problema, realmente, é só nosso. Ele não interfere, não nos protege. É evidente que Deus é arrogante. Pode e deve sê-lo.
Quem critica alguém por ser arrogante, sem verificar se essa pessoa pode e deve ser arrogante, é apenas um leviano, um irresponsável, talvez um invejoso intelectual a vilipendiar indevidamente.
A arrogância é portanto uma característica positiva. Como ser rico ou bonito, o é.
O negativo é parecer arrogante sem o ser, como é negativo fingir que se é rico, virtuoso ou belo.
Atenção, portanto, para quem acusa alguém de arrogância, como coisa pejorativa.
Pode ser resultado de um interesse mesquinho, uma proposta de destruição, que merece a melhor resposta: a denúncia.
Uma boa semana para todos.
A cada momento, estamos fazendo as nossas e recebendo as das outras pessoas com as quais convivemos.
Há propostas construtivas e destrutivas, algumas feitas com interesses egoístas, outras altruístas, assim como as respostas também são dadas com objetivos de educar ou de enganar.
No fundo, tudo depende de quem propõe ou responde, porque mesmo uma resposta destrutiva pode ser de interesse altruísta, como acontece, quando queremos por abaixo um governo corrupto, em benefício de toda a sociedade.
Nesta semana, que passou, li alguma coisa relativa a arrogância de alguém que se colocava como dono da verdade, isto é, como se só a sua verdade fosse digna de consideração, não se devendo ouvir o que outros teriam a dizer. Ao fim, a informação de que o "arrogante" dizia ser problema do leitor acatar aquela opinião ou não.
Ora!
Não foi esta a primeira vez em que li ou ouvi comentários negativos contra a arrogância, mas foi a primeira que me levou ao dicionário do Aurélio. Eu próprio já havia escrito contra ela.
Só encontrei lá, no entanto, coisas boas: altivez, amor-próprio, brio, nobreza, orgulho e coisas assim.
Evidentemente, há que se considerar que tais coisas devem estar bem dosadas. Como tudo. O excesso sempre é negativo, prejudicial.
O comentário acima citado nos leva à idéia de que não devemos deixar que as pessoas se mantenham em erro, cabendo-nos estar atentos para que não se prejudiquem. Assim, deixá-las errar, sugerindo-se ser problema apenas delas aceitar ou não uma idéia ou um conhecimento novo, seria uma atitude menor, um indicativo de mau caráter, de alguém que não se preocupa com os outros.
Em verdade, a arrogância é uma característica positiva, no sentido de que só a deve assumir quem tem consciência de estar certo. Negativo, seria fazê-lo sem essa certeza, sem essa consciência, induzindo outras pessoas ao erro.
Não nos esqueçamos, que Deus é arrogante, quando nos impõe suas leis e não as negocia, nem perdoa quem as contraria.
Imaginem um de nós a se lançar da janela num décimo andar, sem asas nem pára-quedas, com o objetivo de voar, contrariando a lei da gravidade.
Essa lei ou qualquer outra sequer foi comunicada por Deus, que nos deixou descobri-la com nossa própria experiência. Para isso vivemos: para experimentar, sofrer e aprender.
O problema, realmente, é só nosso. Ele não interfere, não nos protege. É evidente que Deus é arrogante. Pode e deve sê-lo.
Quem critica alguém por ser arrogante, sem verificar se essa pessoa pode e deve ser arrogante, é apenas um leviano, um irresponsável, talvez um invejoso intelectual a vilipendiar indevidamente.
A arrogância é portanto uma característica positiva. Como ser rico ou bonito, o é.
O negativo é parecer arrogante sem o ser, como é negativo fingir que se é rico, virtuoso ou belo.
Atenção, portanto, para quem acusa alguém de arrogância, como coisa pejorativa.
Pode ser resultado de um interesse mesquinho, uma proposta de destruição, que merece a melhor resposta: a denúncia.
Uma boa semana para todos.
sábado, 15 de maio de 2010
FÍSICA E PSIQUICA 10
Não há ciência sem filosofia, como não há tecnologia sem ciência.
Tecnologia é ciência aplicada.
Ciência é filosofia aplicada.
Não há, portanto, cientista que também não seja filósofo, na elaboração de suas conjecturas, hipóteses e teorias, a partir das quais orienta suas experiências.
No sábado passado, deixei-os com uma promessa, que hoje apenas começO a cumprir:
“O que se tem é a consciência do passado, na memória dos EGOS, podendo cada um destes projetar seu futuro e tentar realizá-lo, na medida em que pode projetar sua realidade, inserida numa atualidade mais ampla (nas direções), sem duração. Fica esta observação agora, para explicação posterior.”
Também disse:
“Seja eu um elétron ou o próprio Deus (todo o Universo), sem a duração, apenas sinto minha existência na atualidade, como INDIVÍDUO ou EGO porque não há o outro e não havendo o outro não há dimensão entre dois, numa direção qualquer.”
Meu EGO, para mim, “sou eu”. Seu EGO, para mim, “é você”.
Volto a dizer:
“Falando de ESPAÇO em quatro dimensões, qualquer distância pode ser entre “eu” e “você”, mas também pode ser entre “eu” e “eu”. Será entre “eu” e “você”, se a dimensão for marcada em uma das três DIREÇÕES do espaço. Será entre “eu” e “eu”, se for marcada apenas na DURAÇÃO do espaço.”
Já está muito claro, portanto, que, entre “eu” e “eu” não há direção, mas PODE haver duração. Isto significa que na ATUALIDADE (sentimento “sou”, sem duração da consciência e portanto sem conhecimento), “eu” sou apenas um ponto, apenas com posição; mas na REALIDADE (conhecimento “estou”, com duração da consciência) “eu” sou uma distância entre duas posições: ANTES e DEPOIS.
Minha “essência” vira “existência”. Diz-se que “eu” existo ENTRE duas posições da consciência, com uma duração desta.
Podemos, agora, grafar que EXISTÊNCIA É CONHECIMENTO, A CONSCIÊNCIA COM DURAÇÃO.
A consciência do “eu”, do “você” e do “ele”.
Estamos introduzindo um terceiro ponto, que não está na DIREÇÃO entre “eu e “você”, isto é, na mesma LINHA reta.
Evidentemente, há assim uma distância entre “eu” e “você” numa reta e outra distância entre essa reta e “ele”, numa outra reta perpendicular à primeira.
Atenção!
Qualquer que seja a posição de “ele” (um ponto no espaço), essas duas retas assim perpendiculares, com quaisquer distâncias marcadas nelas, nos dão um PLANO.
Esses três EGOS (três posições no espaço), cada um deles com o sentimento (na atualidade) de si próprio e o conhecimento (na realidade) de si próprio e dos demais, sendo ligados entre si, formam um TRIÂNGULO, com duas dimensões (cada uma em uma direção perpendicular à outra), que no caso particular do triângulo chamamos de “base” e “altura”.
Mais atenção!
Esse TRIÂNGULO formado por três pontos (três egos) É UM EGO MAIS COMPLEXO DO QUE CADA UM DOS OUTROS TRÊS, separadamente, porque tem uma consciência mais complexa (três posições e duas direções) do que o SEGMENTO DE RETA formado por dois apenas (duas posições e uma direção) e por cada um deles, PONTO (apenas uma posição.
E se tivermos um quarto ponto, um “alguém” fora desse triângulo, fora desse plano?
É o que veremos no próximo sábado.
Tecnologia é ciência aplicada.
Ciência é filosofia aplicada.
Não há, portanto, cientista que também não seja filósofo, na elaboração de suas conjecturas, hipóteses e teorias, a partir das quais orienta suas experiências.
No sábado passado, deixei-os com uma promessa, que hoje apenas começO a cumprir:
“O que se tem é a consciência do passado, na memória dos EGOS, podendo cada um destes projetar seu futuro e tentar realizá-lo, na medida em que pode projetar sua realidade, inserida numa atualidade mais ampla (nas direções), sem duração. Fica esta observação agora, para explicação posterior.”
Também disse:
“Seja eu um elétron ou o próprio Deus (todo o Universo), sem a duração, apenas sinto minha existência na atualidade, como INDIVÍDUO ou EGO porque não há o outro e não havendo o outro não há dimensão entre dois, numa direção qualquer.”
Meu EGO, para mim, “sou eu”. Seu EGO, para mim, “é você”.
Volto a dizer:
“Falando de ESPAÇO em quatro dimensões, qualquer distância pode ser entre “eu” e “você”, mas também pode ser entre “eu” e “eu”. Será entre “eu” e “você”, se a dimensão for marcada em uma das três DIREÇÕES do espaço. Será entre “eu” e “eu”, se for marcada apenas na DURAÇÃO do espaço.”
Já está muito claro, portanto, que, entre “eu” e “eu” não há direção, mas PODE haver duração. Isto significa que na ATUALIDADE (sentimento “sou”, sem duração da consciência e portanto sem conhecimento), “eu” sou apenas um ponto, apenas com posição; mas na REALIDADE (conhecimento “estou”, com duração da consciência) “eu” sou uma distância entre duas posições: ANTES e DEPOIS.
Minha “essência” vira “existência”. Diz-se que “eu” existo ENTRE duas posições da consciência, com uma duração desta.
Podemos, agora, grafar que EXISTÊNCIA É CONHECIMENTO, A CONSCIÊNCIA COM DURAÇÃO.
A consciência do “eu”, do “você” e do “ele”.
Estamos introduzindo um terceiro ponto, que não está na DIREÇÃO entre “eu e “você”, isto é, na mesma LINHA reta.
Evidentemente, há assim uma distância entre “eu” e “você” numa reta e outra distância entre essa reta e “ele”, numa outra reta perpendicular à primeira.
Atenção!
Qualquer que seja a posição de “ele” (um ponto no espaço), essas duas retas assim perpendiculares, com quaisquer distâncias marcadas nelas, nos dão um PLANO.
Esses três EGOS (três posições no espaço), cada um deles com o sentimento (na atualidade) de si próprio e o conhecimento (na realidade) de si próprio e dos demais, sendo ligados entre si, formam um TRIÂNGULO, com duas dimensões (cada uma em uma direção perpendicular à outra), que no caso particular do triângulo chamamos de “base” e “altura”.
Mais atenção!
Esse TRIÂNGULO formado por três pontos (três egos) É UM EGO MAIS COMPLEXO DO QUE CADA UM DOS OUTROS TRÊS, separadamente, porque tem uma consciência mais complexa (três posições e duas direções) do que o SEGMENTO DE RETA formado por dois apenas (duas posições e uma direção) e por cada um deles, PONTO (apenas uma posição.
E se tivermos um quarto ponto, um “alguém” fora desse triângulo, fora desse plano?
É o que veremos no próximo sábado.
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