sexta-feira, 7 de maio de 2010

AVES E NAVES 09

Para Aurélio Buarque de Holanda, em seu dicionário, “inventar” é “ser o primeiro a ter a idéia de”, mas também, “descobrir, achar”. Quem inventa, é inventor.
O simples documento apresentado neste blog na sexta-feira passada (AVES E NAVES 08), uma certidão assinada pelo padre Alexandre de Gusmão, já é suficiente para provar ter sido, Bartholomeu Lourenço, o primeiro a ter a idéia de usar um cano para transportar vapor d’água, naturalmente se elevando até ser resfriado num anteparo, transformando-se ali em gotas, que se se acumulavam e precipitavam num tanque para posterior utilização no seminário jesuíta de Belém da Cachoeira.

Não inventou o processo, já conhecido milenarmente para a destilação de líquidos que se queria separar, mas teve a idéia, pela primeira vez, de utilizá-lo para o transporte vertical, ascendente, de um líquido.
Só isso já o faria o primeiro inventor das Américas, com patente do seu invento dado em reunião oficial da Câmara da Bahia, em 12 de dezembro de 1705, da qual se tem ata manuscrita e publicada pela Prefeitura Municipal de Salvador (ver “Documentos Históricos do Arquivo Municipal – Atas da Câmara” – 1700/1718 – 7º volume – Bahia/1984).

Não se conhece outro documento, de qualquer invento realizado nas Américas, antes desta data.

Como será aqui mostrado na próxima sexta-feira, há um outro documento, de 1709, que comprova um segundo invento, com patente (privilégio) fornecido pelo próprio Rei D. João V, de Portugal, referente à esfera de ar quente cuja ascensão seria demonstrada em Lisboa – gerando outros documentos testemunhais – em 5 de agosto daquele ano.
Também este é anterior a qualquer outro, nas Américas, confirmando ser, portanto o santista, brasileiro e português Bartholomeu Lourenço (depois acrescentando “de Gusmão”) o primeiro inventor americano (sul-americano).
Embora esta demonstração tenha sido feita na Europa, o invento realizou-se, conforme foi mostrado aqui na sexta-feira passada, em Belém da Cachoeira, na Bahia, Brasil.

Não há documento conhecido que trate dos fatos e feitos entre 1701 (quando o noviço Bartholomeu demitiu-se ou foi demitido do seminário) e 1705, ou entre este ano e 1709.
Sabe-se, por documentação conhecida, que ele esteve em Portugal em 1701, mas essa papelada não fala da esfera de ar quente, apenas enaltecendo o jovem brasileiro que criava uma certa agitação na corte e na própria cidade de Lisboa.
Ainda temos de examinar acuradamente esses papéis em busca de uma indicação segura de que já então estava inventado o aeróstato.

No ano passado, comemorou-se o tricentenário do balão de ar quente, assim inventado, mas é preciso dizer que essa data ainda é provisória porque certamente não é a do invento e sim da primeira ascensão pública após a concessão do privilégio.
Temos de procurar o momento da descoberta do efeito do ar quente a elevar uma esfera oca, ainda que esta tenha sido apenas um saco com a boca para baixo.
Qualquer dúvida, contudo, não tira o privilégio de Bartholomeu Lourenço como inventor e nem o de ser o primeiro das Américas, isto é, o primeiro americano a ter um invento patenteado e reconhecido em sua utilidade prática, por quantos testemunharam sua performance, com os necessários documentos.

Comprovada essa primazia, temos agora de divulgá-la, o mais amplamente possível, convocando os educadores a tratar do assunto em sala de aula e realizar os eventos comemorativos necessários, seja da primeira ascensão pública comprovada (5 de agosto de 1709), seja a do nascimento de Bartholomeu (nascido e batizado em dezembro de 1685).
Que se marque, portanto, para este ano de 2010, os seus 325 anos de nascimento, não só na cidade de Santos, onde nasceu, mas em todo o Brasil e até mesmo em Portugal.

Voltem na próxima sexta-feira.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ONDE E QUANDO 09

Há dois dias, ou melhor, na noite de antes de ontem, os astrônomos amadores buscaram Marte no céu por um motivo especial: o fechamento do laço retrógrado que vinha desenhando na constelação de Câncer desde 12 de outubro do ano passado.
Nada de complicado para o homem comum, que nada entende de astronomia.
Vou explicar isso, aqui e agora, passo a passo.

Olhar para o céu à noite é cada vez mais frustrante nas grandes cidades, por causa das luzes desta que iluminam também a atmosfera e assim eliminam a principal condição para o aparecimento das estrelas: a escuridão.
Conta-se que um habitante que nasceu numa grande cidade e nunca saiu dela, em uma noite, sendo atingido, pela primeira vez, por um “black-out”, entre surpreso e amedrontado pela falta de luz, chegou à janela e olhou para o céu, enfrentando um momento de terror. Correu para o telefone e avisou à Polícia: “Estamos sendo invadidos por milhares de naves extraterrenas!”
Era a sua primeira visão das estrelas.

Em verdade, o homem urbano não olha mais para o céu à noite, salvo para ver a Lua Cheia, sempre gloriosa e dominante na paisagem.
Só nos lugares mais escuros, como os bosques ou as praias não iluminadas, ainda se pode observar as constelações, que são aqueles conjuntos de estrelas que formam quase figuras, por se ver apenas as mais brilhantes (diz-se “de maior magnitude”).
Entre tantas constelações, há uma que se chama “Câncer”, não por causa da doença, mas pela sua forma semelhante a um caranguejo.
Na astrologia, é o quarto signo do zodíaco, das pessoas que nascem entre 21 de junho e 22 de julho.
Neste momento, por volta das 22 horas, pode ser vista pouco acima do horizonte oeste.

Pois bem! Marte está ali, um pouco acima das suas principais estrelas. Parece uma estrela amarelada, mas com sua luz firme (as estrelas piscam).
Os planetas mudam de posição no céu, noite após noite, fazendo o seu caminho, sempre junto ou sobre a linha da eclíptica (a trajetória do Sol no céu). Passeiam assim pelas constelações do zodíaco.
Há casos e momentos, no entanto, em que param e voltam até um certo ponto, de onde retomam sua rota normal, realizando uma figura arredondada, como se fosse um laço, que se pode acompanhar noite após noite, olhando-se para sua posição em relação às estrelas ao fundo.
Percebe-se isso muito bem no campo, onde se vê muito mais estrelas no céu do que nas cidades.
Esse fenômeno ocorre porque os planetas têm órbitas em volta do Sol e uns passam pelos outros, por estarem mais próximos deste.
Assim, ao passar por Marte, a Terra o observa como se ele parasse e ficasse para trás, fazendo o caminho de volta no céu, até novamente parar e retomar sua rota aparente na eclíptica.
A isso, os astrônomos chamam de “laço retrógrado”.
Na noite de 4 de maio, esse laço se fechou e hoje Marte já está no seu caminho habitual, novamente.
Quando se obtém o conhecimento, se ganha mais consciência e o ego evolui mais um pouco.
É fundamental saber onde e quando tudo acontece.

Voltem na próxima quinta-feira.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

LETRA E MÚSICA 09

Estamos nós, seres humanos, aproveitando todo o potencial de nossos equipamentos físicos?
Falo de coisas conhecidas, mas pouco divulgadas e ainda menos, discutidas.
Além das funções motoras, que nos permitem ir a todos os lugares desejados, temos as reprodutoras e outras tantas, mas em especial, cinco sentidos para perceber o ambiente que nos cerca, com todas as suas maravilhas.
Abrimos os olhos e temos as formas e cores em milhares de combinações.
Fechamos os olhos e ouvimos os ruídos e os sons que nos cercam, desagradáveis e agradáveis.
Deixamos estes dois de lado e sentimos os odores das pessoas suadas, das rosas num canteiro ou da comida que se faz numa esquina.
Resolvemos ir até essa esquina e colocar na boca aquilo que está sendo feito, para logo esquecer de tudo e nos concentrarmos na excitação que as substâncias trazem à nossa língua, fazendo-nos salivar de prazer.
Aí, encontramos uma pessoa amiga, tocamos em sua mão e em seu rosto, até mesmo abraçando-a, antes de pegar no talher e fazer a refeição, também assim percebendo o outro, pelo tato.
Se os cegos e os surdos valorizam demais estes três últimos sentidos, a grande maioria da população cultiva apenas a leitura e a música.

A vida agitada, o cotidiano dos compromissos, a agenda entupida, a necessidade de ganhar dinheiro para pagar as contas, tudo contribui para que nos esqueçamos de olhar, ouvir e sentir o que existe ou acontece em volta de nós.
Aí, passamos numa livraria e levamos um livro novo para casa, de um autor que profissionalmente vê, ouve e sente. Lemos o seu texto porque não temos tempo para fazer o que ele fez, experimentando a vida e anotando o que sua sensibilidade percebeu, não só com a visão e a audição, mas igualmente com o olfato, o paladar e o tato.

Mas as coisas estão mudando.

Com as novas tecnologias eletrônicas, a audição se associa à visão de imagens para narrar, informar e explicar, melhor do que o fazem os textos literários.
Prescindirá, o homem, da leitura, um dia?
O conforto intelectual traz a preguiça mental.
Quão mais confortável for a obtenção da informação, mais superficial será ela.
Com toda a mais avançada tecnologia, esta tende a substituir a leitura pelo som (musical ou informativo) associado à imagem pronta (sem necessidade de criá-la na mente) e é aí que mora o perigo.

SEM A LEITURA, TODA CULTURA SE SIMPLIFICA. VIRA FOLCLORE. ELETRÔNICO.

Ainda mais: a leitura nos desperta para o detalhe. Eu passo diariamente por uma esquina e não dou importância a ela, não me detenho para ver, apenas olhando-a como um referencial para o meu movimento, a pé.
Aí, alguém escreve sobre ela e eu leio que há ali um vendedor de pamonhas, milho cozido e amendoim.

“As pessoas param para comprar. O odor inconfundível do milho me provoca e a mulher que o pega com a mão, levando-o à boca faz-me salivar. O homem usa luvas para tirar do carrinho duas pamonhas de carimã, que logo são colocadas num pequeno saco plástico incolor e transparente. O velho as toma com a mão esquerda e paga com duas moedas de um real, deixando aberta a mão direita para receber o troco. Rápida e lépida, a mãe puxa o menino que fala: “Eu quero amendoim!” Antes de terminar a frase, já havia dobrado a esquina com a cabeça voltada para os pacotes expostos, substituídos no seu campo visual, pelo muro da casa. Sentiu o gostinho da guloseima, como se a tivesse comido. Fez uma careta de choro e continuou andando. Puxado pela mão. Olhando para trás. Em silêncio.”
A vida é assim. Tem cheiro, tem gosto, tem tato, tem paisagens e ruídos.
Todos maravilhosos, se temos tempo para perceber.
Como não o temos, compramos livros e lemos sobre as experiências de seus autores.

Até a próxima quarta-feira.

terça-feira, 4 de maio de 2010

ACHADOS E PERDIDOS 09

Ontem foi a data limite determinada pela FIFA para o início das obras nos estádios brasileiros que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014.
Para mostrar que cumpre o cronograma, na Bahia, o governo estadual mandou colocar tapumes em volta do Estádio da Fonte Nova.
Fui lá, para conferir.
Encontrei alguns atletas máster de natação, saindo da área da piscina e queixando-se de que foram expulsos na hora em que os operários iniciavam o fechamento, sem que houvesse aviso prévio algum.
Parece que foi uma decisão abrupta, só para mostrar cumprimento do prazo, quando se sabe que o Ministério Público não permite a implosão do velho estádio, sem que seja feito um estudo de sua repercussão nos prédios vizinhos. É claro que vai demorar muito para que as obras ali sejam “iniciadas”.
A FIFA já ameaça entregar a realização da Copa do Mundo de 2014 para os Estados Unidos, se os governantes brasileiros continuarem "enrolando" e fazendo seu próprio cronograma.

Por outro lado, a pouco mais de um mês do início da décima nona Copa do Mundo de Futebol, na África do Sul, já dá para sentir a diferença enorme do que ocorria quando a competição aconteceu nos países da Europa.

Está aí uma sugestão para pauteiros da mídia de todo o Brasil: por que quase não se está falando na seleção brasileira e na competição que se realizará em junho?
Terminados os campeonatos estaduais no domingo passado, nesta semana ainda se disputam as quartas de final da Copa do Brasil com grandes clássicos interestaduais e já começarão os jogos do campeonato brasileiro de 2010.
Quem vai ter mais mídia de agora em diante: a Copa do Mundo ou as do Brasil?

Não é preciso fazer grandes exercícios intelectuais para se chegar a um primeiro dado: tem menos propaganda na televisão sobre os jogos da África do Sul, do que tinha, um mês e meio antes da competição na Alemanha em 2006.
Falta de confiança dos anunciantes?
Parece que os estádios africanos vão receber quase apenas torcedores africanos, tal o desinteresse, por exemplo, dos europeus, em ir até lá. E não só deles.
A propaganda sul-africana é muito pobre, não promete muito ao turista e nem ao torcedor. Há uma centralização na política e nos políticos de lá.
Fala-se mais neles do que nos jogadores.

Dizem que, quem vê a barba do vizinho arder, põe a sua de molho.
A próxima Copa, depois desta, será no Brasil. Não devemos cometer os mesmos erros. O presidente do país-sede deve aparecer apenas no momento de abrir os jogos (sem receber vaias).
Faturar ideologias através do esporte sempre derruba os políticos que o fazem.

Quais são as chances da seleção brasileira, em 2010 e em 2014?
Sugestão de pauta: matéria bem pesquisada e documentada sobre nossas possibilidades reais, sem ufanismo, para evitar decepções como as ocorridas com a eliminação pela França nas quartas de final da última Copa, ou aquela outra pela Argentina, nas oitavas, em 1990 (na Itália). Sem falar na final perdida para os italianos em 1982 (aquela foi a melhor seleção brasileira)e na eliminação,invicta, na Argentina em 1978.

Atenção, pauteiros! Vamos perguntar aos brasileiros que sofreram e ainda se lembram da derrota em 1950 no Maracanã, na final:

O BRASIL TEM OBRIGAÇÃO DE VENCER A COPA DE 2014?
SE O BRASIL FOR CAMPEÃO EM 2010, NA ÁFRICA DO SUL, VAI TER DE SER BI-CAMPEÃO EM 2014, NO BRASIL? OS TÉCNICOS E ATLETAS DOS DEMAIS PAÍSES VÃO DEIXAR QUE ISSO OCORRA?

Voltem na próxima terça-feira. Achem aqui as pautas que outros pauteiros perderão, por não lerem este blog.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DESORDEM E REGRESSO 09

A televisão, no Brasil, está dividida em canais para o povão ignorante e canais para o povo educado.
O povão ignorante só tem dinheiro para a sobrevivência da família e assim, não paga para ver televisão. Acessa os canais ditos “abertos”, investindo apenas na compra do televisor, para ver novela, futebol, noticiários populares (crimes e acidentes de trânsito locais, política nacional e desastres em outros países).
O povo educado exige mais e quer informação privilegiada, que lhe permite produzir mais e melhor e ganhar mais dinheiro, com o qual paga para ter acesso aos chamados canais “fechados”, alguns dos quais desprezíveis (com programas do tipo "Big Brother") e outros que são os mesmos canais abertos; mas também outros, que oferecem apenas filmes (os melhores nos horários em que o público menos exigente está dormindo ou trabalhando) ou somente notícias, além dos canais de documentários geográficos, históricos, científicos, com a discussão mais recente sobre os temas mais polêmicos, de abrangência mundial, para pessoas realmente intelectuais, que não só se informam como pensam, isto é, analisam essa informação.

São justamente essas pessoas privilegiadas (bem informadas), que estão tomando conhecimento de que os homens já dominam o processo reprodutivo e logo, logo, não se precisará mais fazer sexo para a reprodução, podendo-se assim escolher seus descendentes na quantidade e com a qualidade desejada, sem doenças genéticas, por exemplo.

Os amantes (e viciados) do sexo ainda não perceberam que a Natureza, com suas leis, implantou comandos no cérebro para criar a vontade e a necessidade de copular continuamente, porque o primeiro e fundamental objetivo da vida é a reprodução.
Assim, tem muita gente que vai para a cama com algum tipo de parceria, exclusivamente para fazer sexo, pelo prazer do sexo, sem sequer desconfiar de que está obedecendo comandos cerebrais com o único objetivo de aumentar a população.
A Natureza engana as pessoas, convidando-as para uma sessão de prazer extremo, da mesma forma como o faz com os animais mais primitivos, dos tubarões e crocodilos até os insetos.
Esta é a razão porque as igrejas, apesar de condenar a prática sexual como prazer, a aceita para a procriação e obriga o casal a ter e manter os filhos que são gerados, proibindo o aborto: porque Deus (a Natureza) assim o quer.

Acontece que, quando os homens eram todos ainda animais ou pouco melhores que estes, as mortes ocorriam em quantidade pouco menor que os nascimentos. Os seres humanos lutavam entre si, contra as feras e os micróbios, assim como contra as intempéries.
Com a evolução do ego ligado a cada indivíduo, vida após vida, chegou-se hoje a um homem que vive mais e morre pouco, graças a procedimentos que combatem a mortalidade infantil, previnem as doenças (vacinas) e controlam a violência (punição para os assassinatos e negociação para evitar as guerras), resultando tudo num aumento já inaceitável da população.
Inaceitável por quem?
Pela Natureza, é claro, que tem leis próprias, mais severas que as nossas, humanas, porque não incluem o perdão. Usa, o Planeta Terra, então, seus recursos para destruir os excessos de contingente humano em sua superfície.

As pessoas cujo ego está em alto nível de evolução, conscientes do perigo, saem das zonas de risco ou criam abrigos seguros na sua vida atual, cuidando esse ego de se religarem, em nascimentos futuros, a embriões que já se encontram em áreas fora de perigo (os egos mais evoluídos são os que melhor escolhem o embrião onde se ligar, como as pessoas mais informadas escolhem o melhor computador).
As de menor consciência, vítimas de sua ignorância, são as que aceitam qualquer condição e ficam onde estão. Ao serem entrevistadas pelos repórteres de televisão, declaram: “Vou ficar aqui porque não tenho para onde ir!”.

Não existe o fim do mundo. Tudo se transforma... e evolui, com experiência e sofrimento. Os mais e melhor informados sofrem menos e evoluem mais rapidamente. É simples, assim!

domingo, 2 de maio de 2010

PROPOSTA E RESPOSTA 08

A educação em todo o mundo é feita com respostas prontas, certezas incontestáveis.
No lar, pai e mãe sabem tudo e têm autoridade para impor suas verdades e suas vontades aos filhos, a começar pelo seu deus, seus conceitos de vida e morte e suas preferências para a profissão deles, determinando até – se possível – o tipo de pessoa com quem devem se casar.
Na escola, os professores também têm certeza de tudo o que ensinam, desde o nome dos acidentes geográficos e as datas históricas, até as descobertas das ciências naturais e as receitas prontas das ideologias políticas, econômicas e sociais.
Ah! Na igreja, seja ela de que religião for, o pastor determina qual a ovelha que vai viver na preguiça do paraíso onde tudo é amor e alegria, sem nenhum trabalho e nenhum sofrimento e qual a que vai para o inferno, onde só há dor e agonia para sempre.
Pequenas ou grandes, são certas as punições e impostos os castigos, sob ameaças, para que não se fique a duvidar ou perguntar demais.

Pais, professores e pastores são pessoas importantes, consideradas infalíveis, que apesar de não saberem todas as respostas, não devem ser pressionadas e constrangidas com perguntas irrespondíveis, para que não percam seus tronos.
Por outro lado, tais certezas mantêm tudo e todos arrumadinhos.
Sem estas, tudo vira uma bagunça e ninguém se sente obrigado a obedecer.
Como vou obedecer a uma pessoa que não sabe responder a minhas dúvidas?
Estabelece-se, então e assim, em todo o mundo, a lei:

É PROIBIDO DUVIDAR!

Este blog tem a proposta inversa.

É NECESSÁRIO DUVIDAR SEMPRE!

Toda verdade deve ser aceita até que se descubra que é mentira, sendo obrigação de cada mente testar cada uma o tempo todo, à frente de novos conhecimentos adquiridos com a observação e a experiência individuais, sem qualquer orientação ou imposição coletiva.

O Estado e cada uma de suas comunidades têm funções meramente organizacionais, para facilitar o convívio, proteger a integridade física dos cidadãos e estruturar os serviços públicos, viabilizando política, social e economicamente a sociedade.

Assim, é função do Estado construir e manter escolas funcionando, mas JAMAIS orientar o pensamento dentro dela, porque este é sempre individual e deve ser livre para duvidar, pesquisar e estudar, seja confirmando, seja derrubando verdades provisórias.
Dir-se-á que isto é utópico, porque dessa forma o poder mudaria de mãos.
Deixaria a dos trogloditas ignorantes que impõem tudo pela força dos seus braços e das suas armas para satisfazer seus interesses materiais e passaria para os pesquisadores e estudiosos, cujos interesses são meramente intelectuais, buscando apenas a evolução do seu ego.
Enquanto, contudo, tais trogloditas ignorantes desperdiçam sua vida em prazeres banais que o atrasam em sua caminhada na eternidade, os estudiosos a aproveitam, uma após outra, para crescer e subir, tornando sua estrutura de consciência mais complexa e assim se capacitando a viver em lugares melhores, ligando-se a corpos evoluídos e capazes, ao invés de se ligar aos corpos deficientes que sobram e ninguém quer, nos lugares da miséria e da doença.

A boa notícia para todos é que cada pessoa, ignorante ou estudiosa, pode escolher o seu caminho, parando na ignorância ou crescendo com o estudo de suas próprias observações e experiências, assim como com a informação sempre disponível do que outros descobrem.

Esta é a proposta. Qual a sua resposta?
Não é preciso enviá-la para ninguém, além de você mesmo. Só você faz o seu destino.

O que pode ser enviada é a proposta.

sábado, 1 de maio de 2010

FÍSICA E PSÍQUICA 08

Nesta série de reflexões em torno da consciência como elemento primário universal, formadora de todas as estruturas psíquicas e físicas, tenho sido até repetitivo, para que se possa fixar os conceitos de atualidade e realidade, na base de uma teoria que explique todas as leis e fenômenos do Universo.
Quem estiver lendo estes textos aqui, aos sábados, não deve se preocupar com o fato de ainda não ter visto este assunto, nessa forma e nesse conteúdo, em qualquer outro lugar.
Cada pessoa, com seu nível de educação, está capacitada a aceitar ou não o que lê, utilizando seus próprios referenciais, ajustando (ou não) o novo conhecimento à sua própria verdade.

No âmago da discussão se a Matemática é ou não ciência, está a premissa (falsa) de que só pode ser ciência o que se demonstra com experiências comprobatórias na realidade física, isto é, no meio da energia e da matéria, que são apenas manifestações da consciência. Ignoram, estes “cientistas”, tudo o que se demonstra com experiências comprobatórias na atualidade psíquica, isto é, no meio da consciência, que é espaço com quatro dimensões.

Proponho copiar o parágrafo acima e colar em todas as paredes do mundo, para que se chegue à verdade absoluta e não se detenha na verdade relativa que já está bastante estudada, é a única estudada e se costuma aceitar (erradamente) como a única existente.
O que estou mostrando neste blog já está num artigo científico publicado em dezembro de 2007 (escrito em junho do mesmo ano), intitulado “Teoria Unificada do Universo” (Revista do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia), à disposição de todos no Google, bastando entrar na “pesquisa” com as palavras-chave TEORIA UNIFICADA DO UNIVERSO/ADINOEL MOTTA MAIA/CONSCIÊNCIA. É um primeiro artigo, com uma visão ampla da proposta, mas ainda insuficiente para toda a sua compreensão, nos seus detalhes, que este blog não só apresenta como analisa, vagarosamente.

Se já aceitamos o espaço vazio universal como uma quantidade infinita de pontos posicionados tão próximos que se estivessem mais próximos seriam apenas um, com intervalos tão pequenos que se fossem menores não existiriam (esta parte da Matemática é fundamental para o Cálculo Infinitesimal), podemos agora assegurar que cada um desses pontos só É um ponto se tiver consciência da sua existência, isto é, da sua posição e apenas desta, sem qualquer dimensão.
O nosso cotidiano relativo, o nosso conhecimento da realidade física que se apresenta como tudo o que existe, porque é tudo o que percebemos através de nossos órgãos sensitivos e compõem o acervo de dados processados por nossos neurônios, nos limita e dificulta (ou impede) a aceitação do pensamento SOU sem uma estrutura como o cérebro, por exemplo, para produzí-lo.
Esse SOU é a forma mais simples de consciência, porque é o sentimento (não o conhecimento) mais puro da existência, devendo existir na sua forma individualizada de pensamento, inteiramente fora da realidade, porque numa atualidade, isto é, num agora, num espaço sem uma de suas dimensões, a duração, ou seja, o tempo.
No outro extremo, o homem, a estrutura de consciência mais complexa no planeta Terra, também pode sentir “SOU” num agora (atual) ou dizer “SOU” com uma duração qualquer (real), manifestando o conhecimento de sua existência.
Matemáticamente, com tempo ou duração zero, apenas, portanto, com as três dimensões geométricas (comprimento, largura, altura), somente sentimos nossa essência, não conhecemos nossa existência.

Isso cheira a ficção, a fantasia, exatamente porque não se ajusta à realidade, que exige a duração da consciência (o tempo).
Nós podemos SENTIR a existência sem esta, porque sem qualquer duração, a consciência própria ou do outro é POTENCIAL. Tudo isso se prova matemáticamente, com o cálculo (UMA DAS MAIORES DESCOBERTAS DO HOMEM É O ZERO), do mesmo modo como a realidade se prova físicamente, com instrumentos e substâncias no laboratório instrumental.

Como vivemos na realidade, podemos achar que a atualidade não nos interessa, não nos serve, mas a verdade é que sem ela, jamais teremos uma teoria unificada do Universo, isto é, aquela que explicaria todas as leis, assim como toda a existência, que nunca teve origem, porque sempre existiu em consciência, ou melhor, numa infinidade de pontos conscientes SOU, que se organizam para formar estruturas inicialmente ondulatórias, depois corpusculares (quase matéria) e finalmente atômicas (matéria), que chegam até a complexidade do cérebro humano, por exemplo.

Podemos, agora, passar a outro ponto.
Aos que ainda não compreenderam e assim não dominam o acima exposto, recomenda-se reler tudo, desde FÍSICA E PSÍQUICA 01, neste blog.
Quantas vezes forem necessárias.

O próximo tijolo da nossa alvenaria é a questão da consciência linear. Não mais apenas a da posição, mas a da dimensão, nos quatro eixos do espaço: os três cartesianos (X, Y e Z) que constroem as linhas, os planos e os sólidos; e o único, digamos newtoniano, que constrói o movimento, a força e o estado físico da energia e da matéria.
Com esses quatro eixos, a Consciência criou o Universo.

É o que este blog analisará a partir do próximo sábado.